Antecipando congestionamentos de tráfego nas ligações entre o Reino Unido e a Europa continental no caso de um Brexit sem acordo, o Governo britânico contratou transporte suplementar no valor de 120 milhões de euros a três operadoras de ferries para satisfazerem necessidades de fluxos de mercadorias
Expedição Five Deeps
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O Governo britânico fretou uma capacidade marítima suplementar de navios ro-ro à Seaborne Freight, DFDS e Brittany Ferries, através de contratos estimados em 120 milhões de euros, para a eventualidade de necessidade de responder a congestionamentos de tráfego decorrentes de um Brexit sem acordo, refere o Maritime Executive.

De acordo com a publicação, citando a BBC, esta capacidade cobrirá um transporte adicional de 4 mil camiões por semana de e para os portos de Portsmouth, Plymouth, Ramsgate e Poole, o equivalente a 10 por cento do tráfego actual do porto de Dover, por onde circulam 6 mil camiões diariamente, e será destinada prioritariamente a bens essenciais, como medicamentos.

Os congestionamentos de tráfego nos portos do Canal da Mancha são um dos grandes riscos de um Brexit sem acordo, dado que implicariam o regresso das fronteiras e procedimentos alfandegários entre o Reino Unido e a Europa continental, actualmente inexistentes. Com os efeitos daí resultantes, designadamente em termos de atrasos no transporte de bens.

Actualmente, os camiões com carga proveniente da Europa continental transportados em ferries pelo Canal da Mancha podem seguir directamente para os seus destinos no Reino Unido assim que chegam a Dover, sem necessidade de cumprirem formalidades alfandegárias. A alteração destas circunstâncias tem sido, aliás, um dos grandes receios manifestados por vários agentes económicos do Reino Unido e terá impacto em ambos os lados do Canal da Mancha.

Os contratos de fretamentos de navios agora divulgados foram usados como arma de arremesso da oposição britânica nas críticas que faz ao Governo de Theresa May sobre a forma como tem gerido o processo do Brexit. De acordo com Vince Cable, líder do Partido dos Liberais Democratas, em declarações à BBC citadas pelo Maritime Executive, “o Governo tem o poder de travar um Brexit sem acordo em qualquer momento, mas em vez disso gasta milhões em contratos de última hora”.

Algumas críticas incidiram sobre o facto de das três empresas contratadas, apenas uma estar sedeada no Reino Unido – a Seaborne Freight -, refere a publicação. E mesmo a esta, será alocado apenas 15% do valor potencial do contrato (15,5 milhões de euros. A DFDS é dinamarquesa e a Brittany Ferries é francesa, sendo que cada uma tem um contrato orçado em 52,2 milhões de euros, refere o Safety4Sea. Além disso, os críticos terão recordado que esta empresa, actualmente, não tem navios e nunca terá operado um serviço de transporte de mercadorias por ferry.

A isto, o Governo terá respondido com o argumento de que a empresa não será paga adiantadamente e só será paga na eventualidade de o serviço ser necessário e for cumprido com êxito, refere a Maritime Executive, que acrescenta que a Seaborne Freight começa este mês o recrutamento para um serviço Ramsgate/Ostend, citando o site da empresa.



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