Este ano a regata Discoveries Race terá, pelo menos, mais oito embarcações a competir. O Coordenador do Capítulo de Lisboa, António Bossa Dionísio, conta todos os pormenores ao Jornal da Economia do Mar.
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Uma quantidade de milhas, mar e mais mar, e tudo enaltecendo os descobridores e com o objectivo de unir nações. Numa linha resume-se a II Regata Discoveries Race –  2019, a regata que partirá de Viana do Castelo, a 31 de Julho, mais 192 milhas náuticas (no máximo em 44 horas, a 4,4 nós) estará em Cascais, para posteriormente fazer mais 528 milhas (118 horas, 4 dias e 22 horas, no máximo) para partir do Funchal, para 284 milhas (no limite em 64 horas – 2 dias e 16 horas) depois, chegar, por fim, a Las Palmas de Gran Canaria. 

Literalmente de “vento em popa”, esta segunda edição da regata que em 2017 contou com seis embarcações, previa-se contar com 20 embarcações. As inscrições terminaram este Domingo, e oficialmente inscritas estão 14, seis na classe open: o Polar (com 26,75 metros e 17 tripulantes), o Zarco (com 22,56 metros e 11 tripulantes), e o Oceania Dos (com 19,93 metros e seis tripulantes), que farão as três provas, o Anixa II (com 11,49 metros e cinco tripulantes) que fará a primeira e a segunda, e os restantes: o Nautilus (16,4 metros e seis tripulantes), o Trasto VI (com 15 metros e seis tripulantes) farão apenas uma prova; e oito na classe ORC: o Isla de Lobos (com 14,63 metros e oito tripulantes), o Stella Polare (com 21,50 metros e 16 tripulantes), o São Gabriel (com 12,34 metros e três tripulantes), o Salseiro (com 13,70 metros e cinco tripulantes), o Papoa (com 10,94 metros e seis tripulantes), o Capa (com 10 metros e cinco tripulantes), o Proteína Sesentaycinco (com 13,99 metros e quatro tripulantes) que fará as três etapas, bem como o Swing (com 14,88 metros e sete tripulantes).

A classe ORC, consagrada pela World Sailing, é a classe verdadeiramente competitiva, explica António Bossa Dionísio, Coordenador do Capítulo de Lisboa (parte centro e sul de Portugal) entrevistado pelo Jornal da Economia do Mar. Já a classe OPEN, aberta a qualquer embarcação que, independentemente das características, queira fazer a prova, é um pouco mais para quem de facto participa por gosto. 

“Na primeira regata conseguimos apenas seis inscrições – dois da marinha portuguesa, um da armada espanhola e os três particulares com ligações a clubes”, mas desta vez, a esperança era que o número de participantes aumentasse – e foi conseguido. Apesar de não se terem conseguido inscrever todas as embarcações previstas, nomeadamente– o Mayco, o Dream, o Meneses, o Tortuga, o Latitud 28 e o Alzenit, nesta regata estima-se que participem entre 80 e 100 pessoas.

Desta vez, para potenciar a participação de mais regatistas, “entendemos que deveríamos largar de Viana do Castelo, que é uma cidade muito ligada ao mar, tem uma série de núcleos da Náutica de Recreio e o presidente tem sido fantástico”, conta António Bossa Dionísio. Sendo que a organização procurou, junto dos municípios, obter um programa social, o que conseguiu, principalmente em Viana do Castelo e na Madeira. 

“Há um trofeu para quem faz a regata completa em menos tempo que se chama Trofeu Fernão de Magalhães – gentileza da família Fernão de Magalhães que tem um descendente que é confrade – Manuel Vilas Boas que quis atribuir à regata um trofeu principal. Esse trofeu é um trofeu perpétuo – permanece no clube Naval de Cascais, no qual é associado, inscreve-se uma chapa com o nome do barco vencedor, e ao skipper do barco é atribuído algo como uma salva de prata”, explica. 

“Porque se trata de uma prova Atlântica, para garantir a segurança estabelecemos que o comprimento mínimo dos barcos é de 30 pés, 9,15 metros de comprimento. Temos uma grande preocupação de segurança. Do local onde os barcos partem (em todas as paragens) serão observados e inspecionados por uma equipa que irá verificar se têm todo o apetrechamento necessário. E a comissão organizadora sabe a localização exacta de todas as embarcações. Terão telefone satélite, há possibilidade de comunicação”, explica o coordenador. 

Cofradía Europea de la Vela – a impulsionadora

Apesar do nome (que se prevê manter), a Confraria Europeia de Vela (CEV), “cuja finalidade primordial é a defesa da tradição e o fomento da vela assim como o desenvolvimento da cultura marítima e o conhecimento do mar”, segundo o Presidente da entidade, Francisco Quiroga Martínez, já não é só europeia. Já tem um conjunto de confrades pelo mundo (600 membros de 32 países), entre eles Angola, Moçambique, Argentina, Uruguai, Brasil, China, tem vindo a crescer. E o Presidente quer ainda levar a CEV aos Países Bálticos e outros países da América. 

Mas como CEV continua a impulsionar esta regata, organizada oficialmente pelos clubes náuticos – Clube de Vela de Viana Do Castelo (Cvvc), Clube Naval de Cascais (Cnc), Associação Regional de Vela da Madeira (Arvm), Real Club Nautico De Las Palmas De Gran Canaria (Rcngc) – que tem um investimento não inferior a 40 mil euros, sendo que não terá retorno algum, uma vez que as despesas são bastantes. Este ano foi inclusivamente contratada uma equipa, de cinco pessoas, que trabalhará imagem, som e texto para lançar o evento nos meios de comunicação social. 

Para a sustentabilidade também há uma resposta. O ano passado idealizou-se um concurso de fotografia durante o percurso, que demonstrasse a fragilidade da natureza. Este ano também já há um pedido da Universidade de Vigo, ainda por averiguar, para ter cientistas embarcados a fazer recolha e análises de água. 

Ainda assim, um dos impulsionadores desta regata, conclui que hoje em dia as pessoas gostam do prazer de velejar – mais do que participar em regatas. Mas conta com 2021, que mediante uma boa divulgação porá “novamente de pé” a regata, continuando a homenagear os dois principais países descobridores (motivo da denominação da regata) e prosseguindo tradição de unir mares com ventos, entre culturas diferentes.



Um comentário em “A II Regata Discoveries Race 2019 já conta com 14 embarcações inscritas”

  1. fernando ferreira mendes diz:

    Parabens pela iniciativa.
    Bons ventos para esta regata.
    Espero poder estar na de 2021!

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