A UK Chamber of Shipping receia que as medidas para reduzir a velocidade dos navios como forma de reduzir emissões possam ser mais prejudiciais do que benéficas, quer no plano económico, quer no ambiental.
BIMCO
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A UK Chamber of Shipping, uma associação representativa da indústria marítima do Reino Unido, considerou recentemente que a prescrição da redução da velocidade dos navios para reduzir as emissões de poluentes pelo transporte marítimo pode ser contraproducente.

A ideia não é nova nem desconhecida da Organização Marítima Internacional (IMO, no acrónimo em inglês), mas é controversa e não tem sido admitida pelas instâncias internacionais devido ao impacto económico que pode ter no sector. Todavia, com a aproximação das novas regras da IMO sobre emissões neste sector, já a partir de 2020, o tema volta a merecer a atenção da indústria.

Na sua recente nota, a UK Chamber of Shipping lembra que em 2018 a indústria marítima comprometeu-se a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa para metade até 2050, com uma meta de redução de 40% até 2030 face a valores de 2008. E sublinha que este mês, a IMO vai discutir as possíveis medidas a adoptar pela indústria no âmbito da transição para uma economia de baixo carbono.

Neste contexto, deverão estar em discussão propostas da França e da Grécia no sentido de prescrever uma regulação para a redução da velocidade dos navios para assim diminuir o consumo de combustível e por essa via, as emissões de poluentes, que prometem não ser consensuais, refere a UK Chamber of Shipping.

“Se a IMO decidir admitir prescrever uma regulação da velocidade para ir ao encontro dos seus objectivos de curto prazo, isso atrasará a transição para o baixo carbono e implicará grandes custos, mais tarde, para a indústria”, refere a UK Chamber of Shipping.

O argumento de que a redução da velocidade contribui para a redução do consumo de combustível, segundo a UK Chamber of Shipping, “é baseado em estudos de simulação de velocidades em que se presume que os navios navegam sempre à mesma velocidade”. “Não seria a primeira vez em que, observadas estas realidades sob um prisma mais realista, se verificaria que as economias seriam mínimas ou mesmo negativas”, acrescenta a mesma entidade.

A associação refere também que “os benefícios actuais no consumo de combustível decorrentes de uma redução de velocidade dependem de vários factores, como o tipo e a dimensão dos navios, a área de operação, as condições meteorológicas, etc.” e que, além disso, “seriam negados pela perda de capacidade, que iria exigir a construção de navios adicionais e a sua reciclagem, numa fase mais tardia”.

Para a associação, outros factores contrariam os eventuais benefícios associados à redução da velocidade dos navios. Segundo a UK Chamber of Shipping, essa redução pode gerar a transferência do transporte da carga para outros modos, elevando o volume de emissões de gases de efeito de estufa.

Além disso, alguns navios podem escalar portos com uma navegação frequentemente sujeita a variações de marés, onde um atraso de uma ou duas horas pode gerar atrasos posteriores de 12 horas, provocando prejuízos económicos e até mais emissões, resultantes da espera pela próxima maré favorável.

Entretanto, segundo o Safety4Sea, mais de 100 empresas de transporte marítimo, entre as quais a Tsakos Shipping and Trading, a Navios Maritime Holdings, a Dynagas a Euronav e a Louis Dreyfus, manifestaram o seu apoio à medida, que implica a obrigatoriedade de limites de velocidade para os navios visando a redução de emissões.



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