Mais de dois terços foram para estaleiros no Bangladeshm Paquistão e Índia
Convenção de Hong-Kong

No primeiro trimestre deste ano, 181 navios foram vendidos para reciclagem, 142 dos quais para estaleiros em praias do sul da Ásia (86 para o Bangladesh, 49 para a Índia e 7 para o Paquistão), conhecidos pelas más condições ambientais e laborais em que realizam essa actividade, segundo dados da organização não governamental Shipbreaking Platform, vocacionada para combater os danos ambientais e os abusos laborais nas operações de desmantelamento de navios. Já a Turquia recebeu 20 navios, a China um e a Europa e resto do mundo 18.

Durante este período, foram os armadores dos Estados Unidos, Arábia Saudita e Singapura que mais navios venderam para esses estaleiros, seguidos por armadores gregos, turcos e sul-coreanos. Paralelamente, segundo a organização, pelo menos cinco navios europeus foram desmantelados conforme as exigências do regulamento sobre reciclagem de navios da União Europeia (UE). Mas sete terão trocado de pavilhão da UE para um pavilhão de um país terceiro antes da última viagem, para contornar a legislação.

Alguns operadores da indústria marítima afirmam que são forçados a trocar de bandeira aos navios porque não existe capacidade de resposta suficiente nos estaleiros da lista europeia de instalações certificadas (que inclui dois estaleiros turcos e um dos Estados Unidos) para ir ao encontro das suas necessidades.

Todavia, um relatório de Setembro de 2018 da Shipbreaking Platform e da Transport & Environment admite o contrário, quer em termos de tonelagem, quer em termos de dimensão dos navios. Mas a organização revelou que recentemente a Comissão Europeia anunciou intenções de acrescentar mais oito estaleiros à lista europeia, situados na Dinamarca, Noruega e Turquia. No trimestre em análise, a Shipbreaking Platform também concluiu que morreram três trabalhadores e quatro ficaram gravemente feridos no desmantelamento de navios no Bangladesh.



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