São os dados mais recentes (2017) fornecidos pelo último relatório da CE sobre a economia azul da União Europeia, ontem lançado em Lisboa, que também assinala um VAB de 180 biliões de euros
National Oceanography Centre

Ontem, em Lisboa, a Comissão Europeia (CE) aproveitou a sessão inaugural do Dia Marítimo Europeu (DME), promovido pela Direcção-Geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas (DG MARE) da própria CE, Ministério do Mar e Câmara Municipal de Lisboa (CML), para lançar a mais recente edição do seu relatório sobre a economia azul. O documento tem pouco mais de 200 páginas e foi preparado pela DG MARE e pelo Centro de Investigação Conjunta (Joint Research Centre), tutelado por Tibor Navracsics, comissário europeu da Educação, Juventude, Cultura e Desporto.

De acordo com o relatório, que recorre aos números mais recentes disponíveis, em 2017, a economia azul da União Europeia (UE) empregava directamente 4 milhões de pessoas e gerou um volume de negócios de 658 biliões de euros e um valor acrescentado bruto (VAB) de 180 biliões de euros.

Alem disso, pela primeira vez, este relatório apresenta uma perspectiva das bacias marítimas europeias. Nesse sentido, o documento refere que cerca de quase 45% da população da UE (214 milhões de pessoas) vivem em zonas costeiras e regista que dessas populações, as que vivem nas zonas costeiras do Norte (Atlântico e Mar do Norte) tendem a ter um Produto Interno Bruto (PIB) per capita mais elevado do que as que vivem nas regiões do Sul (Mediterrâneo e Mar Negro).

O documento diz também que se registou um crescimento quer nos sectores tradicionais, quer nos sectores emergentes (energia eólica offshore, energia das marés e das ondas, minerais marinhos, dessalinização, defesa marítima e bioeconomia azul). No caso dos sectores tradicionais, o relatório diz que tiveram uma aceleração do VAB desde 2013, excepto no caso da extracção de recursos não vivos. O VAB do turismo costeiro, recursos marinhos vivos e actividades portuárias terá crescido cerca de 20% na última década, mas o do petróleo e gás terá caído 34%, influenciado pela queda dos preços do petróleo e da redução da extracção em locais offshore onde essa operação é mais dispendiosa. Quanto aos sectores emergentes, têm um potencial de crescimento, bem como de crescimento dos empregos relacionados, especialmente nas energias renováveis.

O relatório também refere que o transporte marítimo sofreu um declínio, embora suave (3%). Entre 2009 e 2017, refere-se, o emprego cresceu principalmente no turismo costeiro (10%) e nas actividades portuárias (25%). No transporte marítimo e na construção e reparação naval, o emprego cresceu face aos mínimos registados em 2013 e 2014, mas sem recuperar dos níveis de 2009.

A CE faz igualmente uma referência especial à energia eólica offshore, que registou um crescimento exponencial e levou a um crescimento semelhante em empregos nas comunidades costeiras da UE. De 20 mil empregos em 2008, esta activdade passou a representar 210 mil empregos em 2018. E atraiu investimentos, tal como a dessalinização. Na bioeconomia azul atingiram-se os 17 mil empregos, incluindo indirectos.

No plano dos investimentos, a CE nota que o Banco Europeu de Investimentos (BEI) apoia vários projectos de actividades estabelecidas e emergentes, como pesca, aquacultura, transporte marítimo, biotecnologia, turismo costeiro e energia. No total, ao longo dos últimos 10 anos, o BEI financiou taos projectos com mais de 20 biliões de euros.

O relatório faz ainda uma referência às despesas e perdas de receitas provocadas do lixo marinho, que ascende a 11 biliões de euros anuais em sectores como a pesca, aquacultura, turismo e governação. O impacto negativo das alterações climáticas sob a forma de cheias em zonas costeiras da UE está estimado entre os 12 e os 40 biliões de euros anuais em 2050, afectando entre 500 mil e 740 mil cidadãos da UE, conforme o cenário a verificar.



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