Os portos belgas são responsáveis por cerca de 7,9% do PIB da Flandres e 9,9% do emprego, contribuindo com um valor-acrescentado anual na ordem dos 27,8 mil milhões de euros.

Os portos belgas, beneficiando, antes de mais, da sua posição geográfica e das ligações naturais, ou seja, fluviais, ferroviárias e rodoviárias ao Norte da Europa, nomeadamente França, principalmente, e também Alemanha, continuam a assumir um papel predominante na cadeia logística europeia, mesmo quando a seu lado se encontra Roterdão, o maior porto da Europa e que, até à ascensão da Ásia, chegou a ser mesmo o maior do mundo, bem como pela possibilidade de fixar em trono de si importantes complexos industriais, como sucede, por exemplo, em Antuérpia, com o respectivo complexo químico e petroquímico aí instalado.

O caso de Antuérpia é, de resto, particularmente significativo. Com um movimento de carga anual de 191 milhões de toneladas, segundo números de 2103, os últimos disponíveis, sendo um dos mais antigos grandes portos europeus, continua ainda hoje a ser o segundo maior da Europa, logo a seguir a Roterdão. Lado a lado, as suas características são, porém, bastantes distintas, afirmando-se Antuérpia como um porto bastante mais tradicional, movimentando todo o tipo de carga, desde graneis líquidos, graneis sólidos, ro-ro e contentores, sendo mesmo, descontando este s últimos, o maior da Europa com os cerca de 89 milhões de toneladas nos restantes tipos de carga (59 milhões em graneis líquidos, 14 milhões em graneis sólidos e 16 milhões em ro-ro). De qualquer modo, mesmo no caso dos contentores, os 8,6 milhões de TEU movimentados em 2013, não deixem de ser igualmente um número importante, mesmo que aquém dos 11,6 milhões de Roterdão.

Por outro lado, dado o complexo químico adjacente, um dos maiores complexos químicos do mundo, dispondo ainda de duas grandes refinarias e outras duas de menor porte, transformam também o Porto de Antuérpia como o maior centro europeu de produção e distribuição de produtos químicos e petroquímicos.

No que respeita ao comércio de e para Portugal, o movimento em 2014 cifrou-se na cada de 1,2 milhões de toneladas, onde se inclui já o movimento de cerca de 55 mil TEU, predominando, naturalmente, ara além dos contentores, produtos químicos e os derivados do petróleo, como combustíveis.

Apesar do bom desempenho, o Porto de Antuérpia sofre, porém, de dois constrangimentos graves. Por um lado, a Este, o acesso ao mar é feito pelo estuário holandês do Escalda, exigindo constantes dragagens e aprofundamentos a serem negociados com Haia e, por outro, a linha ferroviária que serve a Alemanha, a necessitar de modernização, também passa por território holandês e estes não mostram grande empenho na respectiva concretização, apesar da decisão de 2005 do Tribunal de Arbitragem.

Assim limitado a Este, é na margem esquerda do Escalda, numa área não urbanizada, que os novos desenvolvimentos do porto têm sido feitos, nomeadamente tendo em vista o desenvolvimento de um novo terminal de contentores, exigindo também a construção de um dispendioso túnel ferroviário sob o rio.

Entretanto, o Porto de Zeebrugge, próximo de Bruges, é um porto recente, com acesso directo ao Mar do Norte e que tem vindo a crescer paulatinamente ao longo dos últimos anos, atingindo já um movimento anual de carga na ordem dos 42,5 milhões de toneladas.

Construído a partir dos anos 70 do Século passado, o Porto de Zeebrugge, tendo capacidade para movimentar todo o tipo de cargas, tem-se especializado todavia no ro-ro e no transporte de curta distância, favorecido também pelas redes fluviais, ferroviárias e rodoviárias que o ligam ao centro da Europa, sendo esta última ainda no entanto dominante, com cerca de 65% de toda a carga movimentada no porto, contra apenas 15% por ferrovia e a restante por barcaça.

Em termos de transporte de curta distância, Zeebrugge dispões de serviços diários para mais de vinte destinos intra-europeus, incluindo Irlanda, Reino-Unido, Escandinávia, Báltico e Europa do Sul, sendo no entanto uma das suas grandes mais-valias o ro-ro, esperando atinjir, em 2015, a movimentação de 2,3 milhões de novos veículos. Entre as principais marcas a usarem Zeebrugge encontra-se a Toyota e a Lexus, bem como se espera igualmente um incremento da Opel, Mercedes, Peugeot, Mitsubishi, Mazda e Volvo. Uma operação que não é apenas de carga e descarga mas envolve também a adaptação dos veículos respectivos mercados, possíveis arranjos caso algum dano tenham sofrido durante a viagem, lavagem e mesmo pintura, entre outros eventuais serviços.

A título de curiosidade, durante 2015, Zeebrugge recebeu já também 30 000 veículos Honda transportados do México para o mercado europeu.

A par de Zeebrugge, Gante é igualmente um porto médio, com uma movimentação de carga anual na casa dos 50 milhões de toneladas, beneficiando de todas as mesmas facilidades em termos de interconexão com o Norte da Europa. Distingue-se por ser essencialmente um porto graneleiro, principalmente graneis, sólidos cujo volume atinge cerca de 2/3 de todo o movimento realizado, afirmando-se mesmo como o maior da Bélgica nessa área.

Gante dispoõe ainda de ligações ro-ro, com a Escandinávia, para o transbordo de material circulante, como vagões, guindastes, camiões, reboques, camiões e máquinas, bem como é usado ainda pelo maior fabricante de aço do mundo, a ArcelorMittal.

Uma singularidade, porém, respeita às empresas de biocombustível instaladas na sua área, produzindo biodiesel e bioetanol, parte de um projecto Europeu de desenvolvimento de clusters biotecnológicos, com ligações estreitas não apenas à indústria mas também às universidades.

Em 2014, Portugal foi o 24º parceiro comercial do Porto de Gante, como um movimento 160 mil toneladas de carga de carga, incluindo 100 mil toneladas de importações, betume de petróleo e madeira, principalmente, bem como 60 mil toneladas de exportações chapas de ferro e de aço, além de forragem, primordialmente, em interligação com os portos de Aveiro, Figueira da Foz, Leixões, Setúbal, Sines e Viana do Castelo.

Com investimentos anuais na ordem dos 500 milhões de euros no desenvolvimento do porto, 90% dos quais realizados por empresas privadas e 10% de fontes oficiais, espera-se também a conclusão, até 2021, de uma nova eclusa em Terneuzen, na Holanda, de maiores dimensões, de forma a permitir a capitalização desses mesmos investimentos e continuar o crescimento do porto, espera-se também o melhoramento da ligação entre o porto e França pela realização do projecto Sena-Escalda de forma a permitir a navegação de novas e maiores barcaças até Paris.

 



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