Indicadores foram comentados por responsáveis do ordenamento do território
Ordenamento do espaço marítimo

Foram ontem apresentados os 15 principais indicadores para avaliação do desempenho do sistema de ordenamento do espaço marítimo nacional, resultantes de uma análise de 17 especialistas. A exposição foi feita pela investigadora Maria Adelaide Ferreira, do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e contou com a presença do Director-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), Miguel Sequeira, do Sub-director Regional do Ordenamento do Território e Ambiente da Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira, Manuel Ara de Oliveira, e do Director de Serviços da Biodiversidade e Economia do Mar da Direcção Regional dos Assuntos do Mar da Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores, Gilberto Correia, que comentaram os resultados.

A finalidade deste trabalho de identificação foi apoiar a elaboração do Plano de Situação do espaço marítimo nacional, previsto na lei 17/2014, de 10 de Abril, que estabelece as Bases da Política de Ordenamento e de Gestão do Espaço Marítimo Nacional, que está a ser desenvolvido actualmente e deverá estar concluído no final deste ano. Conforme referia Maria Adelaide Ferreira, que coordenou este trabalho, “importa encontrar um conjunto de indicadores que permitam avaliar o seu desempenho futuro para perceber se e como o ordenamento do espaço marítimo (OEM) nacional, como preconizado, vai ao encontro dos objectivos inscritos na lei, incluindo o seu objectivo último de contribuir para o desenvolvimento sustentável do país”.

Para identificar os indicadores, no âmbito de um projecto de doutoramento de Maria Adelaide Ferreira, foi promovido pelo CICS da UNL e pelo Center for Environmental and Sustainability Research da FCT-UNL um workshop no dia 26 de Março, com 17 especialistas (8 da administração pública, 7 académicos e dois representantes de ONGs), distribuídos por três grupos de trabalho, e aos quais foram apresentadas três questões às quais tiveram que dar resposta:

  • como é que o OEM contribui para o desenvolvimento do país?
  • como deveria ser um espaço marítimo nacional correctamente ordenado?
  • daqui por 10 anos, como vê o OEM nacional?

Num primeiro momento foram identificados 65 indicadores, que passaram a 37 e finalmente a 15.

Ontem, Miguel Sequeira reconheceu que este trabalho “será um instrumento importante e uma boa base para a DGRM”, que participa no desenvolvimento do Plano de Situação. Embora tenha admitido alguns destes 15 indicadores “terão que ser aprofundados”, considerou-os fundamentais e acrescentou que a DGRM não deixará de atender também aos 65 originais, eventualmente repescando alguns. Relativamente a um deles, a receita e destino (afectação) da Taxa de Utilização do Espaço Marítimo e da Taxa de Recursos Hídricos, o responsável admitiu que a ideia de o ter como indicador “faz sentido”, mas que dificilmente se manteria. Manuel Ara de Oliveira, por seu lado, admitiu que se revê nos indicadores, mas fez comentários a propósito de alguns deles. E Gilberto Correia, que falou a título pessoal, considerou que o “estudo procura ser útil”, mas apresenta “uma visão burocrática dos indicadores”, recordando a presença de 8 elementos da administração pública no workshop. E, mais do que ao estudo fez uma crítica a três dos objectivos previstos na lei. Objectivos que, no entanto, serviram de enquadramento aos 15 indicadores apresentados ontem.

Numa consulta ao estudo, confrontados com a lei sobre o OEM nacional em vigor e com as três questões levantadas por Maria Adelaide Ferreira, verificamos que os 17 especialistas concluíram que o OEM, “se bem conduzido, pode contribuir para o desenvolvimento sustentável do país através da promoção de um desenvolvimento económico equilibrado, garantindo a articulação e gestão de conflitos entre actividades, usos e funções e promovendo o bom estado ecológico e ambiental”. Concluíram também que “um espaço marítimo nacional correctamente ordenado deve garantir um acesso generalizado e equitativo, com uma gestão assente no conhecimento e baseada nos princípios da precaução, transparência, participação, integração (nomeadamente mar-terra), responsabilidade, equitabilidade, gestão adaptativa e ecossistémica” Já sobre a forma como imaginam o OEM nacional daqui a 10 anos, as opiniões foram variadas, “para uns estando melhor, para outros não estando muito diferente do presente, para outros ainda estando pior”.



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