Investigadores ficaram “muito agradados com o nível e com o entusiasmo dos jovens” que participarão no projecto por intermédio do Portwims, que financiará parte da experiência.
Portwin
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Atlantic Meridional Transect, Polarsten e Antárctida são os nomes dos navios de cruzeiro que darão hipótese a jovens investigadores portugueses de estudar os oceanos a bordo de uma embarcação de pesquisa oceanográfica. Jovens esses que foram elogiados pelo seu nível e entusiasmo na reunião do projecto Portwims (que ocorreu nos dias 22 e 23 de Outubro na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) por investigadores ingleses e alemães, que anteciparam que “os resultados da cooperação com Portugal serão muito positivos para as suas respectivas equipas”, como referiu Vanda Brotas, professora do Departamento de Biologia Vegetal da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, investigadora no MARE e coordenadora do projecto, ao Jornal da Economia do Mar.

A reunião serviu para delinear ideias para trabalhos em comum e estudar a logística da participação nos próximos cruzeiros. Ali foi “discutida a ligação entre investigação e inovação, tendo os parceiros identificado problemas comuns assim como estratégias de funcionamento em comum. A reunião marcou o início de um projecto, levando, cada equipa, uma longa lista de Trabalhos Para Casa”, explica Vanda Brotas.

O Atlantic Meridional Transect é um navio britânico de 1995 que percorre, pela 28º vez, o Oceano Atlântico, recolhendo dados relacionados com as comunidades planctónicas do oceano e com os ciclos biogeoquímicos, ligando os dados recolhidos com imagens obtidas por satélite sobre a cor do oceano, com o objectivo de estimar a função do plâncton no ciclo do carbono e avaliar eventuais efeitos das alterações climáticas. Neste cruzeiro participarão Afonso Ferreira e Andreia Tracana, que já atravessaram este mês o Equador a bordo do navio James Clark Ross.

O Polarsten, igualmente activo no Ártico e na Antárctida, realiza pesquisas no Mar do Norte e nas regiões costeiras adjacentes da Alemanha, combinando abordagens inovadoras, excelentes infra-estruturas de pesquisa e anos de experiência, onde Mara Gomes irá participar em Junho de 2019. Fará o percurso inverso do Atlantic Meridional Transect, do sul da Patagónia até ao Mar do Norte.

Este projecto, do programa Twinning H2020 da comunidade europeia, “pretende desenvolver a capacidade cientifica dos investigadores portugueses no âmbito das ciências marinhas aumentando o impacto da investigação de ciências marinhas em Portugal, através da publicação de artigos científicos com grande impacto na comunidade cientifica, da submissão com sucesso de propostas financiadas por programas de financiamento internacionais, de melhorar a ligação entre investigação e as empresas, inovação e  transferência de conhecimento, numa época em que a Economia Azul (Blue Economy, Blue Growth) e a sustentabilidade são conceitos imprescindíveis para o crescimento e desenvolvimento dos países”, como explica Vanda Brotas.

Estes projectos necessitam, no entanto, de um “financiamento considerável, na ordem de 25 mil euros por dia”, que os jovens terão do projecto Portwims, que contribuirá com cerca de 5 mil euros para cada jovem (pagando apenas a estada a bordo), explicou Vanda Brotas. O Programa Propolar Português financia a viagem dos investigadores que vão embarcar num navio brasileiro, e o projecto Portwims financia, durante 3 anos, a participação em cruzeiros oceanográficos, treino em institutos da Alemanha e Reino Unido, bem como a frequência em summer schools. Como parceiro português, têm o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), ligado à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), esperando, no entanto, mais ligações com outras equipas portuguesas, para que o programa possa ganhar mais projecção.

“Para os jovens é uma experiência fantástica, extremamente enriquecedora, que os vai ajudar a definir o seu percurso futuro, e que os põe em contacto com cientistas de elevado nível, com novas ideias e metodologias. Para Portugal, a participação dos jovens nestes cruzeiros irá contribuir para a realização de trabalhos em regiões oceânicas de difícil acesso”, explicou a Coordenadora do projecto.

Os resultados obtidos durante expedições serão divulgados sob a forma de artigos científicos em revistas internacionais de referência. Destas viagens resultarão igualmente teses, pelo que, comunicar os resultados dos cruzeiros e do Portwims em português para o publico em geral, e para a população escolar em particular, é um dos propósitos.

O programa Twinning, vocacionado para todas as áreas do conhecimento, é especialmente direccionado para países que têm uma prestação científica abaixo da média europeia. Portugal é um exemplo entre outros, como o Chipre, Luxemburgo, Roménia ou Croácia. Note-se que neste âmbito foram entregues 500 candidaturas, das quais apenas 30 foram aprovadas (daí os 6%). Seis das quais são equipas portuguesas em várias áreas do conhecimento, sendo que Portugal é o único a ter projectos na área das ciências do mar.



Um comentário em “Jovens portugueses terão oportunidade de participar em cruzeiros oceanográficos internacionais”

  1. Ana Maria diz:

    Quero ir.

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