A morte de Eduardo Lourenço despertou uma unanimidade de homenagens que muito nos surpreendeu, afinal era muito mais lido, meditado e seguido do que alguma vez imaginámos possível _ o que talvez explique também, em grande medida, porque tão inconscientes ainda somos da importância da Nação Marítima que somos…


3 comentários em “Eduardo Lourenço e a Negação da Nação Marítima que Somos”

  1. Jose Luis G Cardoso diz:

    Comentário MUITO .OPORTUNO.
    Parabéns ao GMC e Votos de Muita Saúde para continuar a mostrar a presença e actualidade do JEM

  2. João Bebiano diz:

    Os velhos e estafados temas: “Somos uma Nação Marítima”, ” O Mar é o Nosso Desígnio Nacioanal” “somkos um País de Marinheiros”, etc.etc. sinceramente são inverdades repetidas e já insuportáveis e poluentes da nossa inteligência. Nós somos uma nação que tem mar mas isso não basta para sermos uma nação marítima porque não temos marinha mercante, não temos frota pesqueira significativa, não temos uma indústria naval relevante, não temos náutica de recreio ,praticamente não temos marinheiros e não temos tido capacidade para aproveitar os nossos recursos marinhos em suma há corpo mas não há membros. Somos o único país da Europa que ainda mantêm as Capitanias dos Portos (um atavismo da época de Colbert) a intervir na Administração Marítima Civil quando devia exercer DEVIDAMENTE a função de “Coast Guard” e serviço SAR, e depois admiram-se da União Europeia vir preencher esse vazio.. A única coisa que temos feito “pelo Mar” em demasia nos últimos 40 anos foram LIvros Brancos e de outras cores, Planos e Orientações Estratégicas Nacionais para o Mar, e outros inúmeros estudos mas acções e realizações concretas, ZERO. Como dizia Eduardo Lourenço: também no Mar somos muito pequenos para estarmos sempre a pôr-nos em bicos de pés.

    1. Caro João Bebiano,

      Desistimos? Voltamos a pensar na União Ibérica como figuras tão notáveis quanto um Antero chegaram a defender? Vendemo-nos aos Estados Unidos, à China? Tansformamo-nos numa província da Alemanha ou, mais simplesmente, prosseguimos alegremente, sem zanga, na cepa torta em que nos encontramos?…
      Não devemos, temos mesmo obrigação, de pensarmos no que Portugal é para ser, no que pode ser?…
      Nada disso nada tem a ver com querermos colocar-nos em picos dos pés mas tão só e apenas sermos nós _ nada mais. Essa a nossa perspectiva e o que defendemos. Não temos ilusões, não nos colocamos em bicos dos pés, mas, como também diria Pessoa, «nem parvos nem romancistas russos». Apenas isso, apenas isso…

      Os nossos respeitos,
      Gonçalo Magalhães Collaço

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