Horizonte 2020 apoia consórcio durante três anos
SHiplys

Durante os próximos três anos, o Centro de Engenharia e Tecnologia Naval e Oceânica (CENTEC) do Instituto Superior Técnico (IST) vai dispôr de 700 mil euros do programa Horizonte 2020 para participar no desenvolvimento do projecto SHIPLYS (Ship Lifecycle Software Solutions), um software de apoio à construção e reparação naval destinado a pequenos e médios estaleiros europeus.

O principal objectivo deste software é melhorar a competitividade das pequenas e médias empresas europeias de construção e reparação naval, diminuindo tempos e custos de produção, desenvolvendo capacidades para apresentar novos conceitos e protótipos de navios e respondendo aos desafios técnicos, ambientais, económicos e de risco associados à construção de navios.

Conforme nos explicou Yordan Garbatov, o líder da equipa do CENTEC envolvida no projecto, este software servirá para projectar os navios, considerando factores como a dimensão dos estaleiros, o custo e uso dos materiais, o tempo de vida dos navios, os riscos económicos da sua construção, a sua rentabilidade em vida, os requisitos técnicos envolvidos e os desafios ambientais impostos.

Entre os navios que podem estar a ser pensados pelo CENTEC para efeitos do projecto incluem-se embarcações de short sea shipping (transporte marítimo de curta distância) e de transporte entre o continente e as Regiões Autónomas. De acordo com Yordan Garbatov, são tipos de navios que se adequam ao modelo do projecto.

De acordo com o mesmo responsável, este “é um projecto 80 por cento orientado para uma aplicação prática e optimização económica e apenas 20 por cento vocacionado para a descoberta científica”, conforme a filosofia do programa de apoio financeiro da União Europeia (UE), que atribuiu um total de 6,2 milhões de euros ao seu desenvolvimento durante os próximos três anos.

Neste projecto, o IST terá onze parceiros: três estaleiros (Ferguson Marine Enginering Ltd, do Reino Unido, Varna Maritime Limited, da Bulgária, e Astilleros de Sandander SA, de Espanha); duas Universidades (Universidade Técnica Nacional de Atenas – NTUA, da Grécia, e Universidade de Strathclyde, do Reino Unido); um especialista internacional em engenharia marítima (o BMT Group Ltd, do Reino Unido, através das empresas britânicas BMT Smart e BMT Nigel Gee); duas empresas de arquitectura naval e soluções para cadeias de abastecimento (as2con-Alveus d.o.o., da Croácia, e a Atlantec Enterprise Solutions GmbH, da Alemanha); duas entidades industriais de R&D (TWI Ltd, do Reino Unido e que lidera o consórcio, e a Fundacion Centro Tecnologico Soremar, de Espanha); e uma entidade de validação de standards Lloyd’s Register EMEA IPS, do Reino Unido.

Conforme nos explicou Yordan Garbatov, o IST convidou dois estaleiros nacionais para acompanharem o Instituto no projecto, mas ambos não estiveram disponíveis. Um por dificuldades financeiras e outro por outros motivos. Entretanto, para manter a possibilidade de envolvimento no projecto, o IST teve que agregar um estaleiro, tal como fizeram a NTUA e a Universidade de Strathclyde. E convidou o Varna Maritime Limited, da Bulgária, que aderiu. O investigador, porém, não perdeu a esperança de que um dos estaleiros portugueses contactados possa, numa fase mais adiantada do processo, assumir uma posição de observador do projecto.

Sem admitir que tenha sido o caso, o investigador do CENTEC reconhece que a adesão a este tipo de projectos é uma questão sensível e complexa. “Porque implica a partilha de informação e dados com os investigadores, o que pode não agradar às empresas num ambiente de concorrência”, refere. Por isso, não é invulgar as empresas rejeitarem colaborar em projectos de investigação nestas circunstâncias.

Para desenvolver o projecto, o IST conta, além do Professor Yordan Garbatov, com a colaboração dos Professores Carlos Guedes Soares e Manuel Ventura. Os três formam a equipa nuclear do IST nesta iniciativa. No entanto, os investigadores esperam contratar até mais sete colaboradores. O número, porém, não é rigoroso, pois dependerá das necessidades a identificar e da disponibilidade financeira. É que o projecto só arrancou formalmente no dia 1 de Setembro, pelo que “está tudo no princípio”, refere Yordan Garbatov, optimista quanto ao resultado.

A seu cargo, no âmbito do consórcio, o IST terá o desenvolvimento da componente de projecto e estruturas, de avaliação de risco e da optimização de projectos, nas quais dispõe de “boas capacidades”, refere o investigador do CENTEC. A Universidade grega trabalhará mais na vertente dos modelos de custo e a Universidade britânica vai analisar a vertente das máquinas, áreas em que estas instituições são mais especializadas.



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