Um dos desafios que a CIP identifica no mar português é o da cooperação entre os diversos sectores da economia marítima.

Portugal é um país privilegiado por vários motivos, um deles a nossa geografia, que como referiu Jaime Braga, em representação do Presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, na Conferência sobre «A Economia Circular no Mundo Marítimo) promovida pelo Jornal da Economia do Mar e a Associação das Indústrias Navais (AIN), “sempre nos fizeram ultrapassar a mais que limitada dimensão do país”.

E sendo o mar vital, então, é o funcionamento das indústrias ligadas ao mar, portos, construção e manutenção naval, transportes marítimos, pesca, aquacultura, transformação do pescado, hotelaria costeira, náutica de recreio, serviços de segurança no mar, que estão em plena actividade e fazem crescer o país a partir do mar. Segundo a Conta Satélite da economia do mar do Instituto Nacional de Estatística (INE) e da DGPM, existirão em Portugal mais de 58 mil actividades económicas relacionadas com o mar, que empregam 160 mil trabalhadores e geram 4,7 mil milhões de euros.

Cinco questões foram reveladas pelo orador, consideradas importantes quando se fala no crescimento da economia do mar em Portugal: a importância de uma correcta exploração dos recursos minerais no mar (hoje um acervo legislativo internacionalmente aceite refere que há que “desencorajar práticas de esgotamento de recursos”); o mar é uma fonte potencial de energias renováveis; impõe-se melhorar a relação valor acrescentado/custos de transporte marítimo; é importante uma sustentabilidade energética no transporte marítimo; é fundamental; e finalmente, é fundamental uma coerência com os princípios da economia circular.

Sobre esta última questão, Jaime Braga recordou que estes princípios “estão bem expressos nas orientações da União Europeia”, e em Portugal constam do Plano de Acção para a Economia Circular. No entanto, para que Portugal cumpra o desígnio nacional da extensão da plataforma continental, é importante que haja cooperação. E foi por isso que António Saraiva aceitou presidir ao Observatório da Cooperação na Economia do Mar, que tem emitido mensagens semestrais, como sobre o papel que Portugal tem assumido em matérias de governação e protecção de Oceanos, na conferência da ONU, ou no Oceans Meeting e que foram o tema da mais recente mensagem.

O orador louvou ainda as cooperações que trouxeram a Portugal importantes provas e eventos desportivos, como a vela ou o surf, que marcaram a agenda desportiva, entre outros eventos. Há ainda, no entanto, necessidades, como “a realização de reuniões da Comissão Interministerial dos Assuntos do Mar (CIAM), a necessidade de reforço dos meios humanos e materiais das direcções da administração pública relacionados com o mar, o abastecimento de bens aos arquipélagos dos Açores da Madeira, o planeamento detalhado e a renovação de importantes frotas marítimas nos sectores de pesca, bem como na defesa da marinha mercante.



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