Um grupo de mais de cem migrantes provenientes da Líbia foi resgatado do Mediterrâneo pelo navio tanque Elhiblu 1. Como o capitão quis desembarcá-los na Líbia, os migrantes amotinaram-se, controlaram o navio e forçaram uma nova rota rumo à Europa. As Forças Armadas Maltesas interceptaram o navio, devolveram o comando ao seu capitão e desembarcaram migrantes e tripulantes em Malta
Team Humanity
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Uma força especial militarizada maltesa abordou o navio tanque turco Elhiblu 1, com pavilhão de Palau, que havia sido sequestrado Quarta-feira por migrantes, aparentemente provenientes da Líbia, em dificuldades no mar e que ele próprio tinha resgatado do Mediterrâneo, e devolveu o controlo do navio ao seu capitão, referem vários meios de comunicação internacionais.

Segundo várias notícias, os migrantes, em número diferente conforme as fontes de informação (120, para as autoridades italianas, 108 para as autoridades maltesas, 100 para outros meios de comunicação), terão tomado o controlo do navio, proveniente da Turquia, depois de este ter assumido a direcção da Líbia para ali os desembarcar.

Em causa estaria o medo dos migrantes de, após o desembarque, serem enviados para os centros de detenção/acolhimento líbios, conhecidos por serem palco de alegados maus tratos e violações dos direitos humanos por parte das autoridades locais. Por esse motivo, os migrantes terão obrigado o capitão do navio a alterar a rota e a dirigir-se para norte, em direcção a Malta ou à ilha italiana de Lampedusa.

Desde logo, as autoridades italianas terão monitorizado a situação e manifestado o desejo de que o navio não se dirigisse para as suas águas. O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, terá mesmo considerado que se tratava de “um acto de pirataria, o primeiro praticado por migrantes”.

De acordo com notícias divulgadas, a 30 milhas da costa de Malta, as forças militares maltesas terão interceptado o navio e estabelecido contacto com o comandante, que lhes terá dito que não controlava o Elhiblu 1 e que a sua tripulação fora ameaçada por alguns migrantes e forçada a rumar em direcção a águas maltesas.

Em seguida, uma equipa de operações especiais, apoiada por um navio-patrulha, duas lanchas rápidas e um helicóptero, abordou o navio, tomou o controlo do navio e devolveu-o ao capitão, antes de o escoltar até a um porto de Malta. O navio ancorou em Boiler Wharf, na cidade de Senglea. Durante a viagem até Malta, vários militares malteses armados terão permanecido no convés e à chegada estavam polícias no cais para tomar os migrantes sob custodia para investigação. Não foram divulgadas informações sobre a tripulação do navio.

Perante o incidente, o Secretário-Geral da Câmara Internacional da Marinha Mercante (International Chamber of Shipping, ou ICS), manifestou preocupação e considerou que o desembarque na Líbia de pessoas resgatadas cria um conflito potencial entre os tripulantes dos navios e os migrantes desesperados que não queiram regressar àquele país. Face aos números de  migrantes envolvidos nestas operações, a ICS sugere que esses migrantes sejam desembarcados em locais seguros, quer para os passageiros, quer para os tripulantes, mediante uma coordenação entre os capitães dos navios, os Estados costeiros e as autoridades responsáveis pelos resgates.

 

 

 



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