Quem o diz é Jorge d'Almeida, presidente da Comunidade Portuária de Sines, que acredita na possibilidade de ter um primeiro investimento logístico no âmbito desta promoção da ZILS, já em 2018. No prazo de 10 anos, ambiciona que a nova proposta logística gere 500 milhões de euros de VAB e 5 mil empregos directos.
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A recente conferência internacional sobre «Logística e Cadeias de Abastecimento – Nova Era, Novos Desafios», promovida pela CPSI – Comunidade Portuária de Sines, Administração do Porto de Sines (APS), aicep Global Parques e Câmara Municipal de Sines (CMS) coincidiu com o lançamento de uma campanha promocional destinada a captar investidores para a ZILS – Zona Industrial e Logística de Sines.

A ocasião serviu igualmente para formalizar a adesão da aicep Global Parques à CPSI – Comunidade Portuária de Sines, que alterou o seu logótipo, acrescentando a assinatura Ao serviço do Porto, da Logística e da Indústria, enfatizando a ligação do porto à logística e à indústria.

Uma assinatura reveladora de que a CPSI “não se restringe apenas ao porto, a um grupo de empresas – que tem naturalmente ligações ao porto –, mas que tem por objectivo o desenvolvimento concentrado de todo o complexo portuário, logístico e industrial”, nas palavras do seu presidente, Jorge d’Almeida.

 

Um cluster logístico na ZILS

 

Quanto à ZILS, segundo admitiu Jorge d’Almeida ao nosso jornal, a principal mensagem evidenciada na conferência foi a de que “o projecto logístico de Sines é um vector fundamental para o desenvolvimento do complexo portuário, logístico e industrial” daquela zona. “É uma componente desse complexo que está agora a receber a atenção que merece e que vai ter um impacto muito grande porque vai ser um gerador de carga para o porto, que retirará daí vantagens competitivas, graças às suas ligações intercontinentais directas para todo o mundo”, referiu-nos Jorge d’Almeida.

E que impacto será esse? No prazo de 10 anos, o presidente da CPSI projecta a ocupação de metade da área de 270 hectares reservada para logística na ZILS (ZAL, ou Zona de Actividade Logística, a três quilómetros do terminal de contentores do porto de Sines e com possibilidades de alargamento quase ilimitadas) com cerca de 130 empresas, na sequência da campanha promocional que agora arrancou. No mesmo período, espera que este projecto gere “5 mil postos de trabalho directos e 10.100 directos, indirectos e induzidos, bem como um valor acrescentado bruto (VAB) anual de 500 milhões de euros”, referiu-nos.

O que está em causa na proposta de valor que agora se apresenta “é criar um cluster logístico, em oposição a uma simples plataforma logística ou parque logístico”, explicou-nos Jorge d’Almeida. Será um cluster que utilizará “a proximidade geográfica dos agentes económicos envolvidos no processo logístico para desenvolver soluções integradas e inovadoras mais eficientes e sobretudo, para partilhar conhecimento”, referiu-nos.

 

Atrair clientes âncora

 

O objectivo “é começar a congregar todos estes recursos e começar a desenvolver soluções que tenham vantagens competitivas pelo facto de reunirem um vasto conjunto de interesses económicos, em especial, o conhecimento”, entende Jorge d’Almeida.

De acordo com o presidente da CPSI, “o modelo de desenvolvimento que está a ser adoptado pela aicep Global Parques, em colaboração com outros agentes económicos e a CPSI, baseia-se em atrair clientes âncora e em que sejam esses clientes a viabilizar o investimento e a servir de atractivo para terceiros”.

Conforme nos explicou Jorge d’Almeida, os clientes âncora potenciais obedecem a várias tipologias de perfis. Uma delas consiste em cadeias de distribuição ibérica que importam mercadorias por via marítima transoceânica, como o IKEA, a SONAE, o El Corte Inglés, entre outras. Outra será a de fabricantes ibéricos que importam componentes por via marítima transoceânica, como a Autoeuropa. Outra ainda será a de fabricantes e fornecedores de produtos e equipamentos com origem não-europeia, “que podem ter vantagens fiscais, de quotas ou de transporte em fazer a montagem desses produtos na Europa”, referiu-nos o presidente da CIPS.

Depois existe o interesse de captar outros clientes, como operadores logísticos globais que aportam a sua própria carteira de clientes e investidores financeiros, como os fundos de investimento imobiliário.

Em todo este processo, Jorge d’Almeida sublinha o papel central da Câmara Municipal de Sines (CMS), ume entidade incontornável na promoção da ZILS, até por “ter uma palavra a dizer em tudo o que se faz em Sines”. A autarquia é parceira na promoção do projecto” e gere, ela própria, espaços onde existe actividade logística e industrial, pelo que “é importante existir coordenação entre a logística da ZILS e a logística dos espaços adjacentes tutelados pela CMS”, refere.

 

É razoável esperar um primeiro investimento já em 2018

 

Embora admita a existência de contactos preliminares com vários potenciais interessados, Jorge d’Almeida confirmou-nos que nada está assinado, até porque a proposta de valor está agora a ser apresentada. E um dos destinos onde essa apresentação terá lugar será na próxima deslocação da ministra do Mar à China, em cuja comitiva estarão mais de 30 empresas e entidades, incluindo a CPSI, a aicep Global Parques e a APS.

O presidente da CPSI não se compromete com prazos, mas admite que até ao final do ano espera já ter alguns indicadores. E que “2018 será um ano importante”, sendo “razoável pensar que nesse ano se concretize um primeiro investimento neste projecto logístico”, refere. Jorge d’Almeida recorda também que “este investimento implica a constituição de um operador para o cluster logístico, porque há serviços comuns, como portaria, segurança, manutenção” que têm que ser garantidos.

Neste momento, a ZILS, que abrange uma área de 4.200 hectares, dos quais 2.200 infra-estruturados (incluindo uma parcela de quase mil hectares ocupada por indústrias), mas pouca actividade logística, precisamente aquela que agora se pretende desenvolver. “A que existe é logística de transporte, não é actividade logística no sentido lato, como distribuição ou unidades de montagem de produtos e equipamentos provenientes de fora da Europa”, refere Jorge d’Almeida.

Além da geografia e da capacidade de expansão, a ZILS dispõe de outro factor que a torna interessante: o futuro cabo submarino de fibra óptica entre a Europa (Sines) e a América Latina (Fortaleza, no Brasil), a instalar no seu Centro de Negócios entre o final deste ano e o princípio do próximo, e que estará operacional em 2019. Jorge d’Almeida, considera que o cabo pode ter um impacto importante no papel de Sines como centro logístico e marítimo. E explica porquê.

“ O porto de Sines tem o nosso único terminal de gás natural liquefeito (GNL) e tem uma movimentação que aumenta a ritmo acelerado”, refere. “O GNL é transportado a temperaturas de -162º”, o que implica operações de arrefecimento geradoras de frio que constituem um potencial importante, porque o frio aí libertado pode servir para arrefecer os centros de dados, poupando energia que seria necessária para obter o mesmo efeito



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