Um Tribunal da Crimeia, ocupada pela Rússia, negou recurso a marinheiros ucranianos sob custódia russa, que assim permanecerão presos
Lagostim
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Um Tribunal de recurso da Crimeia, ocupada pela Rússia desde 2014 contra a vontade da comunidade internacional, que não reconhece a validade da ocupação, decidiu que cinco dos 24 marinheiros ucranianos capturados pela Rússia em 25 de Novembro não serão libertados até 24 de Janeiro, refere o Maritime Executive, citando a agência noticiosa russa RIA Novosti.

De acordo com a notícia, os restantes 19 marinheiros já esgotaram as vias de recurso e também permanecerão cativos, apesar dos apelos da União Europeia (UE) para a libertação de todos os detidos. Recorde-se que os marinheiros foram capturados durante uma operação militar da marinha russa no Estreito de Kerch, que separa o Mar Negro do Mar de Azof, na qual foram também alvejados e apreendidos três navios da Marinha da Ucrânia.

Na operação, três marinheiros ucranianos terão ficado feridos e deslocados para tratamento hospitalar na Crimeia pela Marinha russa. Depois disso, todos foram transportados da Crimeia para dois centros de detenção em Moscovo, segundo refere a Maritime Executive, onde enfrentam penas de prisão até seis anos. A Rússia alegou atravessamento ilegal da fronteira na região para justificar a intervenção.

O argumento de Moscovo, porém, não tem sido aceite, designadamente, pela UE, que não reconhece a fronteira russa no Estreito de Kerch, como não reconhece a ocupação da Crimeia, considerada território ucraniano. Adicionalmente tem sido referido que além de estar sujeito às regras da liberdade de navegação previstas pela convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS, no acrónimo em inglês), o Estreito de Kerch está abrangido por um acordo bilateral entre a Ucrânia e a Rússia que garante a Kiev o livre acesso ao Mar de Azof.

Entretanto, a Marinha britânica enviou o seu navio espião HMS Echo para o Mar Negro,com o objectivo de participar em exercícios coma Marinha ucraniana. Numa visita ao navio, Gavin Williamson, Secretário da Defesa britânico, citado pela Maritime Executive, manifestou apoio à Ucrânia face aos “continuados actos de agressão contra a sua soberania”.

Além disso, o governante britânico referiu que o Reino Unido prestará apoio à Marinha da Ucrânia, treinando os seus militares em Janeiro e Março. Desde 2015, aliás, o Reino Unido mais de 9.500 militares ucranianos. Quem também manifestou o seu apoio a Kiev foram os Estados Unidos, que a par de insistirem na libertação dos marinheiros e navios ucranianos, bem como no argumento da liberdade de navegação no Estreito de Kerch e da integridade territorial da Ucrânia, fornecerão 10 milhões de dólares (cerca de 8,7 milhões de euros) para reforço da sua capacidade militar.



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