Dezenas de migrantes e requerentes de asilo a bordo do navio ro-ro Niven, de pavilhão panamiano, foram forçados a desembarcar no porto de Mistrata, na Líbia, no passado dia 20 de Novembro, por forças de segurança líbias, referiram vários meios de comunicação internacionais.
De acordo com os mesmos meios de comunicação, seguindo orientações das autoridades marítimas italianas, o navio terá resgatado 95 pessoas de uma embarcação que se afundava em águas internacionais junto à costa líbia, em 7 de Novembro, e ancorado no porto de Mistrata no dia 10 de Novembro. Segundo as Nações Unidas, seriam da Etiópia, Eritreia, Sudão do Sul, Bangladesh, Paquistão e Somália.
Os números de pessoas resgatados divergem, mas pensa-se que alguns terão deixado o navio de livre vontade, ao contrário da maioria (79 pessoas, de acordo com as Nações Unidas e a Human Rights Watch), que terá recusado abandonar o navio durante 10 dias com medo de ser enviada para campos de detenção.
Os relatos na imprensa referem que as forças líbias terão usado balas de borracha e gás lacrimogénio numa operação para forçar os 79 migrantes a desembarcar, causando ferimentos em alguns, o que foi lamentado pelas Nações Unidas, que terá tentado sem êxito encontrar uma solução pacífica para a situação.
A publicação Safety4Sea cita a Reuters, que terá conversado com um oficial da Guarda Costeira líbia, Tawfiq Esskair, de acordo com o qual algumas pessoas terão ficado feridas no desembarque, mas estariam em boas condições depiois de terem sido assistidas num hospital, e que todos foram enviados para um centro de detenção no centro da cidade.
O World Maritime News citou as Nações Unidas, que terão referido que “a comunidade humanitária apela a alternativas à implementação da detenção na Líbia e à transferência de indivíduos desembarcados para locais de acolhimento adequados” e apelado ao apoio adequado a todo o grupo, independentemente das suas circunstâncias e necessidades.
O mesmo jornal refere que a Human Rights Watch terá realizado no Verão deste ano uma investigação em centros de detenção líbios em áreas controladas pelo Governo do Acordo Nacional, apoiado pelas Nações Unidas. E terá recebido relatos de requerentes de asilo e migrantes de que tinham sido abusados e maltratados pelas autoridades locais, membros de grupos armados e traficantes. Acusações que vão desde agressões, trabalho forçado, extorsão, abuso sexual e condições desumanas de detenção.
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