Para o Presidente da Associação dos Portos de Portugal, Vitor Caldeirinha, não falta uma Estratégia Nacional para os Portos, o que é necessário é prosseguir e intensificar a estratégia dos últimos 10 /15 anos, que tem sido muito positiva.

Na transcrição que fizemos do Debate sobre o Estudo da Concorrência, referimos que defendia a continuidade em detrimento da inovação uma vez os nossos portos não serem líderes nem desafiadores. O termos «inovação» estava aplicado em sentido lato mas estando hoje tão colado à inovação tecnológica, presta-se, de facto, a equívoco. Quer expor melhor a sua ideia?

O que defendo é alguma continuidade no prazo das concessionárias para criarem laços com as redes logísticas e o recurso a soluções das melhores práticas de portos no mundo, em vez de copiar outros sectores e ou entrar em experimentalismos (inovações arriscadas desadequadas e não testadas em portos).
No mesmo Debate, elencou uma série de princípios que afirmou importantes no desenvolvimento do sector portuários, quer destacar aqueles que considera, de facto, os mais determinantes?

A questão das economias de escala e da eficiência, muito importantes nos portos.

A questão da análise, caso a caso, pelas autoridades portuárias, sem soluções gerais chave na mão.

A proximidade local de administrações portuárias autónomas em coopetição entre si.
 Como é que vê o enquadramento dos nossos portos em termos de um mercado europeu mais vasto e mesmo, eventualmente, em termos mundiais?

Destaco o papel de Sines nesse enquadramento mundial da nossa economia. Muito relevante. Os restantes são portos locais ou regionais de ligação Atlântica e Europeia.

 

Até onde é que entende poder chegar o hinterland dos nossos portos?

Pode chegar a Madrid ou mesmo à Península ibérica toda. Será já muito bom. A França ou Alemanha parece difícil, pois nem Barcelona quase chega a França, nem Le Havre ou Marselha chegam à Alemanha.

Mas o nosso foreland regional pode chegar de forma mais frequente e intensa com a JUL (Janela Única Logística) à Europa e África em competição forte com a rodovia.

 

Como Presidente da Associação dos Portos de Portugal, quais os três principais factores que considera mais determinantes alterar tendo em vista um aumento da sua competitividade?

 Criar concessões livres sem obrigações de serviço público como fizeram no ano passado no Brasil, permitindo, por exemplo, os terminais dedicados a linhas.

Não limitar os prazos de concessão a não ser ao retorno do investimento.

Criar uma zona franca portuária pelo menos como a de Barcelona.
Como é que vê a integração dos nossos portos no Corredor Atlântico e na Rede Transeuropeia de Transportes?

 Essencialmente através da JUL, da ferrovia com regras e especificações técnicas harmonizadas e de parcerias com plataformas logísticas no hinterland.

 

O que pensa da política e respectiva estratégia europeia para os portos? O que gostaria de ver alterado?

Maior autonomia às Administrações Portuárias, mas maior transparência de contas e indicadores estatísticos e maior investimento europeu nos portos da coesão e de proximidade como pólos de desenvolvimento, em vez de apenas nos core.
Quais deveriam ser, em seu entender, as linhas gerais de uma estratégia nacional portuária?

Prosseguir e intensificar a estratégia dos últimos 10 /15 anos, que foi muito positiva.

 

 



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