Num debate promovido pela Natioal Geographic e a Galp, uma das mais prestigiadas oceanógrafas do mundo, um antigo campeão de surf e dois cientistas, um da área aeroespacial e outro com currículo na monitorização de cetáceos, falaram de projectos, ambiente e tecnologia, tudo relacionado com os mares
Ocean Talks by Galp
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Um dos projectos candidatos a financiamento pelo Fundo Azul, no quadro das propostas para monitorização e protecção do meio marinho, foi ontem apresentado publicamente. Pedro Finamore, investigador e responsável pelo centro de investigação oceanográfica de Sagres, apresentou um projecto para a monitorização de cetáceos na costa continental portuguesa, numa conferência dedicada aos oceanos organizada pela National Geographic e a Galp – Ocean Talks by Galp – no âmbito do National Geographic Summit.

O projecto, orçado em 110 mil euros, contempla a criação de “um sistema de Monitorização Acústica Passiva versátil que possa ser utilizado de forma estática ou rebocado, de fácil montagem e testar a sua aplicação”, “a monitorização da ZEE de Portugal Continental até uma distância aproximada de 25 milhas”, “aplicar uma metodologia de monitorização mais densa e específica na zona do Parque Natural do Litoral Norte e na Reserva Natural das Berlengas”, “recolher dados fotográficos das espécies detectadas para compilação de um catálogo de foto-identificação” e o registo em vídeo da operação” para realização posterior de documentário, segundo apurámos junto do investigador.

“O desenho e execução do projecto é da responsabilidade do Centro de Investigação de Sagres e dos investigadores que o apoiam”, integrando também “dois investigadores convidados, que adicionam a experiência do Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa”, referiu-nos Pedro Finamore. O Instituto Politécnico de Leiria “integrará o esforço de monitorização nas suas actividades, e os dados recolhidos servirão para completar a informação necessária para o acompanhamento dos programas de conservação desenvolvidos na Reserva Natural das Berlengas” e a Galp “garante um apoio aos custos fora do âmbito do Fundo Azul”, acrescentou. Por enquanto, o projecto continua em avaliação no âmbito das candidaturas ao Fundo Azul.

Outro orador foi Tiago Rebelo, licenciado em Engenharia Aeronáutica e membro do CEiiA (Centro de Excelência para a Inovação da Indústria Automóvel), que fez uma intervenção sobre a relação entre a engenharia aeronáutica e a investigação dos oceanos. Abordou as preocupações do CEiiA para os oceanos (vigilância, exploração, monitorização, prospecção e missões de resposta rápida) e apresentou exemplos de veículos aéreos não tripulados que podem ir ao encontro desses propósitos, marcas não invasivas em espécies marinhas (o caso das mantas) e de veículos submarinos não tripulados.

E aludiu aos projectos Infante, de desenvolvimento e demonstração em órbita de um microssatélite percursos de uma constelação para vigilância marítima, observação da terra e comunicações entre satélites e estações de solo, e Oceantech, um sistema de gestão de operações submarinas e integração de dados assente na utilização colaborativa de plataformas de recolha de dados distintas.

Igualmente presente no painel de oradores esteve Tiago Pires, antigo surfista e campeão da modalidade, mais conhecido por Saca. A sua intervenção foi, acima de tudo, um testemunho pessoal da sua experiência como surfista. Mas também abordou a modalidade enquanto terapia, estilo de vida, carreira profissional e negócio. E lembrou que, segundo a Forbes, o impacto do surf no PIB português era de 100 milhões de euros em 2009, um valor que subiria para 400 milhões de euros em 2016.

Para o final estava reservada a presença da convidada especial, a lendária oceanógrafa norte-americana Sylvia Earle, octogenária e exploradora residente da National Geographic. Na sua intervenção destacou o muito que desconhecemos dos oceanos, uma ignorância que comparou com o conhecimento que temos da Lua. Confrontou ainda a audiência com o facto de estarmos a explorar outros planetas, como Marte, eventualmente para os colonizarmos, quando, na sua opinião, temos tudo o que precisamos na Terra (atmosfera, recursos, beleza), ao contrário de outros corpos celestes, reconhecidamente áridos, desertos e onde teríamos que começar tudo do zero.

Não se esqueceu de falar do respeito que é devido à natureza e do valor ético dos ecossistemas, alertando para os riscos da prospecção de minério no mar profundo, e da importância das áreas marinhas protegidas, lembrando que o seu próprio país não subscreveu a Convenção das Nações Unidas do Direito do Mar.



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