Impactos negativos nos ecossistemas podem aconselhar prolongamento da vida das infraestruturas para além do seu fim de vida produtivo
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Uma pesquisa recente levada a cabo por especialistas de 10 países sobre o desmantelamento de infra-estruturas offshore propõe uma mudança na forma de desmantelar, mais flexível, revendo caso a caso, sem que exista uma obrigação de demolir após atingir o fim de vida produtivo, como tem vindo a ser praticado.

E porquê? Porque esta prática pode ter impactos negativos no ecossistema, incluindo a perda de biodiversidade e destruição de habitats. Explica o investigador Ash Fowler, e principal autor do estudo (publicado nas Frontiers in Ecology and the Environment), que os regulamentos actuais de desmantelamento são baseados na suposição de que “deixar o ambiente marinho como se encontrou” é a melhor forma de minimizar os impactos ambientais. Estratégias que não têm, no entanto, em conta, que ao longo de 20/30 anos de vida, as estruturas offshore se desenvolveram em recifes artificiais, com muita biodiversidade, e passaram a formar parte do ecossistema, do qual uma grande variedade de espécies pode depender.

Relativamente a esta questão, a co-autora do estudo, Anne-Mette Jørgensen, da North Sea Futures, com sede na Dinamarca, lembra igualmente que outras preocupações do desmantelamento total estão associadas à imediata abertura de tais locais a áreas de pesca de arrasto de profundidade, o que ameaça muito mais as espécies. Isto porque as zonas das infra-estruturas, por exemplo, no Mar do Norte, são das poucas zonas protegidas nas quais é proibido todo e qualquer tipo de pesca.

Assim, os autores do estudo recomendam que haja não só uma suspensão temporária do desmantelamento obrigatório das infra-estruturas offshore obsoletas, de forma a permitir mais pesquisas ambientais, caso a caso, como a permissão de remoção parcial, acompanhada de monitorização, e também o desenvolvimento de uma estrutura de avaliação baseada no benefício ambiental. Sendo que os investigadores acreditam que é essencial, em qualquer desmantelamento, ter em consideração o ambiente marinho existente.

Estima-se que 7.500 plataformas offshore de petróleo e gás em 53 países se tornarão obsoletas nas próximas décadas, pelo que o estudo, que serviu especialmente para induzir melhores práticas de desmantelamento, incluindo plataformas de óleo e gás e turbinas de vento, pode contribuir para uma alteração dos regulamentos desta prática através da “oportunidade de incorporar desenvolvimentos recentes na compreensão científica dos efeitos ambientais nas opções permitidas de desmantelamento”, refere David Booth, co-autor do estudo.



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