Alexis Tsipras afirmou durante a campanha estar disposto a terminar com a excepção fiscal dos armadores gregos. Se assim for, os armadores ameaçam relocalizar a sua frota, colocando eventualmente em causa mais de 65 mil empregos.

Beneficiando de uma excepção fiscal negociada em 1967, os armadores gregos terão conseguido uma poupança de pagamento de impostos nos últimos dez anos calculada na ordem dos 150 mil milhões de euros. Uma excepção que não lhes tem conferido grande popularidade, conduzindo o novo Primeiro-Ministro Grego a afirmou, durante a campanha, estar disposto a rever, uma vez eleito, de acordo com o princípio de «contributo de cada um para a economia de acordo com as suas posses».

Embora em 2013 hajam negociado uma contribuição fiscal voluntária, duplicando o pagamento da taxa de tonelagem, num acto então considerado «patriótico» por Antonis Samarras, os armadores gregos deixaram perceber durante a campanha eleitoral não estarem dispostos a aceitar mais alterações, ameaçando mesmo, subtilmente, poderem optar por medidas mais extremas, como a relocalização da sua frota, caso tal viesse a suceder.

Apesar da crise, a frota grega continua a ser a maior do mundo, contando com cerca de 4 707 navios, com uma capacidade total de transporte na ordem dos 303 milhões de toneladas, dando emprego, directo e indirecto, a cerca de 200 mil trabalhadores, um terço dos quais poderão estar em causa caso a ameaça de relocalização, ou mudança de pavilhão, se concretize. E se assim for, prevê-se também que áreas como a dos seguros ou da reparação naval, entre outras, possam vir a ser igualmente afectadas, mais agravando ainda a situação.

Para além disso, importa ter também em atenção que a frota de interesses gregos sob pavilhão terceiro, sobretudo de Chipre e Malta, é já três vezes superior à frota com pavilhão nacional, algo que o Sysriza não poderá, com certeza, deixar de ter igualmente em conta.



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