Correntes que arrastam culturas…
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Todas as cidades portuárias são pontos de encontro de culturas. O mar tem esta característica de, através das suas ondas, marés e correntes, estar sempre em movimento, arrastando tudo o que encontra, incluindo a cultura presente em cada uma das civilizações, depositando tudo isto nas enseadas, nas cidades portuárias, nos arquipélagos…

Se juntarmos a esta característica dos mares a curiosidade humana e a vontade de viajar e de encontrar a origem de produtos e recursos valiosos temos, no mar, um poderoso instrumento de cruzar e aproximar culturas, moldando assim o futuro da humanidade.

São vários os exemplos históricos desta realidade. Um desses exemplos é a Indonésia, um dos maiores países marítimos do mundo. Tempos houve em que civilizações cruzaram mares e oceanos em busca de noz-moscada e cravo-da-índia, raras e valiosas especiarias que marcaram séculos do desenvolvimento humano. Árabes, Chineses e Europeus (Portugueses, Espanhóis, Holandeses e Ingleses) investiram muito para encontrar as Ilhas das Especiarias. Quem as descobria não revelava a sua localização (segredo… comportamento ainda muito atual em tudo o que se refere aos assuntos do mar). Os Árabes cruzaram o Índico, os Chineses o Pacífico e os Europeus o Atlântico e o Índico.

Muitos anos após Chineses e Árabes terem descoberto as Ilhas Molucas (Ilhas das Especiarias), os Portugueses foram os primeiros Europeus a chegar a estas ilhas, baralhando o domínio Asiático das Rotas das Especiarias. Outras potências Europeias afluíram a esta região da atual Indonésia, em busca de riqueza, traçando marcadamente o perfil sociocultural deste país.

Com cerca de 6 milhões de Km2 de Zona Económica Exclusiva, a Indonésia é, no mundo, o país arquipélago com maior número de ilhas, mais de 14.000 ilhas. Todos os arquipélagos têm uma característica comum, que é a diversidade cultural de cada uma das suas ilhas. No caso de um país, com mais de 255 milhões de habitantes (4º país mais populoso do mundo), onde se falam várias línguas e dialetos e com crentes de todas as religiões, manter uma unidade nacional, não é tarefa fácil. O lema deste país é “Unidade na Diversidade”.

Se em determinado momento do tempo a influência ocidental inundou o oriente, aparentemente, nos dias de hoje, no que respeita aos mares e oceanos, a corrente está a mudar de sentido, o oriente dá sinais concretos em direção ao domínio dos mares.

Por vezes dou por mim a pensar sobre quais serão as consequências culturais de uma nova e intensa corrida aos oceanos, em busca das raras e valiosas “especiarias” dos tempos modernos. É impossível perspetivar e antever tudo o que vai acontecer, no entanto, uma coisa é certa, para sobreviver entre correntes cruzadas, três aspetos são fundamentais: (i) ter um reduzido, mas sólido, conjunto de valores base identitários, (ii) ter mente aberta e preparada para a mudança cultural que se adivinha e (iii) ser capaz de desenvolver o valor extraordinário que a diversidade associada ao mar pode criar…

 



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