A alegada sabotagem a petroleiros sauditas, da Noruega e dos Emirados Árabes Unidos em Fujeira já foi atribuída ao Irão, que negou envolvimento, justificou um reforço militar dos Estados Unidos na região e fará subir o risco e o custo do transporte marítimo na região
Fujeira
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O mais recente episódio indutor de tensão política e militar no Golfo Pérsico ocorreu no último Domingo e foi uma alegada sabotagem de quatro petroleiros ao largo de Fujeira, um dos sete Emirados Árabes Unidos (EAU), no Golfo de Omã, amplamente divulgada por meios de comunicação de todo o mundo. Embora não tenham sido fornecidos detalhes sobre o acto, não terão existido vítimas nem derrames de combustível, apesar de alguns danos materiais.

Os navios foram o Amjad (300 mil toneladas de porte bruto, ou dwt), o Al Marzoqah (105.200 dwt), o Andrea Victory e o A Michel. Os dois primeiros com pavilhão saudita, sofreram danos significativos no caso, junto à linha de água, depois de terem sido alvejados. O terceiro, com pavilhão norueguês, e o último, com bandeira dos EAU, sofreram danos no casco da popa. Os quatro iam a caminho do Golfo Arábico, sendo que um deles ia ser carregado com petróleo saudita no porto de Ras Tanura para ser entregue a clientes da Saudi Aramco nos Estados Unidos.

Segundo a imprensa internacional, o ministro saudita da energia terá considerado que este acto visou prejudicar a liberdade de navegação marítima e o abastecimento petrolífero aos consumidores de todo o mundo, mas que não afectou as operações no porto de Fujeira, que as manteve sem interrupções. Até porque é um porto estrategicamente importante, quer como plataforma de abastecimento, quer pela sua localização voltada para o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e o Irão ameaçou bloquear.

Face às suspeitas que de imediato se levantaram sobre o Irão, Teerão já lamentou o incidente e negou qualquer envolvimento no caso, sugerindo, todavia, que pode ter sido resultado de uma conspiração para causar insegurança na região, já naturalmente sensível e a atravessar uma fase de tensão.

De acordo com Heshmatollah Falahatpisheh, presidente de um comité parlamentar iraniano de segurança nacional, citado na imprensa internacional, “as explosões no porto de Fujeira podem ter sido provocadas por sabotadores de um terceiro país que procure desestabilizar a região”. Este responsável, segundo alguns meios de informação, terá sido o único a descrever o incidente como uma série de explosões, e outras fontes terão referido que o Andrea Victory foi atingido por um objecto desconhecido.

À semelhança da Arábia Saudita e dos EAU, o Departamento de Energia dos Estados Unidos classificou o incidente como tentativa de perturbar o abastecimento petrolífero. O Governo norte-americano admitiu estar a monitorizar os mercados petrolíferos e confiança de que permanecerão bem abastecidos.

Entretanto, os Estados Unidos reforçaram a sua presença naquela região, enviando o porta-aviões USS Abraham Lincoln e a sua frota de apoio, bem como bombardeiros B-52 para a zona.

Na Quinta-feira, a Administração Marítima dos Estados Unidos (MARAD) já tinha alertado para a possibilidade de o Irão e seus mandatários regionais desencadearem acções contra os interesses norte-americanos e dos seus aliados, incluindo ataques a refinarias, petroleiros ou mesmo navios militares, na sequência da ameaça de Teerão de bloquear o Estreito de Ormuz, por onde circula um terço do comércio marítimo mundial de petróleo.

Recorde-se que este recente aumento de tensão no Golfo Pérsico surge na sequência das sanções económicas impostas por Washington a Teerão e diversas empresas e Estados que façam comércio com o Irão, visando enfraquecer a economia daquele país. Sanções que decorrem da saída dos Estados Unidos do Plano de Acção Conjunto Global, o acordo internacional sobre o programa nuclear do Irão do qual Washington se desvinculou durante a Administração Trump, e que recentemente terá levado ao endurecimento de posições de ambos os países.

O incidente com os petroleiros teve também outro efeito. O UK War Risks Club, gerido pela seguradora Thomas Miller, especializada em seguros marítimos e seguros de guerra e outros conflitos armados, está a investigar o caso e pondera implementar prémios adicionais para navios que se dirijam àquela região. Isto porque o caso coloca de imediato questões de segurança aos navios, o que eleva o grau de risco assumido por aqueles que para ali se deslocam e o custo do transporte marítimo de e para região.



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