O que a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região pretendem exactamente significar com a expressão, «Algarve Livre de Petróleo», não é fácil de determinar.
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Querem realmente dizer aquilo que dizem?

Não se afigura.

Se quisessem dizer aquilo que dizem, o que a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região estariam a dizer é que pretendem ver proibida toda a circulação de veículos com motores a combustão em todo o perímetro do que se pode definir como Região Administrativa do Algarve, bem como, evidentemente, quaisquer navios de Cruzeiro, barcos de pesca ou simples embarcações marítimo-turística ainda não sejam exclusivamente propulsionadas por motores integralmente eléctricos ou, mais tradicionalmente, à vela, sem esquecer, naturalmente, o encerramento de todo o tráfego aéreo, salvo planadores bem como a igual proibição de uso na agricultura de adubos incorporando quaisquer derivados do petróleo, podendo os exemplos multiplicar-se facilmente ad nauseam pelo que bastará ficarmo-nos por aqui.

No limite, porém, querendo mesmo a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região dizer verdadeiramente o que dizem, e sendo consequentes, para um Algarve verdadeiramente Livre de Petróleo, não deixarão de vir a exigir ao Governo, com certeza,  igualmente o completo esvaziamento das jazidas na região, quem sabe se atá o limite das 200 milhas náuticas, esquecendo, por agora, a designada extensão da Plataforma Continental, para garantir, sem margem para dúvidas ou veleidades, não apenas um Algarve verdadeiramente  Livre de Petróleo mas também qualquer possibilidade de repetição da mesma situação no futuro.

Não, de facto não temos grande respeito intelectual por essas Plataformas, Movimentos, acólitos e respectivos autarcas pugnando um Algarve Livre de Petroleo porquanto toda a argumentação apresentada se afigura não apenas refinadamente sofística como, em muitos casos, mesmo pouco séria.

Defender um Algarve livre de petróleo, como facilmente se depreende, mais não significa e representa senão mera propaganda de quem, fazendo-se passar por pequeno e puro David a combater um qualquer malvado Golias, personificado, no caso, pelas mais pérfidas e vorazes petrolíferas, sem olhos senão para o obsceno lucro obtido à custa da mais terrível e ignóbil exploração do povo e dos seus parcos recursos, sempre consegue ir obtendo, não obstante, alguns sombrios dividendos políticos, não deixando o apoio explícito de partidos como o Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, via disfarce de Os Verdes,

Replicarão os mais ingénuos que, independentemente do apoio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, travestido de O Verdes, ou seja, de dois Partidos de raiz profundamente anti-Ocidental e índole totalitária, há, apesar de tudo isso, antes de mais e acima de tudo, uma real e genuína preocupação da Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região, com o Ambiente e os riscos que uma actividade como a exploração de hidrocarbonetos em mar aberto sempre comporta nesse âmbito.

Será assim?

Pelos argumentos apresentados, assumindo-se como fatal a inevitabilidade de um desastre ambiental, seja ainda na fase de simples prospecção, seja, eventualmente mais tarde e mais certo ainda, numa eventual fase de exploração, assim parece, de facto.

Todavia, não será de nos interrogarmos e estranhar tão obsessiva preocupação exclusivamente centrada na prospecção e eventual exploração de hidrocarbonetos, dando já como certos todos os ainda apenas hipotéticos desastres ambientais futuros, como se nada fosse possível fazer para os evitar ou mitigar em caso de efectiva ocorrência?

Tão preocupados com o Ambiente e, eventualmente, com as pessoas, nunca se chega a perceber bem, e essa é a única preocupação?

Como se sabe, embora o transporte marítimo de mercadorias apresente um excelente ratio de poluição por unidade transportada, muito inferior, por exemplo, ao transporte rodoviário e, mais ainda, evidentemente, ao transporte aéreo, ainda assim, o transporte marítimo, em geral, é alta e preocupantemente poluente, justificando todas as medidas que se encontram neste momento em discussão, seja para diminuir os limites das respectivas emissões de Dióxido de Carbono (CO2), Óxidos de Azoto (NOX) ou Óxidos de Enxofre (SOX), bem como as emissões das mais nocivas micropartículas do designado «carvão negro», as cenosferas.

Num estudo já antigo, do início dos anos 2000, James Corbett e a sua equipa, partindo dos modelos matemáticos de concentração geoespacial de partículas originadas pelo transporte marítimo, estimaram o número na ordem de 60 000mortes em todo o mundo, para 2007, em resultado de cancro do pulmão e outras doenças cardiopulmonares contraídas por exposição e inalação dessas mesmas partículas, com especial incidência, como é evidente, em zonas litorais sobranceiras às principais rotas marítimas.

De então para cá, não obstante os esforços realizados pela IMO e convenções internacionais como a MARPOL 73/78 Anexo VI, pela expansão natural do tráfego marítimo bem como pelos efeitos da crise económica que levando os armadores a querem diminuir os custo de operação através de uma redução da velocidade dos navios, conduzindo assim a que os respectivos motores tendam a funcionar em regimes inferiores aos de máxima eficiência para os quais foram concebidos, gerando assim maior volume de emissões de partículas por inferior capacidade de queima dos respectivos combustíveis, a situação, no cômputo global, não terá melhorado muito, ou o suficiente, para nos deixar descansados.

Ora, estando a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos, os vários autarcas da região mais BE e PCP-Verdes realmente preocupados com o Ambiente e com a saúde dos Portugueses, antes mesmo de virem manifestar-se contra hipotéticos problemas futuros não seria de pugnarem desde já, por exemplo, pelo estabelecimento de uma Zona ECA (Áreas de Emissão Controlada de SOX, NOX, ODS e VOC) )em toda a Costa Portuguesa, e do Algarve também, assim como sucede já no Mar do Norte e no Báltico?

Como se sabe, pela sua posição geográfica, no cruzamento das principais rotas marítimas de e para a Europa, Portugal vê as sua áreas marítimas sob jurisdição nacional serem atravessadas diariamente, em média, por cerca de 400 navios, com todas as consequências que as emissões acima descritas inevitavelmente têm.

Avançando com a imposição de uma Zona ECA abrangendo a Costa Portuguesa, de acordo com cálculos realizados por Jorge Antunes, engenheiro naval, Administrador da Tecnoveritas e um especialista nestas matérias, só em termos de emissões de partículas PM10, uma das micropartículas do designado carvão negro mais nocivas à saúde, poderiam ser reduzidas em cerca de em 83,58%, passando dos actuais 128 640 kg/dia  para cerca de 21 120 kg/dia, para um número médio diário, como referido, na ordem dos 400 navios.

O assunto é, evidentemente, sério e actual mas, talvez porque pouco mediático, sobre esta questão das emissões não se ouve à Plataforma Algarve Livre de Petróleo, ao Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e autarcas da região, uma única palavra. Porém, para os possíveis riscos de uma hipotética falha ao longo da eventual futura exploração de petróleo ao largo de Aljezur, ao mesmo para um simples furo de prospecção, sim, as palavras, o chinfrim e as respectivas manifestações não faltam nem falham.

Ah!, santa preocupação com o Ambiente …

Nada disto é novo, evidentemente, e pouco mais haveria a acrescentar se, para o Senhor Presidente da República, tudo isto não parecesse, afinal, novo.

De facto, após a sua visita a Monchique no rescaldo dos mais recentes e devastadores incêndios, recebeu o Senhor Presidente da República Almancil, na sequência também da notícia do deferimento pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé à Providência Cautelar interposta pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo com vista a suspender a realização do furo de prospecção a ser realizado ao largo de Aljezur pelo consórcio ENI/Galp a partir de Setembro, os representantes da mesma Plataforma e do Movimento Algarve Livre de Petróleo, para uma audiência que se terá prolongado por cerca de duas horas, findas as quais, veio declarar, como transmitido pelos vários canais de televisão, onde as seguimos com a devida atenção, por tudo isto ser novo, ter ouvido com muita atenção os argumentos apresentados pela Plataforma e Movimento Algarve Livre de Petróleo, indo agora procurar ouvir outras partes de modo a poder tudo analisar e ponderar com o devido cuidado.

Citamos de memória mas não cremos estar a deturpar o essencial de quanto foi dito e a primeira ou imediata reacção foi, naturalmente, de surpresa _ para não dizer mesmo de uma certa estupefacção, justificando-se, talvez, os três seguintes comentários.

Como se sabe, já no final de Abril passado nos pronunciámos sobre o tema em questão num Editorial igualmente publicado no Jornal O Observador, para além do próprio Jornal da Economia do Mar ter organizado um Seminário exactamente dedicado à Exploração de Hidrocarbonetos em Portugal, tema de capa, inclusive, da Edição Especial de Aniversário, como está, de resto, bem patente para todos, até, eventualmente, mesmo para os mais distraídos.

Sabemos que o Senhor Presidente da República, por razões as mais poderosas e respeitáveis, com certeza, não terá por hábito prestar grande atenção aos Assuntos do Mar nem seguir, por maioria de razão, o nosso Jornal, independentemente de se constituir hoje como a referência no sector, mas não deixará de ter, evidentemente, vários assessores que o apoiam e, não obstante saber-se não ter nenhum especialmente dedicado aos Assuntos do Mar, dada a importância do tema em apreço, imaginar-se-ia que qualquer um dos mesmo não deixasse de seguir atentamente quanto se foi escrevendo,  elaborando e desenvolvendo sobre o assunto, não deixando mesmo de estar presente no Seminário que contou com oradores como Amílcar Soares, Professor do IST e um dos principais especialistas nestas  áreas em Portugal, Augusto Mateus, ex-Ministro da Economia e Consultor da Ernest & Young, Fernando Barriga, Professor da Faculdade de Ciências de Lisboa, Luís Guerreiro, Director de Exploração da Partex, e Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal.

Para além disso, i.e., para além das iniciativas do Jornal da Economia do Mar, outras personalidades houve que não deixaram de se expressar igualmente sobre a questão, como o caso do Presidente do Fórum Oceano, António Nogueira Leite, bem como o  Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa, Bruno Bobone, personalidades a quem a Presidência da República, pelas funções desempenhadas, não poderá deixar de atender a quanto têm a dizer, segundo se afigura, independentemente de toda a eventual maior concordância ou discordância relativamente aos argumentos apresentados.

Ou seja, num enquadramento como o descrito, ouvir o Senhor Presidente pronunciar-se sobre um assunto de tão grave e capital importância para Portugal e que, por consequência, tanta controvérsia tem gerado também, como se tudo fora novo e nunca lhe tivesse ocorrido meditar, cinco minutos que fosse, sobre o mesmo, não fora ter-se encontrado agora, quem sabe, um pouco por mero acaso e força das circunstâncias, com os representantes da Plataforma e Movimento Algarve Livre de Petróleo, é, no mínimo, estranho.

Embora seja já quase só uma simples evidência, talvez valha a pena lembrar, uma vez mais, a inevitável crescente terriitorialização do mar que começa a verificar-se hoje, de modo cada vez mais veemente, um pouco por todo o mundo.

Como deixou também de sublinhar o Professor Fernando Barriga no Seminário sobre a Exploração de Hidrocarbonetos, imaginando possível uma imediata conversão da totalidade do actual parque automóvel com motores a combustão em veículos eléctricos, tal significaria, pelo menos, três coisas: duplicar a capacidade de mineração de cobalto e, de acordo com os dados actuais, sabendo também tai quantidades disponíveis em jazidas em terra firme, se assim se pode dizer, avançar para a respectiva mineração em mar profundo e que todo o processo não deixaria de levar, no actual estado da tecnologia, cerca de 96 anos a completar-se.

O que nos diz também três outras coisas: primeiro, que o petróleo, feliz ou infelizmente, ainda andar por ca muitos anos; segundo, que é uma inevitabilidade, mais cedo ou mais tarde, por esgotamento de recursos em terra, avançar para a mineração em mar profundo e, terceiro, que ainda não estamos lá, ou seja, de um ponto de vista tecnológico, ainda se está muito no início do desenvolvimento necessário para uma efectiva e segura exploração a grande escala do mar profundo.

Ora, uma das grandes eventuais virtudes da possível exploração de hidrocarbonetos em Portugal, sendo tudo realizado com a devida inteligência, mais do que a questão e valor do petróleo em si, o que não será também despiciente, seria poder levar a prepararmo-nos em devido tempo e adequadamente para os desafios do futuro que irão passar, inevitavelmente, como referido, pela capacidade de mineração em mar profundo.

Todavia, para a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos, vários autarcas da região, Blocos de Esquerda, Partidos Comunista e mais Os Verdes, nada disso importa.

Interessante.

Talvez assim, no futuro, mais não nos reste senão retalharmos território marítimo para os entregarmos a exploração dos respectivos talhões a terceiros, transformando-nos, quem sabe, plena e definitivamente, numa espécie de Nação Airbnb em toda a sua mais vívida, vasta, e completa amplitude.

Para além disso, talvez importe lembrar já termos desistido anteriormente também da prospecção e eventual exploração de gás natural ao Largo do Algarve, um pouco pelas mesmas razões agora invocadas pela Plataforma Algarve Livre de Petróleo, Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região, mais um conjunto de velhinhas inglesas muito preocupadas em manterem o Algar very typical, levando uma Partex, por exemplo, a declarar nunca mais investir em Portugal nesses domínios.

Como se começa a perceber, a questão não é apenas de Economia do Mar, é de Economia no seu todo, de credibilidade do Estado, de estarmos activamente a alienarmos o interesse na possibilidade de investimento nacional ou estrangeiro em Portugal, inclusive, por ausência de estabilidade administrativo-processual.

Talvez o investimento, todo o investimento, seja nacional ou estrangeiro seja uma maçada e não necessitemos dele.

Agora também só faltava queremos o grande capital nacional ou internacional, como talvez até as multinacionais, a explorarem a nossa terra e as nossas gentes, não?

Sim, talvez importe ao Senhor Presidente ouvir outras partes de modo a poder tudo analisar e ponderar com o devido cuidado

E talvez importe lembrar ainda não bastar a um Estadista, a um verdadeiro Estadista, não apenas saber preservar a vida e a segurança dos respectivos cidadãos, obrigação elementar do Estado, mas saber, antes de mais e acima de tudo, saber preservar, defender e afirmar os interesses permanentes da respectiva Nação de forma a garantir e assegurar assim a sua verdadeira independência, efectiva autonomia e real soberania, no fundo, o seu futuro.



20 comentários em “Do Algarve Livre de Petróleo a eventual Nação Airbnb”

  1. Manuel diz:

    Muito bem! Mas um assunto complexo que não cabe nos rapidamente consumiveis programas de comentadores oficiosos. Bom trabalho deste nosso jornal de mar.

  2. José Manuel Abrantes Antunes diz:

    Subscrevo inteiramente os argumentos apresentados neste artigo. Muito esclarecedor! Acho que os media deveriam dar mais atenção a este “lado do problema”, divulgando-o e promovendo debates sobre sobre o tema, não se restringindo ao “populismo” do mesmo.

  3. Pedro Martins diz:

    Excelente artigo!
    Devemos explorar conscientemente os nossos recursos e contribuir para a riqueza do País e dos Portugueses mas não abicando das melhores práticas ambientais. Vide o exemplo Norueguês, um dos países que, sendo um dos maiores produtores de hidrocarbonetos, não deixa de estar na vanguarda dos Países de maior responsabilidade ambiental.

  4. PA diz:

    Finalmente!!! É preciso desmascarar a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos e vários autarcas da região!

  5. Nuno pimentel diz:

    Aos poucos, vozes lúcidas se vão erguendo… Sugiro urgentemente a elaboração de um Abaixo assinado(seja de individualidades Ou de cidadãos) bem como uma Audiência) quem nos representaria?) com o Presidente da República. Estou disponível para ambos. Nuno Pimentel, Unov. De Lisboa e APGEP.

  6. Paulo Fonseca diz:

    Até que enfim!!! Pelos vistos ainda há gente lúcida e que sabe o que diz…de um modo holístico…estou farto de ouvir vozes estupidas e obtusas por parte dos fundamentalistas ambientais…da treta, claro…que não os vejo ter posição, por exemplo, em relaçao à água para os campos de golf… ignóbeis e ignorantes!!!!

  7. Gonçalo diz:

    Nunca um artigo me deu tanta raiva a ler. Que comentários mais infantis. Não se trata aqui da hipocrisia de um Algarve livre de emissões, infelizmente esse objectivo não vai ser resolvido a curto prazo, mas mais longo será se se investir na prospecção de petróleo. É triste a forma como este artigo se dirige em tom sarcástico às muitas (milhares) de pessoas contra esta acção do estado.
    Obviamente que o problema das emissões tem de ser resolvido não apenas aqui, mas, a mim, enquanto cidadão residente no Algarve, isso poderia ser resolvido melhorando os transportes públicos, completamente ineficientes. Mais, no verão parece um país de terceiro mundo, com lixo a abarrotar por todos os contentores. Portanto se for dado um passo de cada vez, concerteza que conseguiremos diminuir a nossa pegada ecológica. Mas não será de certo investindo na exploração de hidrocarbonetos que estamos a seguir o caminho da descarbonização, antes pelo contrário. O que queremos no Algarve é que Portugal seja um exemplo de mudança, que procuremos alternativas menos prejudiciais.
    Agora artigos denegrindo a opinião dos cidadãos, e das organizações que lutam por eles (quando numa democracia deveria ser essa a responsabilidade do governo) não ajudam em nada. Mas já agora podem colocar os patrocínios por baixo, não me parece que esta seja uma opinião isenta.

    1. Caro Gonçalo Anjos Abrantes,
      Tem artigo um tom sarcástico em alguns momentos?
      Tem, evidentemente, em parte pelas razões expressas e também por muitas outras que, para quem souber ler, ficam implícitas.
      Por outras palavras, a defesa do Ambiente não é só louvável como deveria ser mesmo uma prioridade de Portugal dadas as suas tradições a que muito poucos sabem atender já. Mas também por isso mesmo, mais lamentável devém assistir a quem, usando as mais nobres, reais e louváveis preocupações com o Ambiente, mais não quer senão atingir objectivos políticos que, na verdade, pouco respeitam ao Ambiente.
      É esse o ponto crucial.
      Mesmo não concordando, podemos compreender e até aceitar os argumentos de quem se opõe a quanto defendemos. Podemos defender que uma solução não se nos afigura ser a melhor solução mas isso não implica que não possamos compreender igualmente porque outros defendem eventualmente diferentes soluções.
      Mesmo neste caso em particular, defendendo devermos deixar avançar a prospecção e, havendo possibilidade tecnológica e comercial para prosseguir com a consequente exploração de petróleo ao Largo de Aljezur, não nos custa aceitar contrários pontos de vista.
      O ponto não é esse. O ponto é que a forma como a Plataforma Livre de Petróleo, o Movimento Algarve Livre de Petróleo, respectivos acólitos, demais autarcas da região, Bloco de Esquerda e Partido Comunista travestido de Os Verdes, a coberto das nobre e louváveis preocupações com o Ambiente, encandeiam os argumentos e demonstram na atitude geral e subsequentemente acção, total falta de seriedade e a sua mais efectiva e primordial preocupação de obtenção de determinados fins políticos a atingir por via do mais pérfido e insidioso condicionamento mental das populações menos preparadas ou esclarecidas.
      Método antigo e bem conhecido, como o seu comentário, infelizmente, não deixa de denunciar também.
      Duvidamos nós da sinceridade ou da sua efectiva e genuína preocupação com as emissões, com o Ambiente, com o futuro do Planeta?
      Não, não duvidamos. Podemos ter uma diferente perspectiva sobre a melhor e mais eficaz forma de defesa dos mesmos fins mas não colocamos em xeque a sua sinceridade, a sua genuína preocupação, o seu carácter.
      O inverso, porém, já não se verifica.
      Se defendemos o que defendemos é porque estamos a ser financiados, instruídos, pagos por entidades as mais sinistras que, exactamente por isso, ficam sempre na sombra, conspirando, manipulando, tudo manobrando.
      Ou seja, por outras palavras, quem defende diferente visão, diferente solução, diferente via, não o faz nunca porque, certa ou erradamente, entende ser essa a visão correcta, a melhor solução, a mais adequada via, mas por não passar de um vil, reles e miserável prostituto, vendido e defendendo quem mais lhe pagar.
      Quando aqui se chega torna-se difícil prosseguir, evidentemente, mais não restando, a maior parte das vezes, por uma questão de pudor e urbanidade, como soe dizer-se, senão um prudente e muito recatado silêncio. E como o povo diz, se «quem cala consente», tendo conduzido os adversários ao silêncio, fácil é ufanarem-se então os mesmos, no muito confortável papel de acusadores universais, de toda a «razão» lhes assistir, de «toda a razão» estar do seu lado.
      Tudo isto é triste?
      É, mas é a vida _ e nada tem de novo.
      O que diria se no fim desta réplica, pagando na mesma moeda, como se costuma dizer, também lhe pedíssemos para «colocar os patrocínios por baixo», eventualmente das empresas de produção de energia renovável, das Eólicas, das Fotovoltaicas, das Energias Marinhas, dos famigerados CMEC?
      Absurdo, risível, absolutamente disparatado? Evidentemente, mas não o inverso, não é?
      Talvez valesse a pena meditar nisto também.
      Cumprimentos,
      Gonçalo Magalhães Collaço

  8. Carla Conceição diz:

    Interessante ler artigos de Opinião e Editoriais cujo(s) autore(s) nem assinam o que escrevem!

    Interessante fazer análise aos conteúdos dos diversos “escritos” que têm surgido e perceber que TODOS atacam movimentos, ambientalistas, cidadãos, mas nunca apresentam respostas nem dados factuais.

    Senão vejamos, onde é que neste editorial de um jornal que se diz da economia do mar, está uma análise económica?

    – Comparação de ganhos e perdas (sejam económicas, sejam sociais, sejam ambientais) com o início desta indústria, nos tempos que correm? Uma análise SWOT, por exemplo. Onde está?

    – Comparação dos números, taxas, valores da Noruega (e o Fundo de biliões da Noruega prevendo o fim desta indústria no país) com os números, as taxas e os valores (e fundo???) em Portugal?? ( Há geólogos amigos lá fora que nos informam de algumas pequenas coisinhas de menor importância-sobretudo aquelas que não interessa fazer saber ao Zé povinho)

    – Em caso de acidente ou incidente o Governo português assume os prejuízos?

    – Em caso de acidente ou incidente ENI e GALP assumem os prejuízos?

    – Se houver um acidente de milhares ou milhões de euros de prejuízos, uma empresa com capital social de 20.000€ tem capacidade para cobrir estragos?

    – Qual é o Plano de Gestão de riscos? Porque é que o mesmo é confidencial? (Na ENMC responderam que é confidencial por razões do foro económico, mas eu que não sou economista não percebi a relação entre segurança de coisas e pessoas e riscos económicos de se conhecer um Plano de Gestão de riscos)

    – Porque é que Jornais económicos, geólogos, académicos, engenheiros e pessoas ligadas ao ensino universitário utilizam palavras como “estúpidos, ignorantes” e outros galhardetes, para argumentarem sobre assuntos relacionados a ambiente, sociedade, etc, quando não gostam da posição tomada por milhares de cidadãos?

    – Porque é que falam de partidos? E só de alguns? É esta uma questão partidária?

    – Porque é que os mapas das concessões têm erros na legenda, que se mantêm a cada vez que actualizam esses mapas? Não sabem que têm lá esses erros? Não revêm aquilo que fazem e colocam cá para fora?

    – Há tantas perguntas que já foram feitas e apenas lemos ofensas, sem nada de objectivo nem capaz de ensinar nada a quem tenha dúvidas…

    Mas sabemos de uma coisa…os artigos de “opinião” com ofensas vão ser cada vez mais fortes e diários…Não é mau de todo…mostra, ao menos, a geração que está agora no poder. Não tendo argumentos válidos e vendo os seus excessos em risco de diminuir, ofendem!! É o cair da máscara!

  9. Ângela diz:

    Fala-se do alto da arrogância com tanta ignorância. Estes contratos são tidos como os mais pobres para um estado concessionário no Mundo inteiro. 3% a 5% de royalties depois de cobertos todos os custos e lucros espectáveis pondo em risco uma região, sem sequer estudo de impacto ambiental na zona altamente sensível que é, opiniões formatadas, agressivas e arrogantes destas só podem ser uma anedota macabra. 42 mil pessoas se pronunciaram contra, apenas 4 a favor. o Algarve tem mais de 300 dias de sol não precisamos do petróleo das portas rotativas, das cotações, das garantias e dos subssídios para nada! As elites apodrecem o nosso país, adoecem a nossa manipulada sociedade. Felizmente no Algarve há algarvios e residentes lucidos que se interpõe a um esquema destes. prospeções? o contrato dita que só 5 anos depois são divulgadas. há 40 anos que se fazem prospeções, onde estão os dados? quem os fornece por favor? países com dois dedos de testa não permitiram veiculos ligeiros movidos a combustiveis fósseis dentro de 10 anos. Eu movo-me de electrico movido a renováveis e apesar do esforço é com angustia que leio posturas destas que põe o futuro da humanidade definitivamente em cheque. economia circular? hidrogénio? renovaveis? alguem conhece? Será que só se conhece plástico e prepotencia?? Não admitiremos a roubalheira e a destruição final da nossa região. Nem um plano de contigência decente apresentam. Uma vergonha. A população está contra. É ridicula a arrogância e a falta de conteúdo desta “opinião”. Já vão tarde.

  10. Tania diz:

    Carla Conceicao,

    subscrevo enfaticamente tudo o que disse!

    Ademais, este editorial usa tambem outro argumento falacioso: se os movimentos anti-petroleo fossem realmente preocupados com o ambiente, deveriam-se focar neste e noutro problema.

    Cada um escolhe as suas lutas: de certo que a sensibilidade para o ambiente ja existia de antemao mas foi a iminente ameaca de exploracao petrolifera, na altura, onshore no Algarve que ‘apressou’ a criacao destes movimentos, tal como relembraram aqui esses contratos entretanto cancelados.

    Evidentemente a luta continuou e vai continuar ate termos um Algarve Livre de Exploracao Petrolifera. Mas nao se preocupem, os chatos dos ambientalistas vao continuar a lutar por um planeta limpo, tal como voces continuarao a fazer este ‘bom’ jornalismo que e quase um servico priv… gover… publico.

  11. Nuno Baptista diz:

    Que pasquim. Obvio que desocnhecem o ”track record” da indústria petrolífera pelo mundo ja que havendo esploração há acidentes, a única dúvida é quando acontecerá e onde. Depois sugiro que se querem ser levados a sério, leiam os contratos – explorado, os riscos serão exclusivamente nossos, os lucros ? Quais ? Querendo comprá-lo garantiram que nos seja vendido a preço de mercado, comprar o nosso ou o saudita custa o mesmo logo digam lá outra vez qual a ENORME vantagem ?? Quando muito um punhado de emprêgos a preparar bidons, conduzir camions e alguma da manutenção?? Certamente a salários internacionais já que.. estamos em Portugal onde em média se paga tão bem e eles não quererão ser diferentes. Uns tantos políticos a trabalharem para umas tantas destas emprêsas ? Isso já se espera, é o refúgio favorito aprés la politique, há quem lhe chame suborno á posteriori já que impossível de provar o favorecimento feito enquanto governante…. Nem precisam de pôr autocolantes nenhuns, vê-se e cheira-se á distância..

  12. Gil Campos diz:

    É evidente que existe sempre resistência a mudanças, sobretudo quando essas mudanças afetam interesses económicos. No entanto, também em nome da economia, convém criar um movimento de opinião que reduza à insignificância que merece os que pensam como o articulista deste jornal é que mais não fazem do que colocar Portugal na retaguarda económica em que está. A economia do petróleo tem os dias contados. Quem não se souber adaptar, também.

  13. Parece-me um editorial um bocado aziado e populista, com alguma demagogia à parte. Esperava uma crítica racional, ponderada e madura…

  14. Paulo Pinheiro diz:

    Que parvoice de texto, aind appr cima o autor não o assinou, ve-se claramente que foi um texto mandado escrever! Quando o país investe ou aposta em algo devia ser com o intuito do país ganhar algo em troca, e infelizmente não estou a ver nada. Alem de uns miseros 3% a 5% de comissão falados, depois ha-de haver clausulas e clausinha que absorvem essa comissão e retorna ao dono. Ja temos por cá muita chuli-se não precisamos de mais, veja-se o caso dos bancos que nos cobram taxas e iva em tudo e depois todos os anos o fisco deixa os bancos fugir ao pagamento do iva e outros. Fazem-se contratos ruinosos com p.p.p. e paga o mesmo de sempre. Com esta exploração de petroleo se for para a frente sera a mesma coisa, contratos ruinosos, compensações de exploração se não retirarem o suficiente do poço, tipo a EDP, depois se houver um derrame o estado portugues ainda invoca calamidae publica e pede ajudas monetarias a UE para limpesa do derrame e paga o povo, e aond apede auxilio a população a nivel de voluntariado, como faz sempre (ainda se lembram do pinhal de leiria? Continua igual, 2 talhoes plantados pa comunicação social e atraves de coluntariado) para que a população ajude a limpar as praias e a salvar alguns animais! Depois vao vir estes senhores que andam paqui dizer bem da exploração petrolifera que as praias estão uma miseria, que os turistas não veem para o algarve etc etc. Lembram-se que o algarve vive do turismo e se acabam com as praias acabam com os turistas… este ano com os incendios de monchique tiveram cancelamentos de reservas na ordem dos 80% ou mais e vai levar um tempo a voltar ao normal, acham mesmo que os turistas vai tomar banho em lraias cheias de crude e comer peixe e outros apanhados na costa algarvia?!

  15. António Castro Moreira diz:

    Comento em quatro pontos mais um de enquadramento, de forma sintética sem prejuízo da necessária extensão para a sua boa compreensão:
    a) Parabéns ao dr Gonçalo Magalhâes Collaço e ao Jornal de Economia do Mar pela oportunidade e coragem de abordar o tema de fundo em que se inserem as posições públicas de cidadãos e autarquias ali referidos. É de inteira justiça reconhecer que o Jornal de Economia do Mar, os seus responsáveis e colaboradores, têm uma missão que cumprem com competência – informação importante e atualizada e reflexão acertada e oportuna sobre assuntos do mar. Muito agradeço enquanto cidadão português, o seu bom trabalho.
    b) O Editorial em causa analisa, com a extensão e profundidade adequados ao meio de comunicação em que é publicado, um tema importante do presente e devir nacionais, manifesta honestidade e conhecimento, assenta em factos comprovados e estudos identificados e elabora sobre estes com precisão, tem, em suma, o rigor e a qualidade a que o autor já habituou os seus leitores ou ouvintes em muitos anos. Substancialmente, nada há a apontar de negativo. Pelo contrário, é um texto sério e assente em factos, estudos e raciocínio claro. Não merece, pois, as críticas a esse nível que lhe foram feitas.
    c) O Editorial critica asperamente alguns movimentos cívicos, autarquias e partidos e, de caminho, deixa críticas às declarações do Presidente da República em Monchique. Quanto a estas, não as subscrevo. Entendo que este PR está a dar ao País uma boa lição sobre a importância e defesa dos Interesses Permanentes Nacionais neste momento histórico, não só através do seu exemplo de atuação, como em intervenções ou discursos e mensagens. As declarações de Monchique, a meu ver, não devem ser lidas ou interpretadas com o sentido que lhes é dado no Editorial. Enquanto PR e político (no bom sentido), seria mesmo difícil fazer outro tipo de comentários no momento. Sugiro que aguardemos posição que o PR assuma após refletir sobre o que lhe disseram e que nós não sabemos…
    d) Quanto às críticas ásperas, mesmo que fossem merecidas, permito-me discordar da forma. Quer os movimentos de cidadãos, quer as autarquias, quer os partidos, são meios meritórios de expressão de cidadãos, demonstrativos de interesse de intervenção cívica, valor este estimável em si próprio. Prefiro ter concidadãos com intervenção cívica (mesmo que não concorde com o sentido dessa intervenção – e é o caso) que concidadãos abúlicos civicamente. Neste sentido, um bom debate, com respeito mútuo e boa argumentação de parte a parte é o único que pode produzir bons frutos em conclusões ou esclarecimento da população e dos seus líderes. E este é um requisito indispensável neste momento histórico de Portugal, não só quanto ao assunto do Editorial mas quanto a tudo o que respeita ao Oceano e à sua importância para Portugal.
    e) Trata-se aqui e agora de CONSTRUIR CONSCIÊNCIA MARÍTIMA (CM). Seguindo a lição do Prof. João Batista Machado começo por informar o que entendo por Consciência Marítima: A qualidade de, compreendendo o conjunto dos fatores pluridisciplinares relevantes ligados ao Oceano, saber usar tais fatores para o reforço da identidade nacional e da afirmação internacional de Portugal assim como para promover o desenvolvimento sustentável e a criação de riqueza, no respeito pelo equilíbrio ambiental do planeta. Entronca esta questão da CM desde logo nas reflexões feitas relativamente a ser ou não Portugal um País Marítimo. Para mim, reconhecendo que potencialmente ou geograficamente somos um país marítimo, só seremos capazes de nos assumirmos como tal, reforçando as suas forças e defendendo-nos das suas fraquezas, se demonstrarmos motivação, competência e trabalho, muito trabalho para ganhar esta guerra com inúmeras batalhas até à vitória – a de haver Portugueses com Consciência Marítima em número significativo, incluindo as suas lideranças, políticas, culturais, empresariais e outras. O Mar é, inquestionavelmente, um fator de Potencial Estratégico Nacional. Como muito bem sabem os estudiosos e os práticos de Estratégia e Ciência Política, um grande Potencial Estratégico Nacional pode dar zero de Poder Nacional se não houver Consciência Estratégica que saiba reconhecer, desenvolver e usar esse potencial. Assim, o sermos capazes de Construir Consciência Marítima nos termos apontados é um trabalho urgente de todos os portugueses que se sintam em condições de o fazer. Sob pena de nos limitarmos a ver passar navios…

    António de Castro Moreira, 24 agosto 2018, de férias em Trás-os-Montes, Portugal

  16. Olá,
    No Marafado gostamos de afirmações e de questões!!! E a Carla Conceição ousou faze-las no âmbito do Editorial do Jornal Economia do Mar e por isso merece resposta dos Algarvios que tem a humildade de se afirmarem como ignorantes mas com o conhecimento suficiente para, neste assunto, se considerarem bem esclarecidos.

    1ª Afirmação: … artigos de Opinião e Editoriais cujo(s) autore(s) nem assinam o que escrevem!
    1º Comentário: … Não há artigos de Opinião sem autor ou autores nem Publicações sem responsável editorial, logo estamos perante uma afirmação FALSA.

    2ª Afirmação: Interessante fazer análise aos conteúdos dos diversos “escritos” que têm surgido e perceber que TODOS atacam movimentos, ambientalistas, cidadãos, mas nunca apresentam respostas nem dados factuais.
    2º Comentário: … O exercício de Cidadania que realizamos há cerca de dois anos nas Redes Sociais (https://www.youtube.com/playlist?list=PLcW-yUEMGfzfN_850xvRUxMtJ09dQJ5kf) e que foi vilmente atacado por “movimentos, ambientalistas” e apreciado por muitos “cidadãos” apresentou respostas e dados factuais que naturalmente foram ignorados por si e pelos seus camaradas.

    3ª Afirmação: Senão vejamos, onde é que neste editorial de um jornal que se diz da economia do mar, está uma análise económica?
    3º Comentário: Misturam-se alhos e bugalhos e ficamos sem …. Naturalmente que pela natureza das coisas um editorial é um editorial, um artigo é um artigo …

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    1ª Questão: – Comparação de ganhos e perdas (sejam económicas, sejam sociais, sejam ambientais) com o início desta indústria, nos tempos que correm? Uma análise SWOT, por exemplo. Onde está?
    1ª Resposta: Nesta actividade industrial, como bem sabe, todos os aspectos da Sustentabilidade são considerados na fase de análise e avaliação do Investimento. Nos seus aspectos de estratégia a análise SWOT é uma das ferramentas consideradas. No entanto, como sabe, estes documentos estão sujeitos às regras da propriedade industrial e apesar de serem presentes ao Governo não o são ao cidadão. Cabe-nos a nós forçar a que entidades independentes o façam, por ex. as Universidades.

    2ª Questão: – Comparação dos números, taxas, valores da Noruega (e o Fundo de biliões da Noruega prevendo o fim desta indústria no país) com os números, as taxas e os valores (e fundo???) em Portugal?? ( Há geólogos amigos lá fora que nos informam de algumas pequenas coisinhas de menor importância-sobretudo aquelas que não interessa fazer saber ao Zé povinho)
    2ª Resposta: – O fundo Soberano da Noruega foi e é alimentado por receitas do Petróleo e de investimentos financeiros, nomeadamente Divida Pública de países pobres como Portugal e Grécia que remuneram melhor o investimento. Se Portugal deve seguir o exemplo Norueguês, concerteza que sim. Se seremos capazes de o fazer? Claro que sim, porque uma parte assinalável do sucesso Norueguês depende e muito, dos fantásticos quadros que os países do Sul da Europa deixaram fugir por ausência de capacidade económica para os reter. Eventualmente desconhecerá mas todos os anos a Noruega recruta centenas de jovens quadros Portugueses para fazer funcionar a sua Economia. Naturalmente que a classe politica actual teria de ser expurgada dos seus maus elementos mas isso bastava o aceno de uma nova revolução que os ratos seriam os primeiros a fugir ….. 😉

    3ª Questões: – Em caso de acidente ou incidente o Governo português assume os prejuízos? Em caso de acidente ou incidente ENI e GALP assumem os prejuízos? Se houver um acidente de milhares ou milhões de euros de prejuízos, uma empresa com capital social de 20.000€ tem capacidade para cobrir estragos?
    3ª Resposta: – Em relação a este assunto a Directiva de Segurança Offshore é claríssima: grupos ENI e GALP!!! Basta ler a seguinte passagem:

    “…. Em primeiro lugar, atribui sempre a responsabilidade ao titular da licença (ou seja, o detentor ou os codetentores de uma autorização para operações de prospeção, pesquisa e/ou produção de petróleo ou gás emitida em conformidade com a Diretiva 94/22/CE). É importante que a DSO estabeleça este princípio, porquanto ele prevê plena clareza jurídica e deve garantir que os titulares de licenças assumam a principal responsabilidade pelo controlo dos riscos decorrentes das suas operações.
    Em segundo lugar, no que respeita aos danos ambientais resultantes de acidentes no mar, as disposições introduzidas pela DSO incluem as operações no mar ao abrigo da DRA14. Significa isto que agora a responsabilidade objetiva é sempre aplicável aos danos ambientais – ou seja, cada titular de licenças é doravante responsável por esses danos, desde que se possa estabelecer um nexo de causalidade e sem que seja necessário provar negligência da sua parte….”

    4ª Questão: – Qual é o Plano de Gestão de riscos? Porque é que o mesmo é confidencial? (Na ENMC responderam que é confidencial por razões do foro económico, mas eu que não sou economista não percebi a relação entre segurança de coisas e pessoas e riscos económicos de se conhecer um Plano de Gestão de riscos)
    4ª Resposta: – Desconhecendo se a resposta da ENMC tem ou não fundamento só referirei que a Lei de Acesso aos Documentos Administrativos (LADA) criou uma Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA) que funciona como entidade reguladora nesta matéria. Basta apresentar uma queixa fundamentada que a mesma terá resposta e é muitas vezes favorável aos cidadãos ou às sua associações.

    5ª Questão: – Porque é que Jornais económicos, geólogos, académicos, engenheiros e pessoas ligadas ao ensino universitário utilizam palavras como “estúpidos, ignorantes” e outros galhardetes, para argumentarem sobre assuntos relacionados a ambiente, sociedade, etc, quando não gostam da posição tomada por milhares de cidadãos?
    5ª Resposta: – A troca de galhardetes é apenas um sintoma da radicalização das posições que infelizmente se instalam no debate. A radicalização instala-se com maior facilidade do lado onde o conhecimento é mais frágil, é voluntariamente cultivado ou é apenas inexistente. Por ex:, basta possuir algum conhecimento para que ganhemos consciência do quão ignorantes somos … e isto é apenas conhecimento empírico !!!

    6ª Questão: – Porque é que falam de partidos? E só de alguns? É esta uma questão partidária?
    6ª Resposta: – Naturalmente que esta é uma questão que interessa à POLIS e por isso interessa aos partidos que nos representam nas decisões que se tomam em cada momento sobre estes assuntos. Sobre este tema já falaram todos e já todos tomaram por várias vezes posição tanto no debate como na votação de propostas de decisão. Porque é que há uns que gritam e outros que falam serenamente …. infelizmente porque hoje a Politica está transformada numa feira em que alguns pregoeiros apostam tudo na propaganda e não na qualidade dos produtos …. já era assim no tempo da “banha da cobra”.

    7ª Questão: – Porque é que os mapas das concessões têm erros na legenda, que se mantêm a cada vez que actualizam esses mapas? Não sabem que têm lá esses erros? Não revêm aquilo que fazem e colocam cá para fora?
    7ª Resposta: – Esta é simples, um mapa é um documento administrativo neste caso responsabilidade da ENMC, cabe ao cidadão questionar e forçar a correção. Se ela não acontecer CADA com eles … (vide resposta 4)

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    4ª Afirmação: – Há tantas perguntas que já foram feitas e apenas lemos ofensas, sem nada de objectivo nem capaz de ensinar nada a quem tenha dúvidas…
    Mas sabemos de uma coisa…os artigos de “opinião” com ofensas vão ser cada vez mais fortes e diários…Não é mau de todo…mostra, ao menos, a geração que está agora no poder. Não tendo argumentos válidos e vendo os seus excessos em risco de diminuir, ofendem!! É o cair da máscara!
    4º Comentário: Há respostas válidas que já vos foram dadas mas que obstinadamente ignoraram. Quem quis ser informado e assim procedeu hoje já não milita nos PALPianos e grupelhos satélite. Já compreendeu a sua natureza fanática e delirante e percebeu que do lado dos económistas, geólogos, académicos, engenheiros e pessoas ligadas ao ensino universitário há bom senso, razoabilidade e sobretudo capacidade de intervir de forma responsável neste tema, algo que infelizmente escapa à compreensão daqueles que se acham “salvadores” de coisa nenhuma. Há de facto mascaras neste bailado, de ambos os lados, mas desenganem-se aqueles pensam que no Algarve, o Carnaval, é mais do que três dias ….

    O Marafado

  17. Daniel Boone diz:

    Eu ia fazer um apanhado das 3 Marias mas o Alexandre respondeu à maior parte da primeira Maria. Cabe apenas acrescentar que espero que os seus amigos geólogos lá fora sejam melhores que os da Angela que lhe dizem que se pode explorar gás (HC entenda-se) a partir de um vulcão no Havaí. Do mesmo modo Ainda estou para ver 42000 pessoas manifestarem-se ao mesmo tempo. Olhando para os nomes e locais das pessoas que assinam essa e outras petições semelhantes constata-se que a maioria não vive por cá o que explica que 30 associações ( muitas delas fantasmas ou cópias de outras) se manifestem em Lisboa e reúnam 1500 pessoas no maximo. E quanto a pasquim e textos encomendados, a Tania deve falar em conhecimento de causa porque escreve regularmente no P3 do público sem contraditório, fazendo autênticos copy pastes de textos asmáticos.

  18. Carla Conceição diz:

    Marias??? Estamos em pleno séc. XXI, “Jesus Cristo”! (Sem pretensão a escritora). Apesar de saber que também circulou número semelhante relacionado com petição de uma associação, a verdade é que mais de 42.000 mil cidadãos em Portugal participaram aquando da consulta para atribuição do TUPEM-coisas distintas, apenas para registo, Sr. Boone! Sr. Alexandre, grata pelas respostas. Resumindo, pegando ponto a ponto, ficamos assim esclarecidos de que: 1) “Temos ainda de forçar as universidades”; 2) “a classe politica actual teria de ser expurgada dos seus maus elementos”; 3) “cada titular de licenças é doravante responsável por esses danos, desde que se possa estabelecer um nexo de causalidade”. (Mas ficamos sem saber como é que uma empresa com capital social de 20.000€ paga prejuízos que ultrapassem esse valor); 4) a Lei de Acesso aos Documentos Administrativos (LADA) criou uma Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA); 5) “A radicalização instala-se com maior facilidade do lado onde o conhecimento é mais frágil”; 6) “hoje a Politica está transformada numa feira…”; 7) um mapa é um documento administrativo neste caso responsabilidade da ENMC, cabe ao cidadão questionar e forçar a correção. Grata pelos esclarecimentos! Carla

  19. Amadeu diz:

    Este artigo é preocupante. Todo ele se baseia em falácias e argumentos pimba.
    Sempre o argumento falacioso que para se ser contra a prospecção e exploração do petróleo tem que se andar de carroça… Seria como dizer que quem quiser defender o planeta Terra terá que ir viver para Marte, pois só assim estaria isento de viver à custa dos recursos que pretende combater. Ridículo.

    A ausência de contestação do algarvio tem uma explicação fácil. A sociologia explica isso facilmente.

    É um facto que este assunto do ambiente e da exploração petrolfera mexe mais com a comunidade estrangeira, do que a construção de um hospital ou a eliminação de portagens. acho que é óbvio porquê.

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