Balanço da Oceans Business Week 2016? A garnde expectativa em que nos deixa para o que poderá vir a ser a Oceans Business Week de 2017.

«Um pouco mais de sol – e fôra brasa,
Um pouco mais de azul – e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza…
»

Mário de Sá-Carneiro

 

«Temos a Arte para não morrermos de Verdade», terá dito o grande Nietzsche, o grande psicólogo, o grande germânico, o grande «filósofo a martelo», como também é muito ternurentamente conhecido por muitos .

Que nos fica dessa grande iniciativa começada como Semana Azul ou Blue Business Week em 2015 e continuada agora, em 2016, como Oceans Business Week?

«Um pouco mais de sol – e fôra brasa, / Um pouco mais de azul – e fôra além. / Para atingir, faltou-me um golpe de aza…», como diria o pobre do Mário de Sá-Carneiro?

Como podemos avaliar a realização de um evento como a Oceans Business Week?

Pelo grau de cumprimento dos seus plausíveis objectivos?

Nesse enquadramento, não será de admitir como possível primeiro obectivo, reforçar a consciência nacional sobre a importância do mar para o futuro de Portugal, seja em termos políticos, seja em termos geopolíticos e geoestratégicos, seja até em termos bem mais simples e imediatamente económicos?

Foi esse primeiro objectivo atingido?

Apesar da excelente organização do evento, tendo sobretudo em atenção o curtíssimo período de tempo em que tudo teve de ser realizado, seja no que respeita à exposição, ao número e qualidade dos expositores, seja no que respeita às conferências, no que respeita ao número e qualidade das mesmas, seria difícil fazer melhor ou sequer, em outras circunstâncias, igualar, não deixando de legítimo prestar a todos os envolvidos a mais reconhecida homenagem, em práticos, a escassa assistência e sua fraca repercussão mediática, nacional ou internacional, não significa, na realidade, tudo ter acabado por ficar um pouco aquém de quanto seria legítimo esperar?

E quanto a um possível segundo objectivo, como, por exemplo, tornar bem patente, em termos internacionais, todo o excelente trabalho desenvolvido em Portugal nos múltiplos sectores em que se pode dividir a economia do mar?

Apesar de não se ter verificado em 2016 o disparate de 2015 quando foi decidido dispersaram geograficamente todas os diversas  acções que compunham então a Semana Azul, a ausência de qualquer expositor internacional na Oceans Business Week, bem como, muito menos ainda, a completa ausência de qualquer público propositadamente chegado de outras mais exóticas paragens, não obstante a passagem pela área de exposição de alguns Ministros eles mesmos e respectivas delegações à Cimeira do Oceans Meeting, estabelecendo um ou outro contacto que, nunca se sabe, sempre poderá vir a dar frutos em algum momento futuro, pretendendo-se um evento como a Oceans Business Week constituir-se primordialmente como um encontro de negócios com projecção internacional, não se dirá tudo ter ficado igualmente um pouco aquém das legítimas expectativas?

Mas se ambos esses objectivos ficaram um pouco aquém das expectativas, as mesmas superadas terão sido por um possível terceiro objectivo como o da oportunidade de reafirmação de Portugal no âmbito mundial, seja sob o ponto de vista político, tecnológico ou económico, no que respeita aos assuntos do mar?

Mas que dizer quando a Cimeira Mundial dos Ministros do Mar reunida em Lisboa mais não faz senão exaltar o papel das Nações Unidas no Governo do Mundo dos Oceanos, como não só ficou bem expresso na Declaração Conjunta final, a par de todas as outras referências habituais nestas circunstâncias às COP21,  às Alterações Climáticas e tudo o mais, mas também, muito mais grave e surpreendentemente, o próprio Primeiro-Ministro de Portugal, na Cerimónia de Abertura, não tem palavras senão para exaltação das mesmas Nações Unidas enquanto Alfa e o Ómega do Governo do Oceano e dos Assuntos do Mar, nada tendo nós, aparentemente, a acrescentar senão o de nos remetermos talvez, muito simpática, generosa e modernamente, a «facilitadores» de generalizada negociação entre todos?

Será esse também o significado das palavras da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, quando, na mesma Cerimónia de Abertura da Cimeira, afirmou que «Portugal tem e assume as suas responsabilidades na governação dos oceanos»? Afinal, que responsabilidades tem e assume Portugal na governação dos oceanos? As que as Nações Unidas entenderem que devemos ter e assumir e apenas nesse estrito âmbito, naquela mesma posição passiva que sempre tivemos e manifestámos em relação a Bruxelas no que aos assuntos do mar respeita, como, por exemplo, entregando e abdicando da gestão da coluna de água da nossa ZEE em relação aos recursos biológicos, como hoje, depois do Tratado de Lisboa, sucede, com generalizado aplauso dos nossos políticos porque ao Tratado em que tudo isso ficou determinado  lhe conferiram a orgulhosa designação de Tratado de Lisboa?

Não tem Portugal posição marcante, seja no que for, a não ser defender que o governo dos oceanos é uma questão internacional e que nesse mesmo âmbito tudo dever ser resolvido e tratado sob os auspícios das Nações Unidas? Não tínhamos uma única pequena ideia, um pequeno conceito, uma pequena frase poética que fosse, a colocar na Declaração Conjunta para dar nota da nossa singularidade e justificar uma atenção especial à nossa visão do mundo e do governo dos oceanos?

Nada, mesmo?

Como não tínhamos cientistas portugueses a contrapor aos oradores internacionais da Conferência Internacional da Oceans Meeting, mostrando um pouco do talento e génio das novas gerações, para não se referir já o tremendo lapsus linguae de nos vermos e ouvirmos, ainda por cima, ao longo da mesma sessão, a pedirmos conselho a exóticos estrangeiros sobre o que fazermos com tanto mar?

Como avaliar, que dizer da Oceans Business Week 2016?

«Um pouco mais de sol – e fôra brasa,
Um pouco mais de azul – e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza…
»

Grande a expectativa, de facto, para a II Oceans Business Week em 2017.

 



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