De acordo com os dados da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes relativos ao 1º semestre deste ano, os portos do continente movimentaram 48,6 milhões de toneladas de mercadorias, mais 8,1% do que no mesmo período do ano anterior. O documento destaca a recuperação do porto de Lisboa, quer em movimento de carga, quer em escalas de navios.
Portos de Portugal
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Os portos do continente movimentaram cerca de 48,6 milhões de toneladas de mercadoria no primeiro semestre de 2017, mais 8,1% do que no período homólogo de 2016 e o “mais elevado de sempre observado nos períodos homólogos”, revela o relatório de Junho deste ano da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).

Para este valor recorde contribuiu “idêntica observação nos portos de Leixões, Aveiro e Sines”, refere a AMT. Neste contexto, merece destaque “o desempenho do porto de Lisboa, que continua na senda da recuperação das quebras acumuladas dos últimos anos, registando neste período o acréscimo homólogo mais elevado de +26,3%, a que corresponde +1,22 milhões de toneladas”, sublinha a AMT.

Diz a AMT que neste resultado merecem referência os desempenhos dos portos de Lisboa, Aveiro e Leixões, “que registaram acréscimos homólogos superiores à média”, “suportados maioritária e respectivamente pela Carga Contentorizada (+54,1%), Petróleo Bruto (+54,1%) e Produtos Agrícolas (+58,2%)”.

Mas a AMT não ignora que no caso do porto de Lisboa, a base de comparação foi “o período homólogo de 2016, fortemente marcado pelos efeitos da greve dos trabalhadores portuários e com níveis de movimento portuário bastante inferiores aos valores médios tradicionais”.

Sem surpresa, o porto de Sines continua a ser o que detém maior quota de mercado (52,8%) do total da carga movimentada, embora inferior em -0,6% face ao período homólogo de 2016. Seguem-se Leixões (19,9%), Lisboa (12,1%), que recuperou 1,7% face ao mesmo período do ano anterior, e Setúbal (7,3%), que também perdeu quota (-1,5%) face ao 1º semestre de 2016.

 

Contentores, navios e mercadorias

 

No período em análise, o movimento de contentores também bateu um recorde: “969,6 mil unidades e cerca de 1,6 milhões de TEU, traduzindo um crescimento homólogo de +20,3% e +23%, respectivamente”, refere a AMT. O porto de Sines mantém a maior quota (59%), que é 4,7% acima da que detinha em igual período de 2016, seguido dos portos de Leixões (19,7%), Lisboa (15,4%, ou seja, mais 3,4% do que em 2016) e Setúbal (5,3%).

Também aqui o porto de Lisboa merece destaque, com a AMT a sublinhar “o acréscimo que subjaz ao movimento realizado pelo porto de Lisboa, que se mantém na casa de +58% e fixa o volume de TEU em 241,1 mil, nível ainda inferior aos seus valores médios de referência antes das recentes quebras por efeito das greves dos trabalhadores portuários, na casa das 260 mil TEU”.

Já “numa dimensão absolutamente distinta, o porto de Sines regista um acréscimo de +33,7%, a que corresponde +233 mil TEU, o que eleva o volume no período em análise a 926 mil TEU”, nota a AMT. Contrariamente, os portos de Leixões, Figueira da Foz e Setúbal registaram descidas, de “-8,2%, -2,5% e -0,6%, respectivamente”.

No semestre em análise, registaram-se 5.490 escalas (+2,6% do que no período homólogo de 2016) de todos os tipos de navios, incluindo os de cruzeiro, equivalentes a “um volume recorde de arqueação bruta (GT) de 101,6 milhões”, (+7,4% face ao primeiro semestre de 2016), refere a AMT, que sublinha o “notável crescimento de +20,6% no número de escalas (+214 navios)” do porto de Lisboa, só ultrapassado “pelo porto de Portimão que, numa dimensão pouco significativa, regista um acréscimo de +63,6%, correspondente a +14 navios, maioritariamente de cruzeiro”.

Relativamente ao movimento de mercadorias, os valores do primeiro semestre ficaram a dever-se principalmente à Carga Contentorizada e aos Produtos Petrolíferos, “com variações de +18,9% e +19,4%, respectivamente, num total de +4,3 milhões de toneladas, tendo ainda contado com o apoio da carga Ro-Ro (+15,3%), Carvão (+11,3%) e Minérios (+14%), representando no seu conjunto cerca de 457,8 mil toneladas”, refere a AMT.

Esta tendência sofreu a pressão da quebra no movimento de Petróleo Bruto (-12,4%, equivalente a quase um milhão de toneladas) e na Carga Fraccionada (-8,2%, equivalente a menos 266,9 mil toneladas).

“A classe de Carga Geral continua a deter a quota mais significativa do mercado portuário, representando 45%, seguindo-se a dos Granéis Líquidos, com 34,6%, e cabendo aos Granéis Sólidos cerca de 20,4%, sendo de referir que em todas as classes de carga se registaram valores recorde no volume movimentado, por efeito, particularmente, da Carga Contentorizada e Ro-Ro, Produtos Petrolíferos e Outros Granéis Sólidos”, esclarece a AMT.



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