Competição nacional, com 10 milhões de euros de retorno em media, serve para catapultar jovens talentos
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Hoje o surf move multidões. Não só porque as pessoas redescobriram o prazer de estar no mar como é, actualmente, um dos desportos da moda. A própria noção do surfista mudou. A prova é que hoje qualquer pessoa pode surfar. É frequente ver executivos a despirem o seu fato e a entrarem na água. Ou crianças que começam a praticar a modalidade desde cedo.

Estas mudanças trazem impactos económicos. Escolas de surf que surgem, lojas com artigos específicos para a prática da modalidade.. e competições. Mais praticantes significa mais atletas. Não é, por isso, de admirar que competições como a Liga Moche, que vai na sexta edição, despertem cada vez mais atenção.

As marcas e as autarquias já se aperceberam do potencial deste tipo de eventos. E a prova esta no apoio dado.

Mais investimento significa melhores condições, o que traz mais atletas, o que implica mais publico, o que acarreta uma maior (e com mais impacto) divulgação..  e de repetente ninguém quer ficar de fora.

Em Portugal não há estudos fiáveis e actuais sobre o valor do surf para a economia. Em 2012 Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS) realizou um estudo que tentou avaliar esse valor. Chegou ao número “mágico” de 400 milhões de euros anuais. O número tem por base a soma de três factores: a própria indústria do surf e que inclui desde as empresas que trabalham na área a eventos que se realizam um pouco por todo o país; os turistas que visitam Portugal para praticar a modalidade; e por fim o contributo das várias centenas de milhar de surfistas residentes em Portugal.

2009 foi, segundo Francisco Rodrigues, um virar de página para o surf nacional. Foi nesse ano que Peniche recebeu o Rip Curl Pro Search, a única etapa móvel do circuito mundial de surf WCT. Uma competição onde só estão os melhores dos melhores. 45 surfistas a lutar pelo título de melhor do mundo. E foi a partir dessa data que Portugal entrou, definitivamente, na rota dos locais a surfar. O mundo tinha descoberto a beleza das ondas nacionais.

A partir daí foi “sempre a subir”. A modalidade ganhou adeptos, começaram a surgir novos negócios, o turismo apercebeu-se que havia uma oportunidade (a melhor época do surf ocorre na chamada época baixa) e as competições ganharam novo fôlego.

Em 2012 a Liga Moche, dedicada à competição interna do surf, mudou e obteve mais destaque. Criou programas dedicados aos melhores surfistas, beneficiou de comunicação externa e criou prémios monetário (excelente ajuda para os atletas que não têm patrocínios ou que estes são insuficientes). A isto juntou-se todo um conjunto de atletas que apoiou a Liga e optou por participar na mesma. Afinal, quantos mais e melhores atletas maior a divulgação da competição.

Todas estas mudanças deram frutos. Como lembra Francisco Rodrigues, em 2014 a Liga Moche foi considerada o melhor circuito nacional do mundo. Para o presidente da Associação Nacional de Surfistas o papel dos patrocinadores tem sido determinante. Porque o apoio dado não foi exclusivamente a entrega de um valor monetário. Há uma verdadeira entrega e participação, com a criação de acções especificas. A Allianz, por exemplo, relembra, usou os valores do mar para fazer o rebranding da marca. Inclusivamente uma das etapas tem o nome da seguradora: Allianz Caparica Pro.

A Liga Moche é importante essencialmente na divulgação de novos talentos. É, para Francisco Rodrigues, uma oportunidade de competirem com profissionais e de se mostrarem ao mundo. Sendo uma competição nacional é normal que os participantes sejam (quase) exclusivamente portugueses. No entanto é uma competição que já começa a despertar a atenção dos media. Com um orçamento directo de apenas 300 mil euros tem obtido um retorno (em termos de divulgação nos meios de comunicação social) no valor de mais de 10 milhões de euros. Sendo que, segundo o presidente da Associação Nacional de Surfistas, este valor tem sido consistente ao longo do tempo. E, ao contrário de outros desportos este é um que tem crescido tendo por base o sector privado. E apenas ele. Sendo que, afirma Francisco Rodrigues, a Moche e o Meo são as marcas que mais têm investido no surf.

E isto acontece porque “Portugal é o melhor país para a prática do surf”, afirma convicto Francisco Rodrigues.



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