Um inquérito promovido por uma federação de sindicatos de marítimos concluiu que os profissionais do mar receiam que os navios não tripulados gerem perdas de postos de trabalho a bordo. O tema foi debatido num seminário, onde se discutiu também o impacto desses navios nas condições de trabalho dos marinheiros e na segurança a bordo
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Um inquérito da Nautilus Federation, uma federação de sindicatos de marítimos, concluiu que 83% dos marinheiros profissionais consideram a automatização uma ameaça aos seus empregos, 85% encaram-na como uma ameaça à segurança e 80% acreditam que exigirá mudanças radicais na formação e certificação, refere o World Maritime News. Ali se concluiu também que um número significativo de marítimos reconheciam o potencial da automatização para melhorar as suas condições de trabalho ou o seu desempenho.

Estas conclusões resultaram de um inquérito a quase 90 marítimos do Reino Unido, Holanda, Estados Unidos, Dinamarca, Noruega, Suécia, Austrália e Nova Zelândia, e foram apresentadas num seminário sobre automatização no transporte marítimo promovido pela delegação do Reino Unido da federação.

Segundo o jornal, no encontro, Grat Hunter, da BIMCO, organização que reúne armadores e operadores de transporte marítimo, terá considerado que poderá demorar mais de uma década a rever convenções como a SOLAS (Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar) e a STCW (International Convention on Standards of Training, Certification and Watchkeeping for Seafarers) ou os regulamentos sobre prevenção de colisões, actualmente pouco adaptados ao fenómeno da automatização dos navios.

No mesmo seminário, Mike Barnett, professor emérito da Southampton Solent University, previu que onde houver marinheiros a bordo, eles serão altamente treinados e especializados, mas admitiu que a automatização coloca importantes questões sobre as alterações que implicará no relacionamento dos marinheiros a bordo. E admitiu impactos fortes na saúde mental de tripulações pequenas em serviço por longos períodos, que poderão requerer mecanismos de monitorização, capazes de transmitir informação sensorial sobre variáveis físicas e mentais dos tripulantes.

Por outro lado, David Appleton, da federação, terá considerado difícil encontrar uma lógica financeira nos navios autónomos, quando os custos de tripulação são baixos. Mas sublinhou que o transporte marítimo deve estar atento ao modo como a aviação melhorou a sua segurança graças à introdução de sistemas automatizados. Sem prejuízo dos riscos inerentes ao fenómeno, como a degradação das competências essenciais, o efeito de temor em caso de falha dos sistemas, a diminuição da percepção situacional ou a fadiga de alerta.



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