O INESC TEC criou um dos três aparelhos do projecto e os sensores de outro. Os dois são robôs e foram testados com sucesso na Irlanda durante dois meses, no âmbito do projecto europeu VAMOS (Viable Alternative Mine Operating System), parcialmente financiado pela União Europeia, e no qual também participou a portuguesa Mineralia, entre outros parceiros
Viable Alternative Mine Operating System
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O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) foi responsável pelo robô EVA (um submarino de inspecção autónomo de apoio a operações), e pelo desenvolvimento e instalação dos sistemas sensoriais de outro robô, no âmbito do projecto europeu VAMOS (Viable Alternative Mine Operating System) de mineração sub-aquática, que foi testado com êxito em Silvermines, na Irlanda, durante quase dois meses.

O EVA é o mais pequeno dos três equipamentos do projecto e “movimenta-se em torno do local de mineração, actualizando de forma constante um mapa 3D da área e transmitindo esta cartografia ao veículo maior, de modo a auxiliar na navegação”, esclarece o INESC TEC. Acutalmente, está no Laboratório de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC, localizado nas instalações do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).

Este aparelho “consegue operar debaixo de água durante cerca de 7 horas, só ao fim desse período é que é necessário trocar as 3 baterias de 1 quilowatt, um processo que é feito em cinco minutos” e “tem capacidade para descer a cerca de 500 metros de profundidade”, embora alguns dos sensores que o integram tenham “capacidade para descer a 3 mil metros, podendo ser facilmente adaptado de modo a ser capaz de descer, no curto prazo, até 1.000 metros de profundidade”, esclarece José Miguel Almeida, investigador coordenador no Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC e docente do ISEP.

“O robô que desenvolvemos representa os olhos deste sistema. Num lago, quando se começa a minerar no fundo, a quantidade de detritos em suspensão e a turbidez da água aumentam significativamente. Nesse sentido, só com um sistema como o EVA é que se torna possível manter as operações contínuas e um mapa atualizado do estado do fundo, até por questões de segurança da máquina maior”, explica o investigador.

Além do EVA, o projecto VAMOS é composto por um robô maior de mineração sub-aquático, de 25 toneladas, “com capacidade de partir rocha e bombear o material extraído para a superfície de um lado e com um braço hidráulico com ferramentas intermutáveis do outro”, refere o INESC TEC, e por uma barcaça de suporte à operação. São desse rôbo maior os sensores criados pelo INESC TEC.

“Os dois robôs usam múltiplos sensores para a navegação e posicionamento de elevada exactidão, e para observação do meio que os rodeia”, combinando “a informação proveniente de sonares, câmaras e um medidor de distâncias a laser que permite a operação do sistema, onde quer que estejam e sob quaisquer condições de visibilidade”, explica o INESC TEC.

Depois de processados e combinados, os dados recolhidos “são enviados para um piloto no centro de controlo, que os consegue ver exibidos numa consola multitela, num ambiente de realidade virtual”, refere o INESC TEC, acrescentando que “uma versão futura pode também ser capaz de visualizar o tipo e concentrações de minério à medida que é extraído, permitindo assim continuar a explorar aquele que é mais rico e não continuar a investir no mais pobre”.

“Esta informação é fornecida pelo sistema de classificação e avaliação de minério, feito através de espectroscopia de plasma induzido por laser, que foi também desenvolvido por investigadores do INESC TEC, mais precisamente do Centro de Fotónica Aplicada deste instituto”, refere o INESC TEC.

No âmbito dos testes, foi necessário “transportar todo o sistema do VAMOS, incluindo o robô de 25 toneladas, a barcaça e a estação de controlo” em mais de 17 camiões TIR “e a operação obrigou a vários meses de preparação de toda a logística”, após o que “houve espaço para duas demonstrações públicas” nas quais participaram “85 pessoas, desde membros dos 17 parceiros que integram o projecto, a geólogos e investigadores de empresas e instituições externas ao consórcio e, até mesmo, a populações locais”, de acordo com o INESC TEC.

O VAMOS teve um orçamento superior a 12 milhões de euros, financiado em 9,2 milhões pelo programa da Comissão Europeia Horizon 2020, “cujo objectivo passa pela exploração sub-aquática de minas terrestres”, refere o INESC TEC, um dos cinco principais parceiros do consórcio que desenvolveu o projecto, a par da SMD (Reino Unido), BMT (Reino Unido), DAMEN (Holanda) e SANDVIK (Áustria).

Os restantes parceiros são a portuguesa Mineralia, a European Federation of Geologists (Bélgica), a Trelleborg (Holanda), o Centro Futuro (Espanha), a FUGRO (Reino Unido), a ZFT (Alemanha), a Marine Minerals (Reino Unido), a Montan Universitat Leoben (Áustria), a Geo ZS (Eslovénia), a Frondacjaza Obnovui Razvoj Regije Vares (Bósnia-Herzegovina) e a Federalni zavod za geologiju (Bósnia-Herzegovina).

O projecto estará formalmente concluído no final deste mês, ao fim de quatro anos, “e já há manifestações de interesse para transferir tecnologias como EVA e os sistemas de navegação e mapeamento para o mercado”; refere o INESC TEC. “Se houver, de facto, vontade de transferir o EVA para o mercado, vai ser necessário adaptar o protótipo para um produto, o que vai logo tornar necessário padronizar as operações, de modo a que qualquer pessoa, independentemente de ser especialista ou não, consiga operar o robô”, conclui José Miguel Almeida.



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