Durante uma cimeira sobre transporte marítimo, um responsável da Câmara Internacional da Marinha Mercante reconheceu que 10 anos depois da crise de 2008, os desafios que então se colocaram ao sector permanecem actuais
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O Secretário-Geral Adjunto da Câmara Internacional da Marinha Mercante (ICS, na sigla inglesa), Simon Bennet, considerou que, dez anos depois da famosa crise de 2008, que também afectou o transporte marítimo, evitar o excesso de capacidade instalada e as baixas tarifas de frete continuam a ser os grandes desafios do sector, referem vários meios de informação internacionais.

Perante uma audiência de armadores e operadores deste sector, durante a Global Maritime Summit 2019, em Istambul, na Turquia, no dia 3 de Abril, Simon Bennet considerou que em 2008, “as empresas de transporte marítimo precisaram de mostrar contenção nas encomendas de novos navios” para impedir um garrote na recuperação. Todavia, “as nuvens negras do proteccionismo e do crescimento lento nas principais economias significam que evitar o excesso de encomendas é hoje mais importante que nunca” acrescentou aquele responsável.

Para ele, “tal como a tentação de encomendar por excesso, também as decisões sobre quando reciclar navios velhos fazem parte da equação”, mas existem boas notícias relativamente à incerteza de aspectos regulatórios e que tem dificultado as decisões sobre o melhor momento para abater os navios, que está a ser ultrapassada.

Tais notícias incluem a definição de datas para a implementação daConvenção Internacional para o Controle e Gestão das Águas de Lastro e Sedimentos dos Navios (Convenção BWM) e a aproximação da entrada em vigor das normas da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla inglesa) sobre o teor de enxofre nos combustíveis marítimos, confirmada para 2020.

Por outro lado, lembrou que a encomenda de navios, em porte bruto (deadweight tonnage), caiu 14% em 2018, cerca de 17% abaixo da média desde a crise de 2008, o que sugere que muitos armadores podem estar a resistir à tentação de encomendar por excesso. E no início de 2019, “as encomendas globais de navios parecem ter estabilizado em 10% da frota existente”, referiu Simon Bennet. Porém, “a relutância dos Governos da Ásia, onde a grande maioria dos navios são construídos, em enfrentar o problema do excesso de construção, permanece uma questão séria”, acrescentou.

Simon Bennet admitiu também que “as opiniões dividem-se sobre se a rápida globalização dos últimos 30 anos pode ter chegado ao fim e se o reduzido ritmo de crescimento do comércio a que se assiste desde a crise de 2008 representa algum tipo de mudança estrutural”, acrescentando que “em 2019, certamente, a perspectiva para a economia global e, consequentemente, para procura de transporte marítimo, é a de um agravamento da situação”.



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