Manuel Castelo Branco permanece empenhado na formalização da Escola do Mar, uma nova instituição dedicada aos saberes relacionados com o mar, a constituir na Figueira da Foz no âmbito do ISCAC/Coimbra Business School
Porto de Tibar

Está em fase de conclusão o registo de denominação da Escola do Mar, que nascerá na Figueira da Foz como projecto transdisciplinar, visando, “além das questões associadas à economia do mar”, acolher “todos os saberes, académicos e não académicos, ligados ao mar – História Marítima, Literatura e Cinema do Mar, Antropologia e Sociologia do Mar, Tecnologias do Mar”, explicou-nos Manuel Castelo Branco, um dos responsáveis pela iniciativa.

“Em termos próprios”, a Escola do Mar será “um departamento/pólo da Escola de Negócios de Coimbra na Figueira da Foz, não carecendo, pois, de registo autónomo”, esclareceu-nos o mesmo responsável, referindo-se ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC)/Coimbra Business School (Escola de Negócios), de que é presidente. Algo semelhante aos departamentos/pólos da sua Formação Executiva que a Coimbra Business School está a instalar em Lisboa e Porto. Recorde-se que o ISCAC/Coimbra Business School  pertence ao Instituto Politécnico de Coimbra.

Face ao facto de em Coimbra o ISCAC/Coimbra Business School já oferecer um Mestrado e uma Pós-Graduação em Gestão do Mar e ter vindo a ministrar “cursos breves de especialização em matéria de fileira alimentar do mar e de desportos e turismo náutico”, Manuel Castelo Branco admite que “ainda que de modo informal, a Escola do Mar, na verdade, já existe”. “A novidade, agora, é a sua alocação a um espaço físico permanente, por um lado, e a sua institucionalização, por outro: a Escola do Mar será uma Escola de e com todos os nossos partners na Figueira da Foz, pela constituição de um consórcio nesse sentido”, acrescenta.

O espaço físico a que se refere é a Casa dos Pescadores de Buarcos, “ao abrigo do acordo de parceria que o ISCAC/Coimbra Business School outorgou com a Misericórdia – Obra da Figueira, proprietária do local”. Como é necessária uma adaptação do espaço, será realizado um investimento inicial de 60 mil euros, “integralmente suportado pela Escola”, refere Manuel Castelo Branco. “As demais despesas de funcionamento serão cobertas – desejamo-lo – pelas receitas próprias das actividades da própria Escola do Mar”, acrescenta.

Questionado sobre quantos alunos aguarda para a Escola do Mar, Manuel Castelo Branco refere “muitos”, argumentando com o exemplo da Coimbra Business School, em cuja Formação Executiva, “entre MBA’s e PG’s clássicos, e cursos breves de MBA” terão passado mais de mil alunos no último ano. Inicialmente pensada para leccionar o novo Mestrado em Gestão do Mar e a Pós-Graduação em Gestão do Mar, “em íntima ligação com esse Mestrado”, a Escola do Mar destina-se essencialmente a “profissionais já inseridos na economia do mar e que querem aumentar (ou reavivar) os seus conhecimentos e valências”, bem como a “todos os empreendedores que querem investir na economia do mar, motivados pelas oportunidades de negócio que o sector possibilita”, refere.

Mas este responsável tem noção da realidade. “Apesar de a economia azul ser moda no discurso não o é ainda na procura formativa nem no empreendedorismo real, ademais”, o que considera ser “um problema sério que muito reflecte a desqualificação simbólica e social que as actividades económicas ligadas ao mar sofreram nas últimas décadas”. Entende igualmente que “não há oferta formativa alargada em matéria de economia do mar”, que “não há ainda procura substancial e relevante dessa oferta; não há, ainda, o desejável, e inevitável, acreditamo-lo, crescimento da economia azul”.

Um crescimento inevitável, considera, porquanto “num país como Portugal, o mar, além de memória histórica e referencial poético, tem de ser, vai ser um destino de desenvolvimento económico”, relativamente ao qual a Escola do Mar estará preparada para servir de “lastro e alavanca”, acredita, convencido da bondade e utilidade desta aposta, que saberá ser paciente.

Em Agosto, o mesmo responsável adiantara ao Diário «As Beiras» que esperava ter a Escola do Mar a leccionar, no próximo ano lectivo, pelo menos, uma pós-graduação e um mestrado em Gestão do Mar. Dizia também que até então os cursos ainda não tinham as inscrições desejáveis.

Em termos curriculares, Manuel Castelo Branco refere que “a Escola ministrará, primacialmente, MBA’s, Pós – Graduações e cursos breves ligados à economia e gestão do mar”, sublinhando que “potencialmente, e em função da procura e do interesse efectivo, toda a demais oferta formativa executiva da Coimbra Business School nas plúrimas áreas das ciências empresariais poderá ser oferecida na Figueira da Foz – à semelhança do que já acontece em Lisboa e no Porto”.

“No Mestrado em Gestão do Mar, em termos gerais, serão abordadas três grandes áreas do conhecimento: Gestão, Economia e Direito”, referiu-nos, destacando “a unidade curricular de Sustentabilidade dos Recursos Marinhos, já que é de suma importância os (futuros) alunos entenderem que os recursos marinhos são finitos e que tal pode afetar a actividade económica”.

“Na Pós-Graduação em Gestão e Economia do Mar, em termos gerais, serão abordadas as mesmas três áreas do conhecimento: Gestão, Economia e Direito, muito embora os módulos divirjam das unidades curriculares do Mestrado”, destacando aqui “o módulo Tecnologias de Informação na Economia do Mar, sem correspondência a nenhuma unidade curricular do mestrado”.

Para ministrar o Mestrado e a Pós-Graduação, a Escola do Mar contará com “13 docentes, em ambos os casos”, refere.

Considerando que o ISCAC/Coimbra Business School “é, porventura, a instituição portuguesa de ensino superior com a maior rede de parcerias externas”, que funciona “lado a lado com os parceiros no desenho e concepção da nossa oferta formativa”, Manuel Castelo Branco entende, porém, que a Escola do Mar não é apenas do ISCAC, motivo pelo qual foram chamados “todos os parceiros relevantes da Figueira da Foz” para integrar o consórcio que a institucionalizará.

Nesse sentido, quando questionado sobre se a Escola do Mar estabelecerá alguma relação com o já falado hub para a Qualificação e Formação para a Construção, Reparação Naval & Gestão Portuária na Figueira da Foz, a formar entre o Instituto Superior da Qualidade (ISQ), a Universidade de Coimbra, a empresa de recursos humanos Quasar e a construtora naval  Atlantic Eagle Shipbuilding, Manuel Castelo Branco manifestou abertura para “todas as parcerias relevantes e com sentido para o projecto da Escola do Mar”.



2 comentários em “Escola do Mar em vias de concluir institucionalização”

  1. Christina Bassani diz:

    Uma ótima oportunidade para a gestão dos usos do mar é buscar inplantar cursos que permitam oferecer práticas para este fim. É importante também inserir a interdisciplinaridade para que a coversa seja entre todos os interessados, a fim de agregar valores imprescindíveis para a melhor gestão marinha.

  2. Por muito que se fale que o mar está na moda, que o mar é o nosso futuro, isso só vai acontecer quando se incluir o gosto pelas atividades náuticas no ensino básico e complementar através de uma opção livre e democrática.

    Uma grande percentagem dos velejadores de cruzeiro ainda hoje inscritos na Associação Nacional de Cruzeiros(ANC) que sucedeu à Associação De Pequenos veleiros de Cruzeiro (APVC) aprendeu a velejar nos Centros de Vela Da Mocidade Portuguesa espalhados pelo país, onde qualquer criança que frequentasse a escola, liceu ou andasse já a trabalhar como aprendiz, se podia inscrever gratuitamente para aprender a velejar.

    Esses Centros só por estarem estupidamente comutados com o anterior regime desapareceram e não foram substituídos, e hoje só aprendem a velejar as crianças cujos pais podem pagar os preços de mercado elevados, pedidos pelas Escolas de Vela privadas.

    Só quando voltarmos a “meter” o mar nos currículos escolares básicos, poderemos aspirar a motivar as verdadeiras vocações náuticas dos nossos jovens independentemente do estrato social onde estão inseridas.

    Felizmente há já algumas autarquias com uma visão correta do problema, que tomaram essa iniciativa independentemente do poder central. Mas tarda uma estratégia global para aproveitar de uma maneira eficaz todas as vocações náuticas dos nossos jovens, provenientes das nossas virtudes ancestrais.

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