A consultora considera que o investimento nos mega-navios, como faz a HMM, retarda a recuperação no sector e que a estratégia da Maresk e da CMA CGM de integrarem a sua actividade com a logística, se resultar, pode alterar o panorama concorrencial nesta indústria
Drewry
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As empresas de transporte marítimo estão a distinguir-se entre si através de estratégias diferentes, algumas das quais, se forem bem-sucedidas, podem alterar o panorama do sector, considera a consultora Drewry, mencionada no World Maritime News.

De acordo com a consultora, a indústria do transporte marítimo está a seguir três grandes estratégias: integração com outras actividades logísticas, consolidação da própria actividade de transporte marítimo ou aumento de escala.

Para a Drewry, a integração do transporte marítimo com outras actividades, como a logística de contentores, que está a ser prosseguida pela Maersk e a CMA CGM, através de aquisições, investimento orgânico, incorporação de entidades logísticas no transporte marítimo ou combinação destas soluções, se resultar, desequilibrará a concorrência nesta indústria.

Embora experiências anteriores de consolidação por integração de negócios ainda não tenham provado a sua rentabilidade de modo sustentável, neste momento, a digitalização e a automatização, designadamente, nas tarefas mais elementares das transacções logísticas, parecem criar oportunidades que antes não existiam.

Agora, o objectivo parece ser aproximar a actividade cada vez mais dos carregadores, satisfazendo todas as suas necessidades de transporte e logística e é tentador seguir essa via se imaginarmos que os carregadores respondem positivamente ao desafio.

Já a Hapag-Lloyd optou pela especialização no seu produto principal, no seu core product, no seu serviço, deixando de investir em grandes navios ou em grandes cadeias logísticas.

Existe também o caso da Hyundai Merchant Marine (HMM), que escolheu investir precisamente em grandes navios e que recentemente revelou intenções de aumentar a sua quota de mercado de porta-contentores, designadamente, encomendando 12 navios com capacidade para 23 mil TEU e oito com capacidade para 15 mil TEU. O que poderá mais do que duplicar a capacidade da sua frota, para um milhão de TEU. Todavia, segundo o jornal, a Drewry entende que esta ambição é incompatível com a estabilidade do mercado, apesar de a HMM considerar que o seu caminho é realista.

A posição da consultora é a de que são poucas as empresas de transporte marítimo que optaram por fazer incidir o seu investimento no crescimento rápido. Esse caminho terá sido seguido, essencialmente, por empresas com apoio público, como as da Coreia do Sul, por exemplo.

A Drewry considera que o risco de adquirir mais mega-navios quando o mercado está bem preenchido de navios é o de atrasar a recuperação e o reequilíbrio entre a oferta e a procura no sector, assim retardando a obtenção de margens de lucro.



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