Um relatório de 2015 do Congresso dos Estados Unidos agora recuperado por uma consultora confirma uma tendência crescente para registar navios porta-contentores em paraísos fiscais ao longo dos últimos 30 anos. Uma actualização dos critérios e dos países suaviza os números, mas não esconde a tendência.
GNL
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Nos últimos 30 anos, houve uma deslocação constante de registo de navios porta-contentores para países considerados paraísos fiscais, refere o World Maritime News com base numa avaliação da consultora SeaIntel Maritime Analysis e que assenta num relatório de Janeiro de 2015 do Congresso dos Estados Unidos denominado Tax Havens: International Tax Avoidance and Evasion.

Segundo o jornal, com base na mesma fonte, o relatório refere uma lista de 50 países tidos como paraísos fiscais, 26 dos quais têm navios porta-contentores lá registados. Uma leitura actualizada da lista aponta para existência de 17 países considerados paraísos fiscais que mantêm registo de navios porta-contentores. Diz também a SeaIntel Maritime Analysis que, considerando a lista original, essa deslocação de registo foi constante entre 1980, quando 12% da tonelagem desses navios estava registada em paraísos fiscais, e 2017, quando essa percentagem atingiu os 74%, maioritariamente na Libéria e no Panamá.

A perspectiva actualizada dos países tidos como paraísos fiscais, porém, revela outros números, sem prejuízo da tendência. Sob esse ponto de vista, o pico do registo de porta-contentores em paraísos fiscais registou-se em 2013 (58% da tonelagem) e conheceu uma redução até 2017 (53%), refere a SeaIntel Maritime Analysis.

Mesmo à luz de uma perspectiva positiva, “a conclusão terá de ser a de que no período 1980-2010 o registo de porta-contentores foi sistematicamente a favor de países frequentemente catalogados como paraísos fiscais”, refere Alan Murphy, CEO da SeaIntel, acrescentando que, “conforme os países sejam definidos, essa tendência pode ou não ter sido interrompida, mas mesmo que o tenha sido, foi de um modo pouco significativo”.

Estas revelações surgem num momento em que ocorre um grande incómodo com as notícias sobre a investigação jornalística internacional «Paradise Papers», relacionada com actividades de poderosos e grandes empresas em destinos offshore, na qual se inclui o Secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, que mantém interesses numa empresa de transporte marítimo com negócios com uma empresa a que pertence o genro de Vladimir Putin.

O incómodo gerado atingiu uma dimensão suficiente para, segundo divulgado nos meios de comunicação, ter levado Wilbur Ross a desinvestir na empresa de transporte marítimo, a Navigator Holdings, bem como numa empresa de petroleiros, a Diamond S Shipping. Entretanto, as autoridades gregas lançaram uma investigação baseada nos documentos revelados pela «Paradise Papers», nos quais surgem nomes de personalidades, incluindo armadores, alegadamente com fortunas em paraísos fiscais offshore, refere o World Maritime News.



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