A pacificação do conflito laboral no porto de Setúbal não desmobilizou o sindicato da maioria dos estivadores que ali trabalham, que promete continuar a lutar contra a precaridade, embora consciente da dificuldade em concretizar plenamente os seus objetivos, que muito dependem da capacidade de recuperação do porto
Drewry
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Apesar do acordo para a contratação efectiva de 56 estivadores no porto de Setúbal, o Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL) vai manter activo o Fundo de Solidariedade destinado a apoiar todos os que ainda não obtiveram um contrato sem termo naquele porto, referiu o sindicato no seu blogue O Estivador poucos dias antes do final de 2018.

Segundo o SEAL, “o acordo celebrado ainda não permite uma vida digna para todos os 150 trabalhadores precários envolvidos neste processo de luta”, pelo que “o Fundo de Solidariedade continuará a tentar suprir as dificuldades daqueles que ainda não conseguiram um contrato sem termo e que continuam sujeitos a trabalhar à jorna”, refere o SEAL.

“Até que o Governo português obrigue as empresas a resolver o problema da estabilidade laboral para todos, os estivadores de Setúbal continuarão a lutar, seja ao nível sindical, seja ao nível de todo o tipo de suporte, nomeadamente financeiro, com a continuidade deste Fundo solidário, agora direccionado para o grupo residual de estivadores ainda reféns da precariedade”, acrescenta o SEAL.

Se é certo que o entendimento obtido em Dezembro último constituiu um sinal de esperança, quer para os estivadores, que viram satisfeitas algumas das suas reivindicações, quer para os clientes do porto, que voltaram a poder contar com a infra-estrutura, quer para o próprio porto, que recupera a sua catividade, também o é que nem todos os problemas estão solucionados.

Relativamente aos estivadores ainda precários, o SEAL está optimista “quanto à concretização futura de mais contratos sem termo”, mas sabe “que esse caminho levará o seu tempo, o qual poderá não ser suficientemente breve para que alguns estivadores e suas famílias não tenham que enfrentar algumas dificuldades financeiras”.

E continua a ambicionar um contrato colectivo de trabalho, a incorporação de mais estivadores nos quadros das empresas de trabalho temporário do porto setubalense e a resolução de problemas com estivadores seus simpatizantes noutros portos nacionais, designadamente, nos portos de Leixões e Caniçal.

Por outro lado, o próprio acordo recentemente alcançado está em boa parte dependente da capacidade de recuperação do porto de Setúbal, que algumas empresas de transporte marítimo trocaram por outros portos. É aliás o que se infere do que foi divulgado sobre o conteúdo do entendimento. Quanto mais difícil for essa recuperação, mais difícil será o reforço do quadro de estivadores efectivos em Setúbal. Algo de que o SEAL tem absoluta consciência.

 



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