São dados da Clarksons relativos ao 1º trimestre deste ano citados na imprensa e que dão conta de uma diminuição na procura de navios, essencialmente tanqueiros e graneleiros
Clarksons
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As encomendas globais de navios do primeiro trimestre de 2019 – 3.200 unidades, equivalentes a 81 milhões de toneladas brutas – terão caído para o seu nível mais baixo dos últimos 15 anos, revela um relatório recente da consultora Clarksons, citado pelo Wall Street Journal.

Esta quebra generalizada afectou especialmente os grandes estaleiros mundiais da Coreia do Sul, China e Japão, provocando o fecho de algumas operações, a consolidação/fusão de negócios e outras soluções, visando a continuidade dos serviços. Segundo a consultora, há cerca de uma década, os tanqueiros de crude e os graneleiros representavam dois terços das encomendas, mas este ano representam apenas 42%.

Em contrapartida, a quota de mercado dos navios de gás natural liquefeito (GNL) e de cruzeiro aumentou. Em dez anos, as encomendas dos navios de GNL (141) passaram de 2% para 13% do total e as de navios de cruzeiro passaram de 2% para 12%.

De acordo com o corretor de navios Banchero Costa, citado pelo Wall Street Journal, no primeiro trimestre deste ano, foram encomendados 18 tanqueiros, equivalentes a 4.5 milhões de toneladas, quando no trimestre homólogo de 2018 as encomendas destes navios equivaliam a 5.13 milhões de toneladas. Também no primeiro trimestre deste ano, foram encomendados 13 novos navios de GNL, segundo a DNB Markets, citada pelo mesmo jornal.

Para o aumento de pedidos de navios a GNL têm contribuído, sem surpresa, vários factores. Por um lado, são uma resposta das empresas às exigências de menos emissões poluentes impostas pela Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) ao transporte marítimo e que entram em vigor já em Janeiro próximo. Por outro, são uma reacção do mercado ao aumento da procura de GNL em países como a China, o Japão e a Índia, qualquer deles muito populoso, onde se verifica uma substituição do carvão pelo gás como fonte energética e de aquecimento. Finalmente, o aumento das exportações de GNL dos Estados Unidos reforça a necessidade de novos navios de GNL.

A este propósito, o Korea Development Bank e a Korea Trade-Investment Promotion Agency, citados pelo Safety4Sea, consideram que em 2025 os navios alimentados a GNL seis em cada dez novas encomendas de navios (cerca de 60,3%) serão para unidades a GNL, muito por força dos requisitos ambientais mais exigentes em vigor. As duas entidades consideram ainda que face a números de 2016 (310 mil toneladas), a procura de navios de GNL aumentará dez vezes, para 3.2 milhões de toneladas, em 2030. Já a Clarksons e a sociedade classificadora Lloyd’s Register, citadas pelo Safety4Sea, consideram que até 2025 serão construídos 1.962 novos navios a GNL.

Na hipótese de os estaleiros sul-coreanos virem a construir mais de 60% da frota mundial de grandes navios a GNL, o mercado doméstico de equipamento para esses navios na Coreia do Sul poderá expandir-se dos 2,3 mil milhões de euros de 2017 para os 9,3 mil milhões de euros em 2020, refere o Safety4Sea.



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