O Laboratório de Robótica Oceânica e Sistemas Dinâmicos do IST tem em curso projectos europeus com equipas multinacionais

Portugal está na vanguarda da robótica marítima em termos científicos e tecnológicos, nomeadamente graças ao Instituto Superior Técnico (IST), à Universidade do Porto e à Universidade do Algarve, de acordo com a perspectiva de referiu o António Pascoal, Professor do IST e Investigador do DSOR Lab – Laboratório de Robótica Oceânica e Sistemas Dinâmicos do IST.

Presentemente, estão em curso no DSOR Lab dois projectos inovadores na área da robótica marítima, o projecto Caddy e o projecto Morph. No que respeita ao projecto Caddy, o mesmo caracteriza-se pela interacção entre veículos e seres humanos debaixo de água. Aqui os robots funcionam como companheiros dos seres humanos, tirando fotografias e levando consigo o material necessário para ajudar a estudar o que se encontra no fundo do mar.

Coordenado pela Croácia, este projecto tem para além de portugueses, italianos e alemães na sua equipa. E pertence ao tipo de projectos que está na «crista da onda», sendo que, por isso mesmo, o DSOR Lab pretende avançar com spin-offs para comercialização destes veículos da seguinte forma: os alemães compram o material, a equipa portuguesa «monta» o material e instala o software sem cobrar nada, esperando utilizar isto como cartão-de-visita.

Relativamente ao projecto Morph, este envolve a Universidade dos Açores e tem como parceiros alemães, italianos e espanhóis. É um projecto que se relaciona com a ciência no mar e que se destina a averiguar, por exemplo, se os ambientes marinhos estão bem preservados, bem como qual o tipo de fauna e flora que os constituem e, consequentemente, criar mapas.

Morph é constituído por vários robots pequenos que comunicam entre si à custa da acústica e juntam a informação, através de uma espécie de bailado debaixo de água, «de modo a estabelecer uma geometria que se cola ao fundo e depois vai subindo pelo paredão» até chegar à superfície… Neste bailado coordenado, cada um dos robots tem a sua função própria. Uns tiram imagens, outros usam «sonoras», só para dar alguns exemplos.

De referir igualmente que os projectos desenvolvidos pelo DSOR Lab são projectos europeus, normalmente constituídos por cerca de seis parceiros. Têm a duração de três ou quatro anos e o financiamento atinge valores entre os 3 e os 4 milhões, englobando tudo: desde equipamentos, deslocações para reuniões, idas para o mar, até a contratação de engenheiros. A entidade financiadora é a Comunidade Europeia através dos programas FP7 e das Calls ITC.

Há, porém, o problema de que no final dos projectos e terminado o financiamento, as equipas desmoronam-se e o know-how vai-se, o que é preocupante porque Portugal tem jovens com capacidades impressionantes nesta área, segundo referiu António Pascoal. Numa equipa com cerca de 10 pessoas, 6 ou 7 são pagas a partir do projecto, pelo que quando este chega ao fim, muitas dessas pessoas ficam sem forma de sustento e são obrigadas, com frequência, a abandonar o país à procura de novas oportunidades. Este é, sem dúvida, «um equilíbrio instável», contrastante com o impacto científico e comercial que a robótica tem e terá cada vez mais no futuro.

A prova disso é que, neste momento, este laboratório do IST tem desenvolvido tecnologia robótica destinada ao mapeamento do fundo do mar, à observação dos materiais genéticos e ao estudo do impacto ambiental decorrente da exploração dos minerais existentes no mar profundo, e também à monitorização da tecnologia de exploração de energias renováveis no mar (decorrente de uma parceria estabelecida recentemente com a WavEC).

De facto, se o futuro de Portugal está no mar, a robótica portuguesa parece estar empenhada em fazer parte desse mesmo futuro. Nesta linha, convém mencionar que o IST organizará no próximo mês de Maio, Junho, um encontro internacional destinado a juntar num mesmo espaço empresas e universidades, de forma a proporcionar um maior conhecimento e aproximação entre ambas, fazendo jus ao facto de Portugal estar na vanguarda da robótica marítima.



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