Ana Filipa Sobral é a “matriarca” e foi recentemente premiada com o prémio Terres de Femmes por se dedicar à proteccção de espécies, nomeadamente a jamanta.
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A bióloga marinha Ana Filipa Sobral ficou em segundo lugar na décima edição do prémio Terre de Femmes, promovido pela fundação Yves Rocher, o que lhe valeu cinco mil euros, graças ao seu projecto Manta Catalog Azores, criado em 2012 e que é uma base de dados que visa aumentar o conhecimento sobre as jamantas, tendo já permitido desvendar alguns comportamentos dos animais.

O prémio, que distingue projectos a favor do ambiente com assinatura feminina, serve agora não só para promover a causa como para comprar material e deslocações para acções de sensibilização e divulgação, explicou Ana Filipa Sobral ao PÚBLICO.

Mas Ana Filipa Sobral já sonhava ser bióloga marinha desde os cinco anos, dedicando-se a estas causas, pelo menos, desde 2010, ano em que decidiu abraçar o desafio de se lançar em voluntariado para Moçambique, num programa centrado no estudo dos tubarões-baleia. Foi aí que se reencontrou com as jamantas, que iriam mudar a sua vida.

“Quando voltei de Moçambique vim fascinada por estes animais, não só por serem tão misteriosos, mas também porque a interacção com eles é especial, são extremamente curiosos e graciosos, daí serem espécies tão carismáticas. No entanto, muito pouco se sabe ainda sobre elas. Quando em 2012 fui para os Açores para iniciar o meu Mestrado [Estudos Integrados dos Oceano na Universidade dos Açores, cuja tema da tese é: Biologia, Ecologia e Conservação de Mobulídeos] percebi que na região ocorriam agregações de uma espécie de jamanta, e assim surgiu o projecto”, confessa ao Jornal da Economia do Mar.

A base de dados é constituída por investigação baseada em fotografias e informações cedidas por mergulhadores e centros de mergulho. Até agora, segundo dados citados pelo PÚBLICO, entre 2012 e 2017, contam-se dois mil mergulhos, cerca de cinco mil fotografias, 62 horas de vídeo (captadas entre 1990 e 2018).

O próximo passo? Consciencializar a população mais jovem e aumentar o campo de acções de sensibilização nas escolas, desenvolvendo iniciativas de educação com entidades locais e nacionais para promover a investigação e conservação de jamantas, bem como o turismo sustentável. E terminou reconhecendo três instituições com as quais se identifica neste sentido: Manta Trust, Save our Seas Foundation, Marine Megafauna Foundation

 

 

Fotografia: Tane Sinclair-Taylor

 



Um comentário em “Jamantas: a espécie sensível que agora tem “matriarca””

  1. Antonio diz:

    Prêmio merecido pelo imenso trabalho dedicado a estes graciosos animais!

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