Numa intervenção que terá tido tanto de política como de económica, o Secretário Nacional da União Marítima Australiana criticou a inércia do Governo sobre a indústria marítima, que considerou em crise e em vias de colocar em risco a segurança, o ambiente e a economia nacional. E apresentou propostas.
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A indústria marítima australiana está em crise, colocando em risco a economia, o ambiente e a segurança nacional do país, admitiu esta semana o Secretário Nacional da União Marítima da Austrália (Maritime Union of Australia, ou MUA), Paddy Crumlin, ao Comité de Assuntos Rurais, Regionais e de Transportes do Senado australiano.

A MUA, um sindicato que representa cerca de 16 mil estivadores, marítimos e outros trabalhadores portuários da Austrália, apresentou também uma proposta detalhada com recomendações ao Governo de Camberra para ultrapassar a crise.

“Desde 2013, perdemos mais de metade da nossa frota costeira, deixando o país com apenas 12 grades navios comerciais para transportar o crescente volume da nossa mercadoria costeira”, disse Paddy Crumlin, acrescentando que “com a liderança política certa e as medidas adequadas, este declínio dramático pode ser travado e a nossa indústria marítima reconstruída”.

O mesmo responsável considerou que a inércia política está a drenar seriamente a economia nacional e que “cada navio australiano perdido é substituído por navios estrangeiros”, que não pagam impostos na Austrália, não contratam marítimos do país e não apoiam a economia local. Além disso, os navios estrangeiros, ao exportarem os recursos australianos, juntamente com a carga costeira, estão a custar ao país milhões de dólares por ano. Para Crumlin, o volume de carga costeira é suficiente para manter entre 50 a 60 navios adicionais australianos.

Como nação insular, a Austrália depende das suas competências marítimas para operar os seus portos, agências reguladoras e de segurança, sectores de logística e carga, turismo e indústrias offshore de petróleo e gás. E para isso, são precisos incentivos ao investimento em navios modernos e eficientes operados por australianos, o que poderia contribuir igualmente para proteger o ambiente, reforçar a segurança e salvaguardar os recursos do país e das suas águas.

Entre as recomendações da MUA ao Governo constam incentivos fiscais de investimento em navios, infra-estruturas navais e marítimos, uma reforma do sistema de vistos para marítimos e da legislação sobre o comércio costeiro, a criação de uma frota nacional estratégica para garantir a segurança económica e do abastecimento de combustíveis do país, o desenvolvimento de uma abordagem estratégica à força laboral marítima e a introdução melhores medidas ambientais e anti-poluição que protejam as costas, as águas e o turismo do país.

A visão da MUA contempla também a produção, exploração e transporte de recursos petrolíferos e de gás offshore, a construção de infra-estruturas para esse sector, a construção de navios, o desenvolvimento de um sector eólico offshore, cruzeiros marítimos turísticos e expedicionários e a investigação oceanográfica.

 



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