O Japão tenciona retomar a pesca comercial da baleia a partir de Julho do próximo ano e abandonar a Comissão Baleeira Internacional, insatisfeito com o rumo da organização relativamente às medidas preventivas da sustentabilidade da espécie
Internatinal Whailing Comission
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Vários meios de informação internacionais deram ontem nota do anúncio do Governo japonês de retomar a pesca comercial da baleia a partir de Julho do próximo ano, juntando-se à Islândia e à Noruega, os dois únicos países que praticam esta actividade com fins comerciais.

No mesmo anúncio, o Governo nipónico terá manifestado intenção de abandonar a Comissão Baleeira Internacional (CBI), uma organização internacional de 89 membros que trabalha em prol da conservação das baleias. Uma saída que requer uma notificação à organização até ao final do ano, se o Japão pretender abandonar a CBI até ao fim de Junho do próximo ano para retomar a pesca comercial da baleia no mês seguinte, conforme terá anunciado.

De acordo com o anúncio, o Japão terá assumido não caçar baleias em águas antárcticas ou no hemisfério sul, limitando-se às suas águas territoriais e Zona Económica Exclusiva. Todavia, nem isso livrou Tóquio de reacções críticas internacionais devido ao risco de extinção das baleias, como a do Governo australiano, que se manifestou desapontado e empenhado em opôr-se sob todas as formas à pesca comercial da baleia ou à pesca da baleia para fins científicos, que muitas vezes encobre uma verdadeira pesca comercial.

Segundo a BBC, a organização ambientalista Greenpeace convidou o Japão a reconsiderar a decisão e sublinhou que o país esperou pela proximidade do final do ano para fazer este anúncio, para evitar maior impacto mediático, num momento em que a atenção dos meios de comunicação está mais dirigida para outro tipo de factos.

Segundo a BBC, em Setembro, o Japão terá proposto à CBI o estabelecimento de quotas de pesca à baleia e o fim de uma moratória datada de 1986 que proíbe a actividade para fins comerciais e da qual o país é subscritor. Com a moratória cada vez mais próxima de uma medida definitiva e a proposta rejeitada por 41 votos contra 27, o Japão ameaçou abandonar a organização. E agora terá sido mais peremptório, oficializando a sua intenção.

Outro argumento usado, quer pelo Japão, quer por outros países que se dedicam a esta actividade, é o da natureza cultural do consumo de carne de baleia pelas suas populações. De facto, desde há séculos que as comunidades costeiras japonesas pescam e consomem baleia e têm pescado baleias, e o país fá-lo com fins científicos há cerca de 30 anos ao abrigo de uma excepção concedida pela CBI (200 a 1.200 por ano neste período, refere a BBC). Mas como a carne das baleias pescadas com essa finalidade acaba por ser comercializada, várias organizações e Estados têm criticado a medida, que consideram uma pesca comercial encapotada.

Igualmente usado pelos países defensores da pesca à baleia é o argumento de que face às medidas internacionalmente adoptadas, o stock de baleia recuperou, justificando uma suavização das restrições impostas à sua captura. Actualmente, o Japão captura entre 300 a 400 baleias por ano, segundo refere a BBC.

A BBC refere também a possibilidade de o Japão criar uma nova organização para regular a pesca internacional da baleia, se conseguir reunir parceiros suficientes para o efeito, ou de se juntar a outras já existentes, como a North Atlantic Marine Mammal Commission (Nammco), que é tida como uma versão mais pequena da CBI e que congrega países defensores da captura da espécie, como a Noruega, a Islândia, a Gronelândia (território autónomo dinamarquês) e as Ilhas Faroe (território também dependente da Dinamarca).

 



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