Para dar a conhecer um pouco do muito que ainda se desconhece dos fundos marinhos, foi inaugurada a exposição, Mar Mineral, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência.
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Numa primeira instância, a exposição Mar Mineral dá a conhecer um puco dos fundos marinhos, apresentando vários elementos naturais, alguns dos quais recolhidos a mais de 1 500 metros de profundidade, como uma chaminé hidrotermal com 400 quilogramas retirada do oceano Pacífico e emprestada pela empresa Nautilus Minerals, várias chaminés do mar dos Açores, duas pequenas chaminés do Ártico, nódulos polimetálicos cedidos pelo Instituto Coreano de Estudos Oceânicos, crostas ferromanganesíferas recolhidas no oceano Atlântico pela Missão da Extensão da Plataforma Continental, minérios e minerais da Faixa Piritosa Ibérica, e também um AUV em exposição, do Instituto Superior Técnico.

Para além disso, no que respeita à exploração dos mais recônditos espaços submarinos, a exposição conta igualmente com a apresentação de imagens recolhidas por diversos Veículos Submarinos Remotamente Operados, projectadas num cenário adequado a transmitir uma percepção o mais real possível desses ambientes tão inóspitos quanto ainda completamente estranhos para a maioria de todos nós.

Sob o comissariado científico de Fernando Barriga, Professor Catedrático em Geologia da Universidade de Lisboa, a exposição Mar Mineral tem também a finalidade de chamara a atenção da importância da futura mineração marinha, fazendo parte, inclusive, do projecto europeu, «Blue Mining: Breakthrough Solutions for Sustainable Deep Sea Mining», envolvendo 19 parceiros de 6 diferentes nações.

Como afirma o respectivo Comissário da Exposição, a necessidade de a Europa avançar no desenvolvimento de tecnologia que permita explorar os fundos marinhos através de uma mineração responsável e ambientalmente sustentável torna-se inevitável quando se sabe que a União Europeia, por exemplo, apenas produz cerca de 5% dos minerais que utilizados na respectiva indústria, bem como o facto de muitos dos minerais indispensáveis ao desenvolvimento dos mais avançados projectos tecnológicos, desde os telefones móveis, sensores, baterias e outros dispositivos integrantes dos novos sistemas de produção de energia renovável, estarem, por um lado, a esgotarem-se rapidamente em terra, bem como, por outro, a colocarem questões de geopolítica e geoestratégia bem complexas, sendo talvez o caso mais evidente o das designadas terras-raras em que a Chine detém, neste momento, um quase monopólio absoluto no fornecimento de tão crítica matéria-prima.

Nesse enquadramento, afirma ainda Fernando Barriga sobre a exposição Mar Mineral, reflectir a mesma essa necessidade de se dar início à nova exploração oceânica, tendo porém em atenção as principais premissas do projecto Blue Mining, ou seja, a de o fazer com tecnologia adequada a garantir uma máxima protecção do ambiente e da respectiva sustentabilidade.

Por outro lado, refere ainda Fernando Barriga, «a exposição é também uma oportunidade para o público ficar a par das oportunidades que Portugal tem de voltar a emparceirar na exploração oceânica, dado que com a extensão da Plataforma Continental Portuguesa, o país terá uma área de 3 800 000 quilómetros quadrados por explorar, ou seja, mais de 97% do seu território emerso», onde se destacam, entre outros aspectos, «a Crista Média Atlântica, uma região com 3000 metros de comprimento por 40 quilómetros de largura onde há boas hipóteses de encontrar sulfuretos maciços oceânicos a Sul dos Açores, bem como a descoberta também, há seis anos, a Norte dos Açores,  de um campo hidrotermal, até agora único, indicando a forte probabilidade de existência também de importantes jazigos minerais, além de se conhecerem já igualmente outras ocorrências mais modestas de crostas e nódulos polimetálicos e de hidratos de metano».



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