A Flying Sharks conta com cerca de 100 a 120 encomendas por ano de animais marinhos vivos
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Ao nível de captura de animais vivos em larga escala, dos fornecedores que têm capacidade de responder a encomendas de «milhares de indivíduos», são apenas cinco os players a nível mundial: na Florida (EUA), Austrália, Taiwan, Holanda e, nos Açores, a Flying Sharks.

A Flying Sharks comercializa animais marinhos vivos (peixe e invertebrados marinhos) capturados na costa portuguesa (Açores, Peniche e Olhão) que são depois enviados para aquários pelo mundo inteiro: Europa, Estados Unidos da América, Canadá, Arábia Saudita, Dubai (Emirados Árabes Unidos), Japão, China e Singapura, entre outros.

Os clientes são quase exclusivamente aquários e institutos estrangeiros (99%). Em Portugal, o Oceanário compra exemplares ocasionalmente, tendo ainda a empresa como clientes o Aquário Vasco da Gama, o Sea Life Centre do Porto, o Fluviário de Mora, , o Zoomarine e o Museu Marítimo de Ílhavo. Em média, a Flying Sharks tem uma encomenda nacional por ano por instituto.

O volume de negócios «ainda é pequeno», já que a empresa está a crescer. A Flying Sharks está «a tentar chegar aos 500 mil euros de facturação anual», tendo já ultrapassado esse valor numa circunstância excepcional, em 2010, aquando de um transporte para a Turquia com dois aviões A300 cheios, tendo chegado a quase um milhão de euros de facturação, num transporte que exigiu um investimento na ordem dos 200 mil euros em equipamento. A Flying Sharks é uma empresa pequena que conta com cinco colaboradores e cinco estagiários, para além de múltiplos voluntários, na sua maioria estudantes da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, onde o sócio fundador lecciona Biologia Marinha.

É na fase do transporte dos animais vivos que a empresa encontra grandes dificuldades, pois transportar grandes quantidades de água representa grandes custos. «É preciso levar equipamento que trate a água, como oxigénio, baterias, filtros» e ter as respectivas licenças em cada país para o qual se viaja, o que exige muito esforço por parte da empresa.

A Flying Sharks utiliza preferencialmente recursos já existentes, alugando barcos e trabalhando com pescadores comerciais. Isauro, um pescador nos Açores que trabalha pontualmente com a Flying Sharks, recebe 400 a 500 euros por encomenda, por vezes até mais. «Um peixe vivo vale muitíssimo mais do que morto» visto que exige muito trabalho na sua captura. Para capturar um peixe são necessárias redes de mão, bidões com tampas e a captura é individual, para se ter a certeza de que os indivíduos cumprem as exigências do cliente (por exemplo, quanto ao tamanho de cada peixe). Apanhar dez peixes pode demorar «uma tarde inteira», refere João Correia.

Depois de trabalhar 12 anos no Oceanário capturando animais na costa portuguesa e encomendando a outros fornecedores, João Correia iniciou a Flying Sharks em 2006, juntamente com José Graça, do Oceanário, e Hirofumi Morikawa, Director da Tunipex. Em 2008, a Flying Sharks recebeu um pedido de captura de mantas para o Dubai, o que levou a Flying Sharks para os Açores, a partir da qual se dá a entrada do sócio Telmo Morato e a sede da empresa muda para a Horta.

A Flying Sharks conhece bem a concorrência e mantêm uma boa colaboração, partilhando experiências e divulgando informação. Por estarem a trabalhar com animais vivos, as empresas deste sector têm um grande sentido de responsabilidade, já que a intenção do negócio é proteger os indivíduos que ficam na natureza, através da informação transmitida nos aquários ao público e aos programas de conservação.

As espécies de animais que João Correia considera serem o «forte da empresa» são os peixes-lua, cardumes de cavalas, corvinas, sarrajões, douradas, pequenos peixes e alguns invertebrados (anémonas, ouriços, etc.). Recentemente começaram a trabalhar com peixes tropicais em São Tomé e Príncipe.

Neste momento, a Flying Sharks prepara uma encomenda para a Arábia Saudita de peixes de São Tomé, que levou três colaboradores a esse arquipélago. Esta é a primeira encomenda de peixes de São Tomé, esperando João Correia que seja a primeira de muitas e levando a empresa a trabalhar com os pescadores locais. A Flying Sharks prepara-se também para apostar na consultoria a novos aquários, por exemplo em Luanda e Rio de Janeiro, dando uma ajuda no design dos aquários, capturando peixes in loco e dando formação. O principal objectivo da empresa é que os peixes cheguem em excelentes condições ao destino, não só por motivos éticos, mas também porque «não há melhor publicidade que um record consistente de bons resultados», refere João Correia.

O embargo russo causou a perda de uma encomenda «muito substancial» de um cliente russo e agora a Flying Sharks procura entrar em países como África do Sul, Chile, Brasil, Índia, Israel e Irão, entre outros. Uma das piores experiências da Flying Sharks foi uma encomenda de 20 bacalhaus para o Museu de Ílhavo, em 2012, que chegaram ao destino congelados. Em Oslo, na Noruega, as caixas com os bacalhaus ficaram na rua durante seis horas, com 19 graus negativos, facto que «nunca teria ocorrido em Lisboa», refere João Correia, onde a empresa tem beneficiado de «tratamento incrivelmente profissional» por parte de todos os parceiros com que labora habitualmente.

A Flying Sharks presta ainda alguns serviços de consultoria e de Ecoturismo científico, com o objectivo de ligar as pessoas à natureza com cientistas, na área de educação ambiental.

 



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