Kairos vs Chronos!?
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‘Kairos’ e ‘Chronos’ são duas palavras gregas que significam ‘Tempo’. Infelizmente, o frenesim que caracteriza o quotidiano das sociedades baseadas no consumo, deu uma excessiva importância à palavra ‘Chronos’, atribuindo-lhe um quási monopólio, no que ao ‘Tempo’ diz respeito. Andamos sempre a olhar para o relógio, a correr contra o tempo, a cronometrar os minutos e os segundos para chegar a algum sítio. Sendo muito importante a medição quantitativa do tempo (‘Chronos’), como instrumento de localização no tempo e como medida do ritmo, medida da velocidade a que os acontecimentos se sucedem, pode tornar-se contraproducente, quando nos deixamos aprisionar por ‘Chronos’, quando perdemos a noção do razoável e esquecemos os objetivos e os propósitos das ações.

Ao contrário de ‘Chronos’, ‘Kairos’ é um tempo não quantitativo, é um tempo qualitativo, é o tempo relacionado com o verbo ser, com permanência, com intemporalidade (quantitativa), com identidade, com propósito… Na linguagem popular, utilizamos muito a expressão “…foi no momento certo…”, não sabemos muito bem explicar, quantificar, mas ficamos com a sensação e a perceção de que aquele foi o tempo certo para alguma coisa.

Embora ‘Chronos’ e ‘Kairos’ tenham significados diferentes, nem sempre são antagónicos. Essa realidade acontece, por exemplo na passagem do ano, que é um dos momentos extremos de medição quantitativa do tempo, onde todos, praticamente sem exceção, estejam onde estiverem, acompanham, quase que religiosamente, a sequência quantitativa dos últimos segundos de um ano velho (‘Chronos’), mas ao mesmo tempo, mesmo que em frações de segundos, fazem um reflexão do passado e formulam desejos, propósitos, para a sua vida presente e futura (‘Kairos’). Acontece também, muitas vezes na navegação. Os navegantes, pescadores, velejadores, marinheiros, sabem, que navegam dentro de um tempo cronológico de um porto para o outro, mas ao mesmo tempo, a bordo, existe um tempo, um momento certo, de reflexão, de meditação. A bordo, o tempo corre de forma diferente. A bordo, o ‘Kairos’ sobrepõe-se ao ‘Chronos’.

Por incrível que possa parecer, até na economia do mar, esta dicotomia também existe. E, mantendo-nos nos contributos gregos, para o desenvolvimento da humanidade, o shipping de controlo grego (controlo grego sobre navios mercantes), é um excelente exemplo disso. Pois, se só olhássemos para a cronologia de acontecimentos da Grécia, seria impossível explicar a consistente liderança grega no mundo do shipping. Como todos sabemos, cronologicamente a Grécia vive uma grave crise económico-financeira, anteriormente, teve severas dificuldades económicas durante a segunda grande guerra, assim como, durante as invasões francesas, assim como, durante as invasões Otomanas… sem nunca deixar de ser uma nação líder no mundo do shipping. Só o foco no seu propósito e na sua identidade marítima (‘Kairos’) independentemente das conjunturas (‘Chronos’) económico-sociais, permite à Grécia ser o número um mundial do shipping!



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