Um relatório da Agência Internacional de Energia traça um panorama do mercado do gás, incluindo o GNL, até cinco anos de distância e antecipa o papel cada vez mais influente dos Estados Unidos nesse contexto
Porto de Singapura
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Daqui a cinco anos, os Estados Unidos estarão a desafiar a Austrália e o Qatar na liderança da exportação mundial de gás natural liquefeito (GNL), concluiu um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre as perspectivas do mercado do gás natural para o quinquénio 2017-2022.

Graças a um aumento da procura de gás no plano doméstico, principalmente por parte da indústria, mais de metade do aumento da produção de gás dos Estados Unidos será destinada a GNL, para exportação, refere a AIE. A agência refere que o GNL dos Estados Unidos será um catalisador da mudança no mercado de gás, diversificando abastecimentos, desafiando modelos de negócio tradicionais e transformando o panorama da segurança no sector.

Uma nova vaga de capacidade de liquefacção do gás natural – liderada pela Austrália, mas que deverá ser superada pelos Estados Unidos – está a surgir, num mercado em transformação e com abundância do produto, muito por causa do aumento de produção de gás nos Estados Unidos, e ameaça influir na formação de preços e nos modelos de negócio tradicionais, atraindo novos países consumidores de GNL, como o Paquistão, a Tailândia e a Jordânia.

De acordo com o relatório da AIE, em 2022, os Estados Unidos serão responsáveis por 40% do aumento mundial da oferta de gás nestes cinco anos, essencialmente devido ao enorme crescimento da produção interna de gás de xisto. Mas importa não esquecer a capacidade exportadora da Rússia, o segundo maior produtor mundial de gás, na sequência de uma estagnação do seu mercado interno, do aproveitamento de um projecto na Península de Yamal, que lhe permitirá exportar GNL, designadamente para a China, via oleoduto, no final do período em análise, refere a AIE.

A agência assinala também alguma insegurança do abastecimento, motivada, designadamente, pela concorrência entre o GNL importado e o fornecimento de gás por oleoduto na Europa e pela crise diplomática entre o Qatar, fornecedor de 1/3 do GNL mundial, e outros países árabes.

Ao aumento de produção de GNL, mesmo sustentado por um aumento da procura, que ocorreu desde 2005 (de 15 países importadores, nesse ano, os importadores passaram para 39, actualmente) e que poderá continuar a crescer (mais 8 países até 2022), não corresponderá necessariamente um reequilíbrio do mercado deste produto antes de 2022, refere a agência. O excesso de petróleo e a correspondente queda dos preços arrastaram o preço do gás natural para uma queda, limitando oportunidades de uma exportação rentável.

A agência sublinha que entre 2017 e 2022, a procura mundial de gás crescerá 1,6% ao ano, atingindo então um consumo de 4 mil biliões de metros cúbicos. Os Estados Unidos serão responsáveis pela produção de 890 biliões de metros cúbicos, mais de 20% desse total. E a produção do depósito natural de gás Marcellus, um dos maiores do mundo, com 246 mil quilómetros quadrados, na Pensilvânia, terá aumentado 45% entre 2016 e 2022.

 



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