Drewry analisa efeito do colapso da Hanjing Shipping no transporte aéreo
CMA CGM

A falência da Hanjing Shipping surtiu algum efeito na transferência de modo de transporte a favor da via aérea, mas não tanto como poderia ser expectável, refere a consultora Drewry.

De acordo com dados da International Air Transport Association (IATA), o tráfego internacional de carga por via aérea cresceu 3,8% em 2016, o que é “indubitavelmente mais do que a nossa estimativa anual para os contentores”, refere a Drewry.

A consultora explica que a IATA adiantou que a aceleração deste fenómeno na segunda metade do ano pode ter estado relacionada com uma alteração temporária do modo de transporte após o colapso da Hanjing Shipping bem como com a complacência de algumas companhias surpreendidas por uma inesperada retracção da procura, que gerou um acréscimo de confiança no modo aéreo.

Para a Drewry, os dados das autoridades norte-americanas são dos mais fiáveis para se ter uma noção do impacto da falência da Hanjing Shipping na relação com o modo de transporte da carga, até porque a principal presença da empresa sul-coreana era nas rotas do Pacífico entre a Ásia e a América do Norte.

Tais dados sugerem que ao coincidir com um aumento das tarifas no modo aéreo, o colapso da Hanjing Shipping teve algum impacto no mercado, independentemente de qualquer transferência significativa de carga para outro modo.

Por outro lado, dados da Drewry indicam que as tarifas sobre o transporte aéreo transpacifico de carga na direcção da América aumentaram nos três meses após a declaração de falência da empresa sul-coreana, a um ritmo superior ao verificado nas linhas da Ásia para a Europa.

Uma das razões para este fenómeno pode ter sido um aumento da procura no mercado dos Estados Unidos, mas a Drewry admite que outros factores podem tê-lo igualmente induzido. Recorrendo novamente a dados das autoridades norte-americanas, a consultora procura responder à questão de saber se a queda da Hanjing Shipping provocou um acréscimo imediato do transporte aéreo de carga normalmente transportada por mar.

E conclui que não, dado que no último trimestre de 2016 somente em quatro dos dez principais itens habitualmente transportados por mar para os Estados Unidos é que se verificou um aumento do respectivo transporte por via aérea.

Além disso, numa das classificações das autoridades norte-americanas, foi nas duas categorias de bens transportados por via aérea que têm algum significado em volume e que competem com o transporte marítimo – reactores nucleares, caldeiras, maquinaria e aplicações, por um lado, e máquinas e equipamentos eléctricos, gravadores e emissores de som, gravadores e emissores de televisão, componentes e acessórios, por outro – que se verificou um aumento do terceiro para o quarto trimestre. Segundo a consultora, este fenómeno foi um episódio sazonal, reforçando assim a tese de que a queda da Hanjing Shipping, pelo menos no que respeita à carga dirigida aos Estados Unidos, não significou uma alteração definitiva do modo de transporte do mar para o ar.

De acordo com a Drewry, esse facto terá dado aos transportadores aéreos uma falsa ideia de poder negocial que lhe permitiria aumentar as tarifas.

 



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