A China Cosco Holdings Co, em terceiro lugar no ranking mundial das empresas de transporte marítimo, lançou uma oferta para aquisição de 67% do porto grego de Pireu. De acordo com fontes próximas do negócio, citadas por meios de comunicação internacionais, a oferta terá rondado os 700 milhões de euros, incluindo cerca de 350 milhões para investimentos em infra-estruturas ao longo de cinco anos.

O Fundo de Desenvolvimento de Activos da República Helénica, responsável pela operação de venda e que não revelou o valor da oferta, solicitou ao potencial comprador à Cosco uma proposta melhor no prazo de uma semana. Esta foi a única proposta de compra do porto, depois de dois operadores da short-list, a APM Terminals, detida pela Moller-Maersk A/S, e a Container Terminal Services Inc., não terem apresentado ofertas.

Segundo o Wall Street Journal, a Cosco era a favorita para ganhar o concurso, devido aos fortes laços com o Governo grego e ao facto de já operar dois terminais de contentores no porto do Pireu ao abrigo de um contrato de concessão assinado em 2009 e válido por 35 anos. Próximo da capital grega, este porto é um dos maiores do Mediterrâneo e um importante hub da Cosco para o transhipment das exportações asiáticas provenientes da China com destino à Europa.

Responsáveis da empresa já terão assumido que pretendem tornar o porto num centro logístico que permita transportar bens, especialmente por via férrea, para a Europa Oriental. Uma tese bem recebida pelo consultor do Banco de Desenvolvimento da China baseado na Grécia, George Xiradakis. Para o consultor, são boas notícias para a economia grega, que atravessa dificuldades e que poderia adquirir maior dinamismo, designadamente, com investimentos em linhas férreas e outros portos.

A proposta da Cosco surgiu no mesmo dia em que outro investidor estrangeiro, o Eldorado Gold Corporation, comunicou a intenção de suspender uma das operações mineiras que detém no norte da Grécia desde 2008, acusando o Governo grego de retardar os licenciamentos. Uma crítica que o Executivo grego rejeita.

O actual Governo grego opôs-se aos processos de privatizações em curso, opondo-se à pressão contrária de investidores, credores externos e União Europeia, e adiou a venda do porto do Pireu por um ano. Em 2015, não avançaram quaisquer privatizações, apesar de os credores terem feito depender o auxílio financeiro ao país das vendas de activos estatais gregos. No entanto, para 2017, está prevista a privatização do segundo porto grego, em Tessalonica, e já haverá potenciais interessados, designadamente, a APM Terminals, a ICTS, o Deutsch Invest Equity Partners GmbH e a Japan’s Mitsui & Co., adiantam fontes internacionais. As propostas devem avançar até Abril.

 



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