Do Tejo para o Mar e do Mar para o Tejo; do Tejo para o Mundo e do Mundo para o Tejo

Publicado em 2012 pela Esfera dos Livros, «Histórias do Tejo» é uma obra da autoria de Luís Ribeiro que nos dá a conhecer «alguns dos mais marcantes e cruciais episódios» tendo o maior rio ibérico, o Tejo, como palco. Episódios que em muitas circunstâncias condicionaram e influenciaram a história de Lisboa, de Portugal e de Espanha (e não só). A prova de que os rios desempenham um importante papel na condução dos destinos das populações das cidades e dos países que banham, mas também dos países que não sendo banhados por estes rios acabam por interferir, de algum modo, nas suas águas.

Com efeito, a relação dos rios com as populações das cidades e dos países há de ter sempre uma importância económica, política, estratégica e cultural. Até porque o Tejo é um rio que nascendo em Espanha, na serra de Albarracín, desagua no mar, o Oceano Atlântico. E é exactamente esta importância que apreendemos das páginas de «Histórias do Tejo». Do Tejo partiu-se, outrora, para o mar, para conhecer o mundo e trazer novos mundos ao mundo; hoje, chegam ao Tejo vindos de qualquer parte do mundo, pelo mar, vários navios que atracam no Porto de Lisboa e, entre os quais, se encontram os cruzeiros que tão relevantes são para a economia local e nacional.

A obra começa com a criação de Lisboa pelo Tejo e termina com um capítulo intitulado «Para lá da raia» que é, como quem diz, para lá da fronteira, aludindo ao facto de «uma grande parte do Tejo – a maior parte, na verdade -» percorrer «terras espanholas». Pelo meio surgem alguns capítulos de águas mais agitadas como «Batalhas Navais», «Esse Devorador de Barcos» (onde entre outros episódios se conta o da «avó de todas as fragatas», a fragata D. Fernando II e Glória» hoje, em doca seca, em Cacilhas, onde pode ser visitada), «Quando a Natureza Enfureceu as Águas» (em que se recorda o destruidor sismo de 1755, o ciclone de 1941 e as cheias de 1967) e, «Revoltas e Revoltosos» (mostrando um Tejo que «ajudou a decidir as duas maiores revoluções em Portugal»: 1910 e 1974).

«Do Rio, ao Ar, ao Rio» mostra-nos, por sua vez, o Tejo simultaneamente como sinónimo de glória e tragédia na sua relação com a aviação: foi daqui que voaram, em direcção ao Brasil, Gago Coutinho e Sacadura Cabral; e foi também aqui que ocorreram vários acidentes aéreos de gente de todas as origens… Estrelas de Hollywood, o irmão da poetisa Florbela Espanca e o filho do comandante Jacques-Yves Costeau, entre muitos outros.

Há também um capítulo sobre as «Vidas Quotidianas», no qual se aborda, por exemplo, os outrora tão frequentes banhos no Tejo e os melhores estaleiros do mundo situados na Ribeira das Naus, onde nasceram muitas das embarcações que viriam a ser utilizadas nos Descobrimentos. Por outro lado, o rio Tejo foi, muitas vezes, motivo de inspiração e acabou também escrito «Pela Pena dos Poetas», sendo este outro capítulo de interesse nesta obra, ao permitir uma viagem pelas palavras de alguns dos maiores poetas de Língua Portuguesa.

Finalmente, neste Tejo de «Águas de Sangue Azul», outro capítulo, tantas vezes palco «dos mais chiques e espampanantes passeios» de «reis e rainhas, príncipes e princesas, nobres e aristocratas», encontram-se alguns dos exemplares arquitectónicos «mais espantosos» da História de Portugal, erguidos junto ou sobre o rio, como o Castelo de Almourol, o Paço da Ribeira, a Torre de Belém, os Fortes de São Julião da Barra e do Bugio, e as pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. A todos estes exemplares se refere Luís Ribeiro em «Artes do Tejo e sobre o Tejo», fazendo da obra «Histórias do Tejo» uma obra recomendável a todos aqueles que gostam de olhar para o presente e perspectivar o futuro, sem perder a consciência do passado.

HISTÓRIAS DO TEJO

 Luís Ribeiro  

Esfera dos Livros 2012

 

 

 

 



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

«Foi Portugal que deu ao Mar a dimensão que tem hoje.»
António E. Cançado
«Num sentimento de febre de ser para além doutro Oceano»
Fernando Pessoa
Da minha língua vê-se o mar. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto.
Vergílio Ferreira
Só a alma sabe falar com o mar
Fiama Hasse Pais Brandão
Há mar e mar, há ir e voltar ... e é exactamente no voltar que está o génio.
Paráfrase a Alexandre O’Neill