Para a empresa de reboques portuguesa, a saída da Svitzer do mercado de reboques português, por limitação de sinergias com a restante carteira da empresa dinamarquesa, resulta de práticas que a Rebonave considera predatórias do mercado
Rebonave
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Um dia depois de ter circulado na imprensa um comunicado da Svitzer Europa a anunciar a venda do negócio de reboques da Svitzer Portugal às empresas portuguesas Pioneiro do Rio e Grupo Sousa, a Rebonave, outra empresa de reboques nacional, reagiu à saída da Svitzer desse mercado em Portugal.

E fê-lo com críticas à Svitzer, pelo modo predatório como tinha operado no nosso país, culpando-a pelo seu próprio destino. Afinal, a Svitzer deixava o negócio dos reboques em Portugal por se ter “confrontado com uma redução de volumes … uma sinergia limitada entre os portos portugueses e a restante carteira da empresa dinamarquesa…”, conforme referira a Svitzer, e “um desempenho empresarial/financeiro analisado desde 2005, que sabemos, porque é publico, com prejuízos acumulados”, acrescentou a Rebonave.

Para a Rebonave, a decisão da Svitzer é “o reconhecimento pelos próprios (Svitzer) dos resultados perversos das suas acções, baseadas na predação do mercado, que têm conduzido à degradação do desempenho financeiro/empresarial e sustentabilidade dos operadores locais, há muito estabelecidos nos portos nacionais, provocando mesmo a extinção de alguns deles”.

Paralelamente, acusa um dos compradores, a Pioneiro do Rio, de “aparente e cínica naturalidade”, dado que a empresa é detida pelo Director Geral da Svitzer em Portugal, para quem a saída da empresa dinamarquesa do nosso país constitui uma “oportunidade empolgante”, apesar de ter deixado de ser interessante para a Svitzer.

A Rebonave nota ainda que “não deixa de ser uma coincidência que esta decisão aconteça quando estão em curso, pelo menos, quatro processos na Autoridade da Concorrência (que decorrem da sua actividade de reboque e de amarração por via da Pioneiro do Rio), três processos em Tribunais Administrativos, um processo crime contra a Administração da Svitzer, uma queixa na Provedoria de Justiça, e a própria Assembleia da República, que procura averiguar o que está a acontecer, no decurso de uma investigação jornalística de um órgão de comunicação social, que revelou publicamente as suas práticas anti concorrenciais”.

Sobre esta questão, a Rebonave nota que “não deve ser esquecido, no mínimo por uma questão de decoro colectivo, que ainda possa existir, que a Svitzer sai de cena, com uma fuga para a frente, como que procurando branquear as consequências das investigações em curso”.

O nosso jornal procurou confrontar a Svitzer Portugal com este tema, colocando questões que enviámos à empresa, designadamente, ao seu Director Geral, Rui Cruz. Segundo apurámos, o comunicado da Rebonave é do seu conhecimento, mas até ao momento do fecho deste artigo, ainda não obtivemos qualquer comentário.



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