A China, a Formosa, o Japão, a Coreia do Sul e a Espanha são responsáveis pela maioria da pesca no alto mar, ou seja, nas águas internacionais excluídas de qualquer jurisdição nacional, e todos esses países dependem de elevados subsídios para manter essa actividade sustentável, concluiu um estudo agora divulgado no jornal Science Advances e citado na revista Sierra, do Sierra Club.
O estudo monitorizou embarcações de pesca no alto mar durante dois anos e calculou os embarques, custos do trabalho, uso de combustível e tipos de capturas em mais de 3.600 navios, refere a revista. As pescarias em todo o mundo representam 4,4 milhões de toneladas por ano e combinando receitas, informação sobre subsídios e dados sobre rastreios, os investigadores traçaram um paralelismo entre custos e benefícios da pesca em alto mar.
A maioria das empresas de pesca dos cinco países citados não teria lucro se os respectivos Governos deixassem não financiassem as suas operações através de incentivos fiscais e financiamento ao combustível, à reparação de embarcações, aos seguros e aos equipamentos, em como de subsídios a infra-estruturas, como instalações para processamento e distribuição de pescado, refere a revista.
“Os subsídios são mais do dobro do que os lucros”, refere Enric Sala, coordenador do estudo, citado na revista. O estudo também concluiu que a pesca economicamente mais insustentável era a da lula, efectuada pelas frotas da China, Formosa e Coreia do Sul ao largo da costa do Japão e em arrasto de profundidade próximo do Chile e da Argentina.
Actualmente, a indústria encoraja a sobrepesca, considera Chris Costello, economista do Sustainable Fisheries Group, também citado pela revista. Já Eric Sala entende que embora a reforma dos subsídios seja importante, também o é a regulamentação das capturas e a monitorização dos navios ao nível regional.
Eric Sala admite, porém, que a reforma dos subsídios à pesca é difícil, porque resulta da pressão dos lobbies agrícolas, que são contra o fim dos subsídios à agricultura, estabelecendo um precedente extensível a outras actividades. Como a pesca. E são difíceis de justificar, dado que todos os Estados partilham direitos sobre o alto mar.
Num contexto em que apenas 2% dos oceanos são integralmente protegidos (o que inclui menos de 1% do alto mar), Eric Sala defende que a solução ideal seria a criação de uma reserva gigante que abrangesse dois terços dos oceanos. Isso garantiria a sustentabilidade das espécies. Já Chris Costello reconhece que uma proibição total da pesca no alto mar é improvável, ao contrário de um acordo para várias abordagens destinadas a controlar a sobrepesca e impedir a indústria da pesca de se tornar obsoleta.
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