Ao diminuírem a capacidade dos fungos para decomporem as folhas que caem nos rios, os nanoplásticos interferem com as funções ecológicas dos ecossistemas de água doce
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Os nanoplásticos também têm um impacto negativo nos ecossistemas dos rios, conforme concluiu um estudo recente de cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) já publicado na revista científica «Fungal Ecology».

Segundo esclareceu a FCTUC em comunicado, a importância deste trabalho, “financiado pelo projecto estratégico do MARE”, decorre do facto de “apesar da maioria dos estudos sobre as consequências do plástico no ecossistema se debruçar nos sistemas marinhos, os rios são a principal fonte de plásticos dos oceanos”.

Diz a FCTUC que ficou demonstrado que os “nanoplásticos diminuem a capacidade dos fungos para decompor as folhas”, assim interferindo “com funções ecológicas nos ecossistemas aquáticos”. Isto porque no processo de decomposição das folhas pelos fungos, libertam-se substâncias para digerir as folhas que as tornam apetecíveis para consumidores invertebrados, os quais servirão de alimento a predadores como ninfas de libélula e peixes, dinamizando as relações tróficas.

“Nas experiências realizadas em laboratório, com fungos isolados de ribeiros suíços e folhas colhidas no Parque Verde de Coimbra, na margem do rio Mondego, os investigadores verificaram que a exposição a plásticos de tamanho nanométrico (100nm e até ~100mg/L) compromete a actividade dos fungos, ou seja, interfere na sua capacidade de decompor as folhas”, um processo “considerado um indicador crucial para avaliar a função e a qualidade dos sistemas de água doce”, refere a FCTUC.

Apesar desta conclusão, e como “diferentes fungos diferem na sua sensibilidade, continua por desvendar o que aconteceria num sistema natural de multiespécies”, refere Seena Sahavedan, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da FCTUC e primeira autora do artigo científico publicado. Pelo quea equipa pretende desenvolver estudos mais alargados para perceber quais as respostas das diferentes espécies de organismos”, esclarece a FCTUC.

“Se as espécies tolerantes que permanecem forem funcionalmente capazes de substituir as menos tolerantes, então a função ecológica global (decomposição de resíduos) poderá manter-se inalterável mesmo em locais com elevadas concentrações de nanoplásticos”, considera Seena Sahavedan, acrescentando que o trabalho agora publicado “aponta para a potencial importância de uma alta diversidade de fungos nas correntes de água doce e sugere que tais sistemas serão mais resilientes quando confrontados com a poluição produzida pelos plásticos”.

 



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