França, o tema em grande destaque no número de Abril do Jornal da Economia do Mar, é uma potência marítima em gestação. Vale a pena perceber porquê.

Potência Continental por tradição, a França nunca se afirmou como a Potência Marítima que poderia ter sido. No entanto, e ainda hoje, em muitos aspectos, continua na vanguarda tecnológica na área da economia do mar.

De facto, com a segunda maior área marítima do mundo, a França faz hoje parte dos países com uma visão oceânica global e o conjunto de competências científicas, técnicas e industriais ligadas à economia do mar colocam as suas empresas num lugar cimeiro a nível mundial. Possui a segunda maior Armada europeia, logo a seguir ao Reino Unido, onde se inclui um Porta-Aviões e 3 Porta-Helicópteros, 4 Submarinos Nucleares Lança Mísseis mais 3 Submarinos Nucleares de Ataque, 8 Destroyers Lança Misseis e 8 Fragatas/Corvetas Lança Mísseis, para além de múltiplos outros sistemas e ainda com 211 aeronaves de vários categorias. A CMA CGM é o terceiro mais transportador de contentores do mundo, logo a seguir á MAERSK e à MSC, conta igualmente com a maior empresa do mundo de Serviços Offshore, a Bourbon, uma das maiores, senão mesmo a maior empresa na área Sísmica, a CGG, com uma frota de 14 navios, a segunda ,maior empresa do mundo de Cabos Submarinos, a Alda Marine, além de se encontrar hoje igualmente na vanguarda do desenvolvimento de novas plataformas nas área das Energias Renováveis Marinhas e, apesar da frota ter sido reduzida a metade nos últimos 25 anos, mesmo numa Europa dominada pela Noruega e Espanha, também aí não fazem absoluta má figura, tudo isto representando em 2013, juntando ainda a construção naval militar, civil, em particular Cruzeiros, e alguma outra de nicho e mais especializada, um volume de negócios, excluindo o sector do turismo, na ordem dos 65 mil milhões de euros com 304 000 empregos, superior ao da Banca (203 900) e mesmo ao da indústria automóvel (224 000). E no entanto, como Potência Continental que também é, a sua fragilidade vê-se noutros aspectos.

Vale a pena ler as entrevistas do Embaixador de França em Portugal, Jean François Blarel e de Hugues du Plessis D’Argentré, Director-Geral do GICAN, Groupement des Industries de Construction et Activités Navales para melhor compreendermos essa realidade que, não raras vezes, nos escapa.



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