Na Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade, em Almada, a ministra do Mar lançou o prémio.
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Foi ontem lançado oficialmente, na Escola Básica e Secundária Anselmo de Andrade, em Almada, o “Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas”, com o objectivo de distinguir anualmente projectos que promovam, em filme, o conhecimento sobre o oceano, destinado aos estudantes do terceiro ciclo do ensino básico e secundário.

A cerimónia de lançamento contou com a presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e enalteceu não só o professor Mário Ruivo, como os próprios alunos da escola, que já estiveram inclusivamente ligados a vários projectos sobre o mar.

Para participar no concurso, os alunos deverão constituir equipas (entre 4 a 8 jovens, de diferentes anos escolares), e elaborar uma actividade sobre o mar, registando-a cinematograficamente. As inscrições decorrem até 16 de Maio e os filmes deverão ser enviados até 18 de Maio.

Os prémios, que serão entregues aos três melhores filmes, serão: o primeiro, de cinco mil euros, e o segundo e terceiro de 1500 euros, que reverterão para a escola poder adquirir materiais educativos relacionados com o oceano. No entanto, todos os alunos premiados terão uma experiência de mar e uma visita ao navio de investigação Mar Portugal.

Segundo a ministra do Mar, lembrando as palavras de Mário Ruivo – “lançámos a jangada para o futuro, que é o que devemos agora fazer, principalmente com os mais pequenos, os futuros líderes do nosso país”, que entenderão quais são as obrigações para com o mar. “Ninguém ama aquilo que não conhece” e por isso, Ana Paula Vitorino confessa o orgulho que tem ao “passar pelos corredores e ver jovens que já têm a obrigação de olhar para o mar e pensar sobre ele” a fazê-lo de facto.

Reforçando a importância de saber promover a limpeza do mar, evitando deitar papéis para a areia ou poluir os navios, explicando as recentes descobertas de micro-plásticos nos peixes, a governante explica quão negativa é a poluição tanto para os oceanos como para nós. “Temos a oportunidade de proporcionar e trazer conhecimento, como o professor Mário Ruivo, a quem devo a minha visão mais sustentável”, refere a Ministra. Mas agora, há que transformar essa herança do professor e pôr os mais jovens num nível superior ao nosso, referiu. E dirigindo-se aos jovens, afirmou que “estamos aqui para vos ajudar a serem os líderes da sustentabilidade do nosso país” e deixou a promessa de duplicar, no próximo ano, o orçamento para este prémio.

Também o ministro da Educação elogiou a escola e a sua importância. O Mar como legado histórico, mas acima de tudo, como “nosso presente, e por ser o nosso presente, é o nosso futuro”, explicou. “É preciso termos consciência de que o mar, como está e como é, se nós não formos activos, se não consciencializarmos a humanidade” provavelmente não será mais. E explicitou a importância de menos arrogância nas questões ligadas ao mar e mais humildade. “É importante que trabalhemos para que este mar possa ser mais mar, mais economia, mas que continue a ser diversão, comunicação entre povos, esse mar imenso que nos faz sorrir”, terminou.

“O Professor Mário Ruivo, que tinha uma visão holística dos oceanos, foi provavelmente o grande cientista e embaixador dos assuntos do mar”, explicou Luís Filipe Castro Mendes. O ministro relembrou a vida do professor Mário Ruivo, grande especialista nas negociações para a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar, no âmbito dos oceanos, tornando-se o inspirador e coordenador do trabalho dos oceanos, lançando o programa dinamizador das ciências e tecnologias do mar e tendo sido, inclusive, coordenador da Comissão Mundial Independente para os Oceanos. “A importância que o mar tem para a nossa economia, para a nossa projecção internacional, na nossa imagem de nós próprios que se reflecte na nossa tradição cultural, tem que se reflectir na dinâmica de que somos convidados a participar neste Governo”, explicou Luís Filipe Castro Mendes.

“É gratificante existir este reconhecimento”, reconheceu a professora Maria Eduarda Gonçalves, que se certifica que Mário Ruivo estaria “felicíssimo de ver como estamos a cumprir a mensagem que deixou”. Maria Eduarda Gonçalves interveio numa mesa redonda onde falou também o António Pascoal, do IST- Instituto Superior Técnico, que reconheceu no professor uma grande amizade, que o ensinou a juntar pela primeira vez ciências e tecnologias do mar, e que a partir dai começou a fazer a carreira tentando fazer a simbiose entre as tecnologias e a ciência do mar. Falou ainda Fernando Barriga, da FCUL- Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que referiu que “o Mário, sendo uma pessoa da área da protecção do ambiente e da exploração sustentável dos recursos marinhos, soube reconhecer a necessidade de conhecer muito bem aquilo que existe nos fundos marinhos”, pois, explicou o professor, só podemos pensar em algum aproveitamento desses recursos se soubermos fazer as coisas bem.

No fim, também Francisco Lufinha deu uma palavra às novas gerações, que considera ter como sua missão também a protecção dos oceanos. O desportista explicou o projecto Lufinha School Tour, um tour que faz pelas escolas em prol desta missão de mar limpo. Apelando a este cuidados com os mares, reflectiu: “há muitos colegas vossos que dizem que giro, tu adoras Kitesurf, mas eu estou na minha, quero é fazer outras coisas que não têm nada a ver com o mar, mas depois há que lembrar aquela parte em que o oceano é responsável pela produção de 55% de oxigénio, portanto, isto toca a todos”.



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