Conheça os marinheiros que embarcam na Discoveries Race 2019 a bordo do Anixa II, e o que se espera da primeira etapa desta regata.
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A Discoveries Race 2019 parte esta quarta-feira, por volta das 15h. Os alunos da Escola Náutica Infante Dom Henrique estão ansiosos. Ganhar não é na primeira coisa em que pensam, mas em participar e chegar ao destino. Sendo este o mote da regata, os alunos, cujo papel é levar o Anixa II a bom porto, garantindo rumo certo e excelente afinação de velas, revelam um pouco do seu percurso. 

Para os três aspirantes o veleiro é a embarcação de eleição. Mas para trabalhar pensam, quem sabe, num cruzeiro ou grandes iates. Sonham alto e para isso estudam. Mas na verdade tudo começou com uma simples relação com o mar.

Artur, de 23 anos, natural da Madeira é ainda assim o que menos contacto mantinha com o mar. Iniciou os estudos em engenharia industrial – trabalharia na optimização das empresas – mas subitamente percebeu que o seu lugar era em Pilotagem, curso que admite estar a ser interessante. A primeira vez que fez vela foi a bordo do Anixa II recentemente, desde então a embarcação já não sai sem Artur. 

O pior, confessa, é “ficar maldisposto” e “andar a motor”.  O seu percurso está mais ou menos planeado: “quero trabalhar primeiro nos navios, depois quero ir para os privados e depois quero abrir um negócio meu em qualquer coisa que goste”. Mas há um plano B para o qual já joga inclusivamente no euromilhões: uma viagem de veleiro pelo mundo. 

Já Gonçalo, no curso de Gestão de Transportes e Logística, de 21 anos, confessa: “os meus verões sempre foram passados no mar. O meu tio tem uma empresa de marítimo-turística e eu desde pequeno que vou com ele nas viagens”. E entre os sete e os oito anos entrou para a vela ligeira, e mais tarde para a vela de competição. 

“Vela eu já sabia, vela ligeira, mas agora estou a adquirir mais experiência na vela de cruzeiro. A base é a mesma, mas funciona de maneira diferente. Aqui temos de pensar antes da manobra que temos de fazer e só depois é que a manobra vai acontecer, não é logo”, explica o marinheiro do Algarve. 

Sabe o que quer: trabalhar em embarcações de recreio como skipper. Da escola sairá apenas com a carta de patrão local, mas pretende tirar as restantes cartas para posteriormente trabalhar em algo que não seja o escritório, que não seja rotineiro. 

A ideia desta regata? “testar-me. Ver se aguento quatro dias no mar, se gosto ou não porque os enjoos, por exemplo, não somos nós que controlamos”. 

Já a história de Diogo, de 22 anos, é um pouco diferente. “A primeira vez que entrei num barco devia ter algumas semanas, segundo os meus pais. Para o meu pai era um hobbie, a certa altura começou a ser trabalho e nessa altura, também eu comecei a ver como saída profissional. Pilotagem só soube que queria quando saí do secundário”, explica. 

No mar já tem histórias. Desde encalhar a ficar sem motor. Mas reflecte que o importante nestas viagens é estar em boa companhia. Pois este tipo de travessias geram, na sua opinião, uma “convivência interessante”, que pode correr muito bem ou muito mal. Até agora só tem boas experiências.

Fazer carreira nos navios é o seu desejo, mas embarcou nesta aventura a bordo do Anixa II para ganhar mais experiência de vela, tendo ficado muito contente com a oportunidade de voltar para Lisboa num cargueiro. 

Em comum os três marinheiros têm a escola e o gosto pelo mar. Aos cursos acrescentariam mais práticas, mais viagens a bordo. Pois os anos passam e até agora, à excepção das saídas no Anixa II, só saíram uma vez, a bordo do Santa Maria Manuela.  

Não há que enganar, é só descer com o vento

Visita ao Templo de Santa Luzia.

Esta terça-feira foi mais um dia dedicado à cidade que acolheu os marinheiros antes da primeira etapa. A visita desta vez ao Templo de Santa Luzia fez-se serena com alguns marinheiros, nomeadamente da embarcação espanhola Proteína Sesentaycinco, do Nautilus e o NRP Zarco com seis cadetes embarcados e o NRP Polar com dez cadetes embarcados.

As oito embarcações madrugam para aquecer. Faltam duas das que estavam planeadas – o Salseiro, que faria apenas a primeira prova em classe ORC, que se ausentou por motivos de saúde do skipper, e o Oceana Dos que teve uma avaria e na impossibilidade de chegar a Viana do Castelo a tempo, partirá apenas de Cascais. 

Na reunião de Skippers tudo ficou alinhado – todos concordaram partir de uma só vez, tanto classe ORC como OPEN. Os ventos prometem. Com a nortada que estará, os marinheiros preveem chegar a Cascais antes do inicialmente calculado pela organização. A hora limite são 11h locais de sexta-feira, mas as previsões apontam para a chegada quinta-feira.

Reunião de skippers no Clube de Vela de Viana do Castelo.

Nesta 1ª Etapa, de aproximadamente 187 milhas náuticas, as passagens obrigatórias são entre a Ilha da Berlenga e Cabo Carvoeiro, na baliza C1 a Sudoeste do Farol da Guia na costa de Cascais, por bombordo e na baliza virtual a sul do Farol de Sta. Marta por bombordo à chegada. 



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